Passei o feriado e fim de semana isolada no meio do mato, sem internet, com apenas uma televisãozinha convencional.
Comendo brigadeiro de panela, pastel caseiro e tomando coca-cola (não porque eu goste muito mas porque meu pai é viciado e é a única bebida não-alcoólica que ele compra).
Foi bom. Mas triste. Me senti meio vazia, com um buraco. Apesar de ter passado a maior parte da minha vida (até aqui) no século passado, não saberia mais viver sem internet.
Me alimento dela, respiro e ela. Sem ela me sinto muito pouco. E isso é muito triste.
Mas não preciso me lamentar, dado que já voltei à civilização e tenho a internet de volta para me atualizar no mundo.
Falando em atualização, hoje é dia de vestibular da Fuves. Boa sorte para quem está prestando! Muita sorte para minha irmã!
"O que não enfrentamos em nós mesmos encontraremos como destino." Carl Gustav Jung
domingo, 23 de novembro de 2008
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Mundo mudou
Não posso deixar essa passar:
Escrevendo o post anterior me lembrei desse vídeo com a Ana Paula Padrão que assisti há um tempo:
A letra original da música "E o mundo não se acabou" fala:
Beijei a boca
De quem não devia
Peguei na mão
De quem não conhecia
Dancei um samba
Em traje de maiô
E o tal do mundo
Não se acabou...
No tempo em que ela foi escrita (1938), Assis Valente considerava que "dançar um samba em traje de maiô" era algo do que deveria se arrepender/envergonhar.
No Grammy, a Sandy propositalmente cantou:
Beijei a boca
De quem não devia
Peguei na mão
De quem não conhecia
Dancei um samba
Em traje de maiô Saí pelada na televisão
E o tal do mundo
Não se acabou...
É... o mundo não se acabou. Ainda.
O mundo mudou. E tem mudado cada vez com maior rapidez.
Só espero que esse processo em algum momento se desacelere.
Porque se continuar assim, logo nada mais nos chocará.
E o mundo vai se acabar.
Escrevendo o post anterior me lembrei desse vídeo com a Ana Paula Padrão que assisti há um tempo:
A letra original da música "E o mundo não se acabou" fala:
Beijei a boca
De quem não devia
Peguei na mão
De quem não conhecia
Dancei um samba
Em traje de maiô
E o tal do mundo
Não se acabou...
No tempo em que ela foi escrita (1938), Assis Valente considerava que "dançar um samba em traje de maiô" era algo do que deveria se arrepender/envergonhar.
No Grammy, a Sandy propositalmente cantou:
Beijei a boca
De quem não devia
Peguei na mão
De quem não conhecia
Em traje de maiô
E o tal do mundo
Não se acabou...
É... o mundo não se acabou. Ainda.
O mundo mudou. E tem mudado cada vez com maior rapidez.
Só espero que esse processo em algum momento se desacelere.
Porque se continuar assim, logo nada mais nos chocará.
E o mundo vai se acabar.
"E o mundo não se acabou"
(Grammy Latino: Paula Toller e Sandy Lima - 13/11/08)
Há alguns meses atrás tive aula com um professor velhinho e muito respeitado na faculdade. Como qualquer pessoa de sua idade, ele tem suas filosofias de vida e muita experiência.
Uma das coisas que ele nos falou -durante mais de uma hora- foi o quanto as pessoas vivem como imortais. Com todo seu discurso, ele quis nos dizer que o mundo seria muito melhor se as pessoas vivessem cientes de sua finitude, cientes de que tudo poderia acabar amanhã.
Ele contou alguns casos de pacientes dele que, após receber notícia de doença grave, fatal, passaram a viver muito melhor, viajaram, aproveitaram a vida como nunca tinham feito.
No dia, senti certa estranheza, não consegui digerir bem aquelas informações. Simplesmente não conseguia concordar com ele, apesar de respeitá-lo. E não conseguia traduzir em palavras o que eu estava sentindo.
Até que ontem, assistindo ao Grammy ouvi essa música e simplesmente fez sentido:
"E o mundo não se acabou"
(Assis Valente - "licença poética" p/ Paula Toller e Sandy)
Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar
Por causa disso
Minha gente lá de casa
Começou a rezar...
E até disseram que o sol
Ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite
Lá no morro
Não se fez batucada...
(R)
Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando
De aproveitar...
Beijei a boca
De quem não devia
Peguei na mão
De quem não conhecia
Em traje de maiô
E o tal do mundo
Não se acabou...
(R)
Chamei um
Com quem não me dava
E perdoei a sua ingratidão
E festejando o acontecimento
Gastei com ele
Mais de quinhentão...
Agora eu soube
Que
Dizendo coisa
Que não se passou
E, vai ter barulho
E, vai ter confusão
Porque o mundo não se acabou...
(R)
Pois é. Simples assim. O viver como imortais é uma proteção. Instinto de sobrevivência.
Se vivêssemos como mortais, não pouparíamos dinheiro, não trabalharíamos direito, faríamos besteiras mil, colocaríamos nossas vidas em risco com maior frequência...
Claro que isso teria seu lado bom: seríamos mais felizes (p/ felicidade imediata), perdoaríamos mais.
Mas, colocando na balança, não acho que valha a pena. Acho que isso traria mais mal p/ o mundo do que bem.
Sei que posso morrer amanhã, mas não considero isso uma realidade possível. Continuo pensando e programando meu futuro.
Se um dia tiver o diagnóstico de uma doença fatal, aí reconsidero.
As pessoas mudam
Há poucas semanas estava conversando com minha irmã e ela estava dizendo que não acreditava que as pessoas pudessem mudar. Ela acredita que as pessoas usam máscaras diferentes em diferentes tempos, dependendo das necessidades, mas que elas não mudam na sua essência.
Não concordei, mas também não sabia argumentar com alguém com uma opinião tão dura.
Até que essa semana percebi duas mudanças significativas em mim.
1) Estava na aula de Bioética quando minha colega contou um episódio que ela considerou anti-ético e estava indignada. Ela contou que no ambulatório a médica assistente foi extremamente grossa com a filha de uma paciente e as duas discutiram. Minha colega achou um absurdo o que aconteceu, a atitude da assistente, a cena lamentável.
E eu na hora só conseguia pensar "a médica estava num dia ruim e acabou descarregando num momento em que foi pressionada".
Há poucos meses atrás eu achava simplesmente injustificável um médico ser grosso com um paciente. Quando eu presenciava qualquer cena parecida com a que minha colega contou, eu saía da sala, protestava, reclamava com o chefe...
E agora eu simplesmente aceito como algo normal. Perdoável.
Médico é gente como qualquer outra pessoa. Tem dias bons e ruins e ninguém é obrigado a levar desaforo para casa. Aquela médica exagerou, não devia ter falado daquele jeito com a moça. Sem dúvida. Mas entendo que foi uma dificuldade na comunicação. A médica que não estava num de seus melhores dias, interpretou um comentário que a moça fez como um desaforo e respondeu àquilo.
Acontece com todo mundo.
Não sei se essa minha mudança é boa ou ruim. Mas com certeza ela é muito significativa. De certa forma envolve moral, limite entre o que é ético e o que é anti-ético. Me tornei extremamente mais tolerante.
E um pouco mais corporativista...
2) A segunda mudança que notei foi agora pouco enquanto tomava banho (meu momento de reflexões e devaneios livres).
Estava lembrando da última festa da faculdade em que fui. Fiquei um bom tempo dançando com meus amigos e, entre eles, estava meu ex com a atual namorada.
Enquanto nos divertíamos, notei que a tal menina ficava me olhando com rabo de olho, reparando no meu jeito, nos meus movimentos... E hoje, lembrando disso, saiu a seguinte cadeia de pensamentos:
"Por que será que aquela menina estava olhanda pra mim daquele jeito? Ela não está namorando, feliz, se divertindo com MEUS amigos? Que que ela queria comigo?
Será que ela estava nos comparando? Será que ela estava insegura?
Ah... é claro que estava. Ela é feia e nariguda e eu bonita com narizinho perfeito. Ela é gorda e eu magra. Ela está no 1º ano e eu no 5º, quase acabando a faculdade. Ela é uma pirralha e eu uma mulher madura. (O melhor!) Ela não sabe dançar, nem sequer "mexer as cadeiras" e eu fui bailarina clássica, aprendo a dançar só de olhar, sambo como ninguém e até que me viro bem numa balada... (detalhe que meu ex, atual dela, AMA dança, faz aulas há anos e é um dos melhores dançarinos da academia dele).
Meu Deus!!!
Quando caiu minha ficha do que tinha acabado de pensar, meu queixo caiu.
Há poucos anos eu era uma menininha sem nenhuma auto-estima, que me achava a pessoa mais feia, chata e derrotada do mundo. Procurava incessantemente uma característicazinha boa em mim que se destacasse minimamente e tinha dificuldade de encontrar.
E agora assim, do nada, me pego com a auto-estima na estratosfera. Me achando a última bolacha do pacote.
É... devo ter melhorado de verdade!
Não concordei, mas também não sabia argumentar com alguém com uma opinião tão dura.
Até que essa semana percebi duas mudanças significativas em mim.
1) Estava na aula de Bioética quando minha colega contou um episódio que ela considerou anti-ético e estava indignada. Ela contou que no ambulatório a médica assistente foi extremamente grossa com a filha de uma paciente e as duas discutiram. Minha colega achou um absurdo o que aconteceu, a atitude da assistente, a cena lamentável.
E eu na hora só conseguia pensar "a médica estava num dia ruim e acabou descarregando num momento em que foi pressionada".
Há poucos meses atrás eu achava simplesmente injustificável um médico ser grosso com um paciente. Quando eu presenciava qualquer cena parecida com a que minha colega contou, eu saía da sala, protestava, reclamava com o chefe...
E agora eu simplesmente aceito como algo normal. Perdoável.
Médico é gente como qualquer outra pessoa. Tem dias bons e ruins e ninguém é obrigado a levar desaforo para casa. Aquela médica exagerou, não devia ter falado daquele jeito com a moça. Sem dúvida. Mas entendo que foi uma dificuldade na comunicação. A médica que não estava num de seus melhores dias, interpretou um comentário que a moça fez como um desaforo e respondeu àquilo.
Acontece com todo mundo.
Não sei se essa minha mudança é boa ou ruim. Mas com certeza ela é muito significativa. De certa forma envolve moral, limite entre o que é ético e o que é anti-ético. Me tornei extremamente mais tolerante.
E um pouco mais corporativista...
2) A segunda mudança que notei foi agora pouco enquanto tomava banho (meu momento de reflexões e devaneios livres).
Estava lembrando da última festa da faculdade em que fui. Fiquei um bom tempo dançando com meus amigos e, entre eles, estava meu ex com a atual namorada.
Enquanto nos divertíamos, notei que a tal menina ficava me olhando com rabo de olho, reparando no meu jeito, nos meus movimentos... E hoje, lembrando disso, saiu a seguinte cadeia de pensamentos:
"Por que será que aquela menina estava olhanda pra mim daquele jeito? Ela não está namorando, feliz, se divertindo com MEUS amigos? Que que ela queria comigo?
Será que ela estava nos comparando? Será que ela estava insegura?
Ah... é claro que estava. Ela é feia e nariguda e eu bonita com narizinho perfeito. Ela é gorda e eu magra. Ela está no 1º ano e eu no 5º, quase acabando a faculdade. Ela é uma pirralha e eu uma mulher madura. (O melhor!) Ela não sabe dançar, nem sequer "mexer as cadeiras" e eu fui bailarina clássica, aprendo a dançar só de olhar, sambo como ninguém e até que me viro bem numa balada... (detalhe que meu ex, atual dela, AMA dança, faz aulas há anos e é um dos melhores dançarinos da academia dele).
Meu Deus!!!
Quando caiu minha ficha do que tinha acabado de pensar, meu queixo caiu.
Há poucos anos eu era uma menininha sem nenhuma auto-estima, que me achava a pessoa mais feia, chata e derrotada do mundo. Procurava incessantemente uma característicazinha boa em mim que se destacasse minimamente e tinha dificuldade de encontrar.
E agora assim, do nada, me pego com a auto-estima na estratosfera. Me achando a última bolacha do pacote.
É... devo ter melhorado de verdade!
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Absurdo!!!
Jovem foi baleado dentro das Casas Bahia por um segurança maldito que portava uma arma.
Publico aqui o relato das educadoras da Organização Social Casa do Zezinho (retirado do Blog do Tas)
Nota de repúdio e indignação
A Casa do Zezinho está de luto. A ONG Casa do Zezinho mostra seu profundo repúdio e indignação. Um dos seus filhos queridos, o jovem Alberto Milfont Jr, (23), foi barbaramente assassinado dentro das Casas Bahia na Estrada de Itapecerica por um segurança terceirizado, que trabalha nessa instituição, na segunda feira por volta das 16 horas. O segurança, em sua defesa, alega que agiu assim porque simplesmente o jovem estava mal vestido.
O jovem Alberto, mal vestido, morre com a nota fiscal, com comprovante de compra nas mãos.
Enquanto aguardava dentro da loja, “roupa de trabalhador”, sua esposa Darilene (22) voltava do caixa aonde fora pagar a prestação da compra de um colchão. Foi abordado pelo assassino, terno preto. Depois de um bate boca ligeiro o segurança saca da arma e atira à queima roupa. O jovem tomba sem vida.
Suas últimas palavras: Sou cliente, não sou ladrão!”. A partir daí se calou. Calou da mesma forma como estamos calados, sufocados há 400 anos. Que grande equívoco este país!
Mal vestido, roupa de trabalho, é um sinal verde para o braço armado da sociedade, o assassino pago para atirar. Alberto deixa esposa e um filho de 5 meses. Alberto deixa morta a remota esperança de milhares de jovens brasileiros. Estudar pra que? Trabalhar pra que? Ser honesto pra que? Brasileiros alfabetizados, respondam honestamente essa pergunta!
O menino brincalhão, comprido e de pernas finas entrou para a Casa do Zezinho aos 10 anos. Sua turma do Parque Santo Antônio já estava todinha ali. Vai ser muito legal, ali vamos nos divertir para valer. O jovem deixa excelentes recordações em toda nossa comunidade, onde permaneceu como um membro muito querido até 2003.
Estava de casamento marcado com a jovem Darilene, com quem tinha um filho de apenas 5 meses.
Suspeita e pobreza sempre juntas na nossa história.
Nenhum (a) jovem “mal vestido” (leia-se moreno, pardo) da periferia ousa sequer pisar num shopping de grife da cidade sem levantar as mais alarmantes suspeitas. Nenhuma placa, nenhum sinal explcita essa indesejabilidade, como faziam com os negros os norte-americanos. Diferentemente dos americanos, aqui o jovem da periferia já traz gravada na carne, na alma, essa interjeição.
Nenhuma revolta, nenhuma vingança organizada. Nada que a sociedade deva se preocupar. Apenas o destempero de um segurança idiotizado, uma peça para reposição. No Cemitério São Luiz o murmúrio surdo da mãe e da jovem esposa.
Dentes cravados, os jovens cabisbaixos que acompanham o enterro trazem o sangue nos olhos. – O mano Alberto subiu!
Com muita raiva seguimos com eles, solidários, para tentar preservar essa auto estima
tão covardemente destruída desde o seu nascimento nas favelas.
A vitória da morte exercida com eficiência certeira desde sempre no país pelo braço armado contratado pela sociedade dominante e pelos seus comparsas que dominam toda a estrutura de poder do estado.
Pras Casas Bahia deixamos como lembrança o carnê saldado com a honra e a dignidade de um jovem trabalhador.
Adeus mano Alberto!
Publico aqui o relato das educadoras da Organização Social Casa do Zezinho (retirado do Blog do Tas)
Nota de repúdio e indignação
A Casa do Zezinho está de luto. A ONG Casa do Zezinho mostra seu profundo repúdio e indignação. Um dos seus filhos queridos, o jovem Alberto Milfont Jr, (23), foi barbaramente assassinado dentro das Casas Bahia na Estrada de Itapecerica por um segurança terceirizado, que trabalha nessa instituição, na segunda feira por volta das 16 horas. O segurança, em sua defesa, alega que agiu assim porque simplesmente o jovem estava mal vestido.
O jovem Alberto, mal vestido, morre com a nota fiscal, com comprovante de compra nas mãos.
Enquanto aguardava dentro da loja, “roupa de trabalhador”, sua esposa Darilene (22) voltava do caixa aonde fora pagar a prestação da compra de um colchão. Foi abordado pelo assassino, terno preto. Depois de um bate boca ligeiro o segurança saca da arma e atira à queima roupa. O jovem tomba sem vida.
Suas últimas palavras: Sou cliente, não sou ladrão!”. A partir daí se calou. Calou da mesma forma como estamos calados, sufocados há 400 anos. Que grande equívoco este país!
Mal vestido, roupa de trabalho, é um sinal verde para o braço armado da sociedade, o assassino pago para atirar. Alberto deixa esposa e um filho de 5 meses. Alberto deixa morta a remota esperança de milhares de jovens brasileiros. Estudar pra que? Trabalhar pra que? Ser honesto pra que? Brasileiros alfabetizados, respondam honestamente essa pergunta!
O menino brincalhão, comprido e de pernas finas entrou para a Casa do Zezinho aos 10 anos. Sua turma do Parque Santo Antônio já estava todinha ali. Vai ser muito legal, ali vamos nos divertir para valer. O jovem deixa excelentes recordações em toda nossa comunidade, onde permaneceu como um membro muito querido até 2003.
Estava de casamento marcado com a jovem Darilene, com quem tinha um filho de apenas 5 meses.
Suspeita e pobreza sempre juntas na nossa história.
Nenhum (a) jovem “mal vestido” (leia-se moreno, pardo) da periferia ousa sequer pisar num shopping de grife da cidade sem levantar as mais alarmantes suspeitas. Nenhuma placa, nenhum sinal explcita essa indesejabilidade, como faziam com os negros os norte-americanos. Diferentemente dos americanos, aqui o jovem da periferia já traz gravada na carne, na alma, essa interjeição.
Nenhuma revolta, nenhuma vingança organizada. Nada que a sociedade deva se preocupar. Apenas o destempero de um segurança idiotizado, uma peça para reposição. No Cemitério São Luiz o murmúrio surdo da mãe e da jovem esposa.
Dentes cravados, os jovens cabisbaixos que acompanham o enterro trazem o sangue nos olhos. – O mano Alberto subiu!
Com muita raiva seguimos com eles, solidários, para tentar preservar essa auto estima
tão covardemente destruída desde o seu nascimento nas favelas.
A vitória da morte exercida com eficiência certeira desde sempre no país pelo braço armado contratado pela sociedade dominante e pelos seus comparsas que dominam toda a estrutura de poder do estado.
Pras Casas Bahia deixamos como lembrança o carnê saldado com a honra e a dignidade de um jovem trabalhador.
Adeus mano Alberto!
domingo, 9 de novembro de 2008
2009
A cidade se prepara para o Natal.
Os shoppings estão meio decorados.
Os prédios da Paulista estão meio enfeitados.
A árvore do Ibirapuera está meio montada.
E tudo ainda está realmente pela metade hoje.
E eu, aqui, já começo a fazer minhas promessas de Ano Novo. Mas ainda só meio feitas.
O 6º ano se despediu sexta-feira, o que quer dizer que meu 6º ano já está prestes a começar. E, como é um ano decisivo, preciso assumir a vida adulta, postura de médica, responsabilidade dos atendimento, tomar condutas sozinha e ainda estudar para prova de Residência.
"Quando a água bate na bunda..."
Já tô sentindo molhado...
Os shoppings estão meio decorados.
Os prédios da Paulista estão meio enfeitados.
A árvore do Ibirapuera está meio montada.
E tudo ainda está realmente pela metade hoje.
E eu, aqui, já começo a fazer minhas promessas de Ano Novo. Mas ainda só meio feitas.
O 6º ano se despediu sexta-feira, o que quer dizer que meu 6º ano já está prestes a começar. E, como é um ano decisivo, preciso assumir a vida adulta, postura de médica, responsabilidade dos atendimento, tomar condutas sozinha e ainda estudar para prova de Residência.
"Quando a água bate na bunda..."
Já tô sentindo molhado...
sábado, 8 de novembro de 2008
A irresponsabilidade de um Conselho Regional
Notícia do site do Cremesp:
Exame do Cremesp: reprovados 61% dos estudantes de sexto ano que realizaram as provas
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) divulgou no dia 5 de novembro os resultados da quarta edição do Exame do Cremesp, que avalia o desempenho dos estudantes do sexto ano de medicina.
O índice de reprovação praticamente dobrou desde o primeiro exame, passando de 31% em 2005 para 61% em 2008, um crescimento de 97% em quatro anos.
O Exame indica a piora da qualidade no ensino médico no Estado de São Paulo.
O Cremesp também divulgou o resultado por área de conhecimento e detalhes sobre o desempenho/ participação de cada faculdade.
Aí, leigos como o Datena, passam a dizer que os filhinhos de papai que estudam em faculdades públicas, gastando dinheiro público, são um bando de vagabundos, não estudam, se formam péssimos médicos. E as vítimas são os pacientes que estão nas mãos desses charlatões, não é? (Quem me contou sobre essa linda observação desse senhor que se considera jornalista, foi a faxineira que trabalha lá em casa e adoooora o programa dele)
Faculdade boa mesmo é a Uninove que teve 100% de aprovação nesse exame!!!
É no mínimo uma irresponsabilidade publicar uma notícia como essa. Que o ensino médico é ruim em várias faculdades, isso é incontestável. Mas dizer que esse exame reflete a qualidade de formação dos médicos, é um absurdo. A prova tinha diversas questões mal elaboradas, muitas pessoas foram fazer a prova como forma de protesto porque não concordam com esse tipo de avaliação (não concordo com esse tipo de protesto, mas não dá pra desconsiderar que boa parte dos estudantes de determinadas faculdades fizeram a prova com o intuito de ir mal mesmo, para demonstrar a fragilidade desse sistema de avaliação).
Dizer que apenas 50% dos estudantes que se formam na USP, Santa Casa e Unifesp estão aptos a exercer a profissão, é pedir para fecharmos todas as faculdades do país. Se os melhores médicos formados são tão ruins, vamos parar de formar médicos, reestruturar todo o ensino e recomeçar.
As pessoas responsáveis por esse exame estão usando de má fé para conseguir o que querem (instituir um exame de habilitação para exercer a profissão - tipo exame da OAB) de forma extremamente irresponsável e que podem ter consequências graves imprevisíveis.
Exame do Cremesp: reprovados 61% dos estudantes de sexto ano que realizaram as provas
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) divulgou no dia 5 de novembro os resultados da quarta edição do Exame do Cremesp, que avalia o desempenho dos estudantes do sexto ano de medicina.
O índice de reprovação praticamente dobrou desde o primeiro exame, passando de 31% em 2005 para 61% em 2008, um crescimento de 97% em quatro anos.
O Exame indica a piora da qualidade no ensino médico no Estado de São Paulo.
O Cremesp também divulgou o resultado por área de conhecimento e detalhes sobre o desempenho/ participação de cada faculdade.
Aí, leigos como o Datena, passam a dizer que os filhinhos de papai que estudam em faculdades públicas, gastando dinheiro público, são um bando de vagabundos, não estudam, se formam péssimos médicos. E as vítimas são os pacientes que estão nas mãos desses charlatões, não é? (Quem me contou sobre essa linda observação desse senhor que se considera jornalista, foi a faxineira que trabalha lá em casa e adoooora o programa dele)
Faculdade boa mesmo é a Uninove que teve 100% de aprovação nesse exame!!!
É no mínimo uma irresponsabilidade publicar uma notícia como essa. Que o ensino médico é ruim em várias faculdades, isso é incontestável. Mas dizer que esse exame reflete a qualidade de formação dos médicos, é um absurdo. A prova tinha diversas questões mal elaboradas, muitas pessoas foram fazer a prova como forma de protesto porque não concordam com esse tipo de avaliação (não concordo com esse tipo de protesto, mas não dá pra desconsiderar que boa parte dos estudantes de determinadas faculdades fizeram a prova com o intuito de ir mal mesmo, para demonstrar a fragilidade desse sistema de avaliação).
Dizer que apenas 50% dos estudantes que se formam na USP, Santa Casa e Unifesp estão aptos a exercer a profissão, é pedir para fecharmos todas as faculdades do país. Se os melhores médicos formados são tão ruins, vamos parar de formar médicos, reestruturar todo o ensino e recomeçar.
As pessoas responsáveis por esse exame estão usando de má fé para conseguir o que querem (instituir um exame de habilitação para exercer a profissão - tipo exame da OAB) de forma extremamente irresponsável e que podem ter consequências graves imprevisíveis.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Será que o mundo mudou?
Será que ele está prester a mudar?
Ou será que é só mais uma falsa esperança?
Independente da verdade que se apresentará em breve, hoje foi um dia muito feliz para o mundo!
Leia mais na Folha
Será que ele está prester a mudar?
Ou será que é só mais uma falsa esperança?
Independente da verdade que se apresentará em breve, hoje foi um dia muito feliz para o mundo!
Leia mais na Folha
Só uma observação
Reparei que faz certo tempo que não conto nada sobre meus pacientes.
Por quê?
Simplesmente porque na Derma não tenho pacientes meus. Não nos deixam atender ninguém, fazer nada. As consultas que assistimos são rapidíssimas e nunca conhecemos a história dos pacientes.
Lá eles dizem: história só atrapalha. Olha a lesão, faça perguntas específicas relacionadas a sua hipótese e só. Nada de deixar paciente contar história.
Não nasci pra fazer esse tipo de Medicina...
Por quê?
Simplesmente porque na Derma não tenho pacientes meus. Não nos deixam atender ninguém, fazer nada. As consultas que assistimos são rapidíssimas e nunca conhecemos a história dos pacientes.
Lá eles dizem: história só atrapalha. Olha a lesão, faça perguntas específicas relacionadas a sua hipótese e só. Nada de deixar paciente contar história.
Não nasci pra fazer esse tipo de Medicina...
Vida saudável?
Receita para ter uma vida saudável:
- não coma frituras - aumenta colesterol, leva a entupimento das artérias, podendo levar a infarto
- não coma açúcar refinado, evite chocolates, sorvetes - leva a diversas alterações metabólicas, inclusive resistência a insulina, podendo evoluir a Diabetes tipo 2
- não exagere no sal, ele interfere na pressão arterial e no funcionamento renal
- mantenha peso adequado - obesidade determina diversos problemas metabólicos, arteriais, respiratórios
- não tome banho muito quente - altera a pele, "derrete o colágeno" e leva a envelhecimento precoce
- não tome sol - prejudica a pele, podendo levar a câncer
- durma quantidade adequada de horas. Nem muito, nem pouco
- não consuma bebidas alcoólicas, pois além de aumentar o risco de traumas e DST, pode levar a alterações hepáticas
Entre nós estudantes de Medicina, costumamos brincar que para ter uma vida saudável (além de tratar boa parte das doenças) é só retirar da sua vida tudo que é bom e dá prazer. Tudo que você gostar de comer e beber, simplesmente, nunca mais passe perto, nunca consuma nada que tiver gosto bom!
A pergunta que fica é: como alguém pode viver com tantas privações? Como alguém pode ser feliz sem esses melhores prazeres da vida?
A pessoa pode até ficar doente, desenvolver câncer com tanta infelicidade.
Apesar de ser obrigada a orientar os pacientes desas coisas, simplesmente não consigo aderir. Como doces e gordura sim, tomo banho quente, não faço exercício físico.
Tudo bem que adoro salada, tenho limite muito baixo para quantidade de doce (raramente excedo o aceitável de consumo diário porque tenho enxaqueca relacionada a açúcar), meus banhos (hiperquentes) são rápidos (porque não acho justo com o ambiente gastar água e energia assim).
Mas, totalmente consciente, não quero uma vida saudável. Quero uma vida feliz e balanceada (saudável + não saudável).
Observação importantíssima: na escolha de vida não saudável não está incluído o cigarro. Cigarro não é uma escolha pessoal, envolve risco de vida de diversas pessoas. Escolher fumar é escolher prejudicar a saúde de sua família, seus amigos, seus colegas de trabalho. Não é uma escolha pessoal mesmo! Fumando, com certeza você está matando alguém (algum dos seus conhecidos vai ser mais susceptível). Um inocente que não tem culpa do seu vício e que vai sofrer e te fazer sofrer no futuro.
- não coma frituras - aumenta colesterol, leva a entupimento das artérias, podendo levar a infarto
- não coma açúcar refinado, evite chocolates, sorvetes - leva a diversas alterações metabólicas, inclusive resistência a insulina, podendo evoluir a Diabetes tipo 2
- não exagere no sal, ele interfere na pressão arterial e no funcionamento renal
- mantenha peso adequado - obesidade determina diversos problemas metabólicos, arteriais, respiratórios
- não tome banho muito quente - altera a pele, "derrete o colágeno" e leva a envelhecimento precoce
- não tome sol - prejudica a pele, podendo levar a câncer
- durma quantidade adequada de horas. Nem muito, nem pouco
- não consuma bebidas alcoólicas, pois além de aumentar o risco de traumas e DST, pode levar a alterações hepáticas
Entre nós estudantes de Medicina, costumamos brincar que para ter uma vida saudável (além de tratar boa parte das doenças) é só retirar da sua vida tudo que é bom e dá prazer. Tudo que você gostar de comer e beber, simplesmente, nunca mais passe perto, nunca consuma nada que tiver gosto bom!
A pergunta que fica é: como alguém pode viver com tantas privações? Como alguém pode ser feliz sem esses melhores prazeres da vida?
A pessoa pode até ficar doente, desenvolver câncer com tanta infelicidade.
Apesar de ser obrigada a orientar os pacientes desas coisas, simplesmente não consigo aderir. Como doces e gordura sim, tomo banho quente, não faço exercício físico.
Tudo bem que adoro salada, tenho limite muito baixo para quantidade de doce (raramente excedo o aceitável de consumo diário porque tenho enxaqueca relacionada a açúcar), meus banhos (hiperquentes) são rápidos (porque não acho justo com o ambiente gastar água e energia assim).
Mas, totalmente consciente, não quero uma vida saudável. Quero uma vida feliz e balanceada (saudável + não saudável).
Observação importantíssima: na escolha de vida não saudável não está incluído o cigarro. Cigarro não é uma escolha pessoal, envolve risco de vida de diversas pessoas. Escolher fumar é escolher prejudicar a saúde de sua família, seus amigos, seus colegas de trabalho. Não é uma escolha pessoal mesmo! Fumando, com certeza você está matando alguém (algum dos seus conhecidos vai ser mais susceptível). Um inocente que não tem culpa do seu vício e que vai sofrer e te fazer sofrer no futuro.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Agenda
Agenda social da semana:
Quinta - festa alternativa
Sexta - Festa do CA de despedida dos formandos - a mais esperada do ano
Sábado - churras o dia todo
Não se parece em nada com os fins de semana que ando tendo, trancada em casa, na frente do computador. E acho que vai ser no mínimo cansativo, já que sexta trabalho o dia todo e sábado de manhã, teoricamente, teria que ir atender pacientes também.
Poderia muito bem deixar a festa de quinta para semana que vem. Mas, fiquei pensando: se posso dar 2 plantões em noites seguidas, por que não posso ir pra balada 2 noites seguidas? Posso me cansar para trabalhar de graça, mas não posso me cansar para me divertir?
Haha
Quinta - festa alternativa
Sexta - Festa do CA de despedida dos formandos - a mais esperada do ano
Sábado - churras o dia todo
Não se parece em nada com os fins de semana que ando tendo, trancada em casa, na frente do computador. E acho que vai ser no mínimo cansativo, já que sexta trabalho o dia todo e sábado de manhã, teoricamente, teria que ir atender pacientes também.
Poderia muito bem deixar a festa de quinta para semana que vem. Mas, fiquei pensando: se posso dar 2 plantões em noites seguidas, por que não posso ir pra balada 2 noites seguidas? Posso me cansar para trabalhar de graça, mas não posso me cansar para me divertir?
Haha
Hoje foram decididas as grades horárias do ano que vem. 6º ano. Último ano.
Daqui a 12 meses, terei um carimbo, poderei ser processada, terei que tocar PS sozinha, serei totalmente responsável por meus pacientes e... ganharei dinheiro para trabalhar.
É... agora é caminho sem volta.
Mas meu anjo da guarda me ajudou. A grade que escolheram para mim é muito boa e totalmente oposta as pessoas de quem quero ficar longe.
Deu tudo muito certo!
Felicitações aos infindáveis plantões que virão.
Daqui a 12 meses, terei um carimbo, poderei ser processada, terei que tocar PS sozinha, serei totalmente responsável por meus pacientes e... ganharei dinheiro para trabalhar.
É... agora é caminho sem volta.
Mas meu anjo da guarda me ajudou. A grade que escolheram para mim é muito boa e totalmente oposta as pessoas de quem quero ficar longe.
Deu tudo muito certo!
Felicitações aos infindáveis plantões que virão.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Por que me apaixonei pela enfermeira
Saí com minha madrina ontem para assistira à peça Toc Toc. Ela, psicóloga de formação, gasta alguns minutos de nossos programas sociais, interpretando minhas "profundas questões".
Contei para ela a história da minha enfermeira. Disse que tinha me apaixonado por uma mulher, que achava isso esquisito.
Ela respondeu:
- Você sempre vai estar apaixonada por uma mulher: sua mãe.
Fiquei pensando "que que ela tá falando? que que isso tem a ver?". E aí ela me explicou que realmente essa minha paixão traduzia admiração, ser cuidada por uma pessoa boa, que dá colo e bronca. Uma mulher que de certa forma exerce autoridade sobre mim, além de oferecer carinho e atenção.
E não é que é isso mesmo. Minha paixão por ela não tem, de forma nenhuma, conotação sexual. É simplesmente admiração, carinho, um certo medo de fazer/falar besteiras...
Gostei!
Contei para ela a história da minha enfermeira. Disse que tinha me apaixonado por uma mulher, que achava isso esquisito.
Ela respondeu:
- Você sempre vai estar apaixonada por uma mulher: sua mãe.
Fiquei pensando "que que ela tá falando? que que isso tem a ver?". E aí ela me explicou que realmente essa minha paixão traduzia admiração, ser cuidada por uma pessoa boa, que dá colo e bronca. Uma mulher que de certa forma exerce autoridade sobre mim, além de oferecer carinho e atenção.
E não é que é isso mesmo. Minha paixão por ela não tem, de forma nenhuma, conotação sexual. É simplesmente admiração, carinho, um certo medo de fazer/falar besteiras...
Gostei!
sábado, 1 de novembro de 2008
Banalidades para superar as agruras
Fiquei realmente mexida com tudo que aconteceu hoje.
Desamparada.
Sozinha.
Recusei qualquer companhia que me ofereceram.
Recusei ajuda a dois amigos que me pediram: um está com o pai internado no hospital (será que ele também se vai logo?); o outro está prestes a terminar um namoro de 5 anos.
Desculpem, mas simplesmente não tinha energia para nada, nem ninguém.
E, como estou sozinha (agora, nesse momento, gostaria de estar acompanhada - não preciso conversar, não preciso dar risada, não preciso comer, não preciso de nada... só queria um colinho confortável onde pudesse me aconchegar e esperar passar), vou aproveitar o aconchego do meu bloguinho para escrever banalidades... e esperar passar.
Banalidade nº 1:
Semana passada voltei a acessar meu MSN - que estava esquecido há meses.
Tenho algum problema com comunicação - não é possível. Quase todos os contatos da minha lista estão bloqueados. E não sei por que. Fui bloqueando aos poucos em algum dia em que não queria conversar com tal pessoa, outro dia bloqueava outro e, de repente, estavam quase todos bloqueados.
Problemática.
Acho que simplesmente não gosto de conversar mesmo.
Mas agora desbloqueei vários. Vamos ver por quanto tempo...
Banalidade nº 2:
Sinto uma saudade enorme da época em que meu blog tinha 30-40 visitas por dia, recebia diversos comentários, fazia muitos amigos virtuais e era acompanhada por muitos não virtuais também.
Tudo acabou quando os posts que eu publicava começaram a virar polêmica e me prejudicar e quando meus amigos também começaram a ser perseguidos por pessoas sem noção e decidiram encerrar seus blogs. Acabou nossa "liberdade de expressão".
Tudo foi se perdendo no tempo.
Só eu me mantive forte aqui. E fechada (só "reabri" meu blog para sites de buscas esse mês).
Essa semana, fui conversar com uma amiga. Nos conhecemos na net, através dos blogs e depois nos tornamos amigas reais. Hoje, estamos na mesma panela, trabalhamos juntíssimas. Uma linda história.
Perguntei pra ela se não tinha saudades dos blogs, sugeri que ela voltasse a escrever.
Ela me disse: "Sinto muita saudade sim. Sabe, quando escrevia no meu blog era como se conversasse com um amigo, desabafava, me sentia mais leve depois. Era tão bom... e as pessoas comentavam, interagiam, me faziam sentir especial. Parei por causa daquelas pessoas idiotas que começaram a deixar comentários me xingando, me enchiam o saco... Cansei de lutar".
Que droga, né?! Pessoas desocupadas, idiotas, más, conseguiram acabar com algo tão bonito, tão especial. Uma pena mesmo.
O mal venceu mais uma vez.
Por que será que a gente dá tanto mais valor para as coisas ruins, né?! Nós recebíamos o triplo de comentários bons. Mas os ruins mexiam muito mais com a gente. Nos tirava do sério. E nos tirou do mundo virtual.
Só me resta lamentar.
E lembrar.
Banalidade nº 4:
Estava conversando com um amigo esses dias. Ele namora há um tempão, está feliz e tal.
Mas no relacionamento anterior dele, ele foi traído. A então namorada ficou com o cara mais cafa do colégio. E até hoje ele não entende por que as meninas gostam de cafas.
A conversa era sobre isso. Não sei como começou mas ele estava falando mal das mulheres, dizendo que nós éramos burras porque nos envolvíamos e, pior, nos apaixonávamos por caras que não valiam nada e que nunca nos dariam valor, enquanto caras bonzinhos/certinhos por aí só se ferram.
Tentei explicar-lhe o seguinte:
A questão não é que nos apaixonamos por cafajestes. Não é por ele ser cafajeste ou fazer sucesso entre as mulheres que nos sentimos atraídas.
É simplesmente porque eles são charmosos e usam esse charme para nos agradar. Quando um cafa está tentando consquistar uma mulher ele é gentil, agradável, nos mima, fala baixinho no nosso ouvido, liga para dizer algo fofo, nos abraça com carinho tentando demonstrar que se importam.
Nos apaixonamos por esse personagem que eles criam e que, não por acaso, é o "homem dos nossos sonhos". Por eles não terem nada a perder (afinal, se não conseguirem essa, tentam a próxima), eles arriscam, eles se sentem seguros em seguir sua intuição do que vai nos agradar e simplesmente nos fazem felizes.
Nos apaixonamos porque somos bem tratadas, porque nos sentimos valorizadas, porque somos felicitadas com presentes inesperados, com carinhos.
Sim, no fundo a gente sabe que seremos mais uma conquista sem importância. Mas sempre temos a esperança de que ele pode se apaixonar reciprocamente e que poderemos viver aquela fantasia de "rainhas" para sempre. A única coisa que queremos é ser felizes e eles nos fazem felizes enquanto estão nesse jogo.
E um certinho, o que faz?
Ele fica olhando de longe, tenta puxar uma conversa forçada, fica todo inseguro, fala que gosta de coisas que a gente sabe que ele nem conhece direito só para nos agradar. Ele não nos liga por ligar (porque tem medo de demonstrar seus sentimentos ou de estar sendo pegajoso), ele não nos dá presente por nada (por medo não sei de que), ele não sabe como nos agradar, não tem a percepção do que nos faria feliz porque está preso em sua insegurança.
Enquanto o cafajeste nos observa com atenção e usa cada sinal que damos para nos agradar, o "certinho" está preocupado se está usando a camisa certa para a ocasião, se não está falando merda, se não está sendo desagradável ou deixando evidenciar seus defeitos.
Ou seja, enquanto o cafajeste está pensando na gente durante a conversa, o certinho está pensando nele mesmo. O fim do cafa é agradar a ele mesmo, é atingir seu objetivo de mais uma conquista. O fim do "certinho" é agradar a gente, é nos fazer felizes para que eles fiquem felizes. Mas o meio (o momento ali, daquela conversa) é o que conta nessas horas.
Por que os certinhos não podem aprender com os cafas? Todos ganharíamos e seríamos muito felizes. E os cafas iam sobrar.
Só queremos ser bem tratadas, nos sentir amadas.
Desamparada.
Sozinha.
Recusei qualquer companhia que me ofereceram.
Recusei ajuda a dois amigos que me pediram: um está com o pai internado no hospital (será que ele também se vai logo?); o outro está prestes a terminar um namoro de 5 anos.
Desculpem, mas simplesmente não tinha energia para nada, nem ninguém.
E, como estou sozinha (agora, nesse momento, gostaria de estar acompanhada - não preciso conversar, não preciso dar risada, não preciso comer, não preciso de nada... só queria um colinho confortável onde pudesse me aconchegar e esperar passar), vou aproveitar o aconchego do meu bloguinho para escrever banalidades... e esperar passar.
Banalidade nº 1:
Semana passada voltei a acessar meu MSN - que estava esquecido há meses.
Tenho algum problema com comunicação - não é possível. Quase todos os contatos da minha lista estão bloqueados. E não sei por que. Fui bloqueando aos poucos em algum dia em que não queria conversar com tal pessoa, outro dia bloqueava outro e, de repente, estavam quase todos bloqueados.
Problemática.
Acho que simplesmente não gosto de conversar mesmo.
Mas agora desbloqueei vários. Vamos ver por quanto tempo...
Banalidade nº 2:
Sinto uma saudade enorme da época em que meu blog tinha 30-40 visitas por dia, recebia diversos comentários, fazia muitos amigos virtuais e era acompanhada por muitos não virtuais também.
Tudo acabou quando os posts que eu publicava começaram a virar polêmica e me prejudicar e quando meus amigos também começaram a ser perseguidos por pessoas sem noção e decidiram encerrar seus blogs. Acabou nossa "liberdade de expressão".
Tudo foi se perdendo no tempo.
Só eu me mantive forte aqui. E fechada (só "reabri" meu blog para sites de buscas esse mês).
Essa semana, fui conversar com uma amiga. Nos conhecemos na net, através dos blogs e depois nos tornamos amigas reais. Hoje, estamos na mesma panela, trabalhamos juntíssimas. Uma linda história.
Perguntei pra ela se não tinha saudades dos blogs, sugeri que ela voltasse a escrever.
Ela me disse: "Sinto muita saudade sim. Sabe, quando escrevia no meu blog era como se conversasse com um amigo, desabafava, me sentia mais leve depois. Era tão bom... e as pessoas comentavam, interagiam, me faziam sentir especial. Parei por causa daquelas pessoas idiotas que começaram a deixar comentários me xingando, me enchiam o saco... Cansei de lutar".
Que droga, né?! Pessoas desocupadas, idiotas, más, conseguiram acabar com algo tão bonito, tão especial. Uma pena mesmo.
O mal venceu mais uma vez.
Por que será que a gente dá tanto mais valor para as coisas ruins, né?! Nós recebíamos o triplo de comentários bons. Mas os ruins mexiam muito mais com a gente. Nos tirava do sério. E nos tirou do mundo virtual.
Só me resta lamentar.
E lembrar.
Banalidade nº 4:
Estava conversando com um amigo esses dias. Ele namora há um tempão, está feliz e tal.
Mas no relacionamento anterior dele, ele foi traído. A então namorada ficou com o cara mais cafa do colégio. E até hoje ele não entende por que as meninas gostam de cafas.
A conversa era sobre isso. Não sei como começou mas ele estava falando mal das mulheres, dizendo que nós éramos burras porque nos envolvíamos e, pior, nos apaixonávamos por caras que não valiam nada e que nunca nos dariam valor, enquanto caras bonzinhos/certinhos por aí só se ferram.
Tentei explicar-lhe o seguinte:
A questão não é que nos apaixonamos por cafajestes. Não é por ele ser cafajeste ou fazer sucesso entre as mulheres que nos sentimos atraídas.
É simplesmente porque eles são charmosos e usam esse charme para nos agradar. Quando um cafa está tentando consquistar uma mulher ele é gentil, agradável, nos mima, fala baixinho no nosso ouvido, liga para dizer algo fofo, nos abraça com carinho tentando demonstrar que se importam.
Nos apaixonamos por esse personagem que eles criam e que, não por acaso, é o "homem dos nossos sonhos". Por eles não terem nada a perder (afinal, se não conseguirem essa, tentam a próxima), eles arriscam, eles se sentem seguros em seguir sua intuição do que vai nos agradar e simplesmente nos fazem felizes.
Nos apaixonamos porque somos bem tratadas, porque nos sentimos valorizadas, porque somos felicitadas com presentes inesperados, com carinhos.
Sim, no fundo a gente sabe que seremos mais uma conquista sem importância. Mas sempre temos a esperança de que ele pode se apaixonar reciprocamente e que poderemos viver aquela fantasia de "rainhas" para sempre. A única coisa que queremos é ser felizes e eles nos fazem felizes enquanto estão nesse jogo.
E um certinho, o que faz?
Ele fica olhando de longe, tenta puxar uma conversa forçada, fica todo inseguro, fala que gosta de coisas que a gente sabe que ele nem conhece direito só para nos agradar. Ele não nos liga por ligar (porque tem medo de demonstrar seus sentimentos ou de estar sendo pegajoso), ele não nos dá presente por nada (por medo não sei de que), ele não sabe como nos agradar, não tem a percepção do que nos faria feliz porque está preso em sua insegurança.
Enquanto o cafajeste nos observa com atenção e usa cada sinal que damos para nos agradar, o "certinho" está preocupado se está usando a camisa certa para a ocasião, se não está falando merda, se não está sendo desagradável ou deixando evidenciar seus defeitos.
Ou seja, enquanto o cafajeste está pensando na gente durante a conversa, o certinho está pensando nele mesmo. O fim do cafa é agradar a ele mesmo, é atingir seu objetivo de mais uma conquista. O fim do "certinho" é agradar a gente, é nos fazer felizes para que eles fiquem felizes. Mas o meio (o momento ali, daquela conversa) é o que conta nessas horas.
Por que os certinhos não podem aprender com os cafas? Todos ganharíamos e seríamos muito felizes. E os cafas iam sobrar.
Só queremos ser bem tratadas, nos sentir amadas.
Vou encontrar meus amigos hoje.
No lugar onde menos desejaria.
Por que será que a gente tem que passar por isso?
Por que será que a gente tem que passar por isso tantas vezes?
É a quinta vez que nos encontramos lá. Quinta. Não acho que isso seja natural, normal. É sofrimento demais para um grupo já tão machucado...
Por quê?
Não consigo parar de chorar. Minha alma está despedaçada. De novo. Quinta vez;
Na primeira, foi a mãe de um amigo. Tive um ataque lá. Perdi o controle. Já sabia que a próxima vez seria a minha.
Na segunda, quase não chorei. Estava em frangalhos como nunca imaginei que poderia... Mas me mantive em pé. Estava certa antes: dessa vez era a minha mãe.
Na terceira, a Florzinha estava despedaçada. Tão meiga e sofrendo tanto. A mãe dela havia partido também.
Na quarta, foi um pai. Pai daquela menina aparentemente tão indefesa, mas que segurou a barra da família inteira.
Na quinta, hoje, outro pai. Com aviso prévio de 2 meses, quando a própria filha, uma das minhas melhores amigas, diagnosticou nele um câncer de pâncreas. Simplesmente o chão se abriu e fomos todos engolidos.
Me mantive distante. Não sabia o que fazer. Já não nos víamos há algum tempo e não a encontrei nesses dois meses. Fui visitar o pai uma vez na enfermaria. Mas ela não ficou sabendo.
Hoje, então, vamos nos encontrar de novo. Nós 5 e mais alguns, sortudos, que ainda não precisaram passar por isso. Entre eles, alguns não tão sortudos assim, que mantém-se em stand by, sabendo que o momento está muito próximo, tentando evitar como podem...
...
...
...
No lugar onde menos desejaria.
Por que será que a gente tem que passar por isso?
Por que será que a gente tem que passar por isso tantas vezes?
É a quinta vez que nos encontramos lá. Quinta. Não acho que isso seja natural, normal. É sofrimento demais para um grupo já tão machucado...
Por quê?
Não consigo parar de chorar. Minha alma está despedaçada. De novo. Quinta vez;
Na primeira, foi a mãe de um amigo. Tive um ataque lá. Perdi o controle. Já sabia que a próxima vez seria a minha.
Na segunda, quase não chorei. Estava em frangalhos como nunca imaginei que poderia... Mas me mantive em pé. Estava certa antes: dessa vez era a minha mãe.
Na terceira, a Florzinha estava despedaçada. Tão meiga e sofrendo tanto. A mãe dela havia partido também.
Na quarta, foi um pai. Pai daquela menina aparentemente tão indefesa, mas que segurou a barra da família inteira.
Na quinta, hoje, outro pai. Com aviso prévio de 2 meses, quando a própria filha, uma das minhas melhores amigas, diagnosticou nele um câncer de pâncreas. Simplesmente o chão se abriu e fomos todos engolidos.
Me mantive distante. Não sabia o que fazer. Já não nos víamos há algum tempo e não a encontrei nesses dois meses. Fui visitar o pai uma vez na enfermaria. Mas ela não ficou sabendo.
Hoje, então, vamos nos encontrar de novo. Nós 5 e mais alguns, sortudos, que ainda não precisaram passar por isso. Entre eles, alguns não tão sortudos assim, que mantém-se em stand by, sabendo que o momento está muito próximo, tentando evitar como podem...
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