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sábado, 15 de novembro de 2003
quinta-feira, 13 de novembro de 2003
Professora louca + alunos curiosos de primeiro ano = tragédia
Numa aula prática de fisiologia digestiva, a professora louca resolve disponibilizar ratos para que os alunos (de primeiro ano, que em sua maioria nunca sequer viram um) façam experimentos. A idéia é estudar a motilidade do aparelho gastro intestinal do rato vivo. Para isso, prendem-se suas patas com alfinete num isopor depois de te-lo anestesiado (ou tentado fazer isso).
Alunos perdidos deparam-se com todo material em sua frente mais o rato, recebem as instruções básicas e saem fazendo do jeito que acham mais correto.
Ratos mal anestesiado pelos perdidos e ignorantes alunos sofrem com o alfinete entrando em suas patas. Outros, excessivamente anestesiados, morrem.
Erro do aluno = rato morto. "Xiiii, morreu, que pena. Vamos pegar outro." Erro da professora = sangue de rato jorrando para tudo que é lado = outro rato morto.
Balanço final = vários ratos assassinado, sem propósito + professora satisfeita por ter dado uma aula "legal" + alunos com sua curiosidade inicial sanada - alguns satisfeitos por terem estudado a anatomia dos pequenos animais, outros chateados por terem matado tantos inocentes (chateados mas mataram - "os ratos iam ser discartados mesmo... não serviam mais para experimentos"). Aprendizado? "Pois é... não deu pra estudar motilidade muito bem... não deu muito certo... deu pra ver algumas coisas."
Talvez seja totalmente errado da minha parte estar escrevendo esse texto. Talvez eu não tenha esse direito pois eu não presenciei (eu passaria mal, eu não conseguiria, não me admito compactuar com esse tipo de coisa), apenas me contaram. Para os 180 alunos foram dadas 4 aulas como essa. Eu faria no último grupo mas fiquei sabendo do que se tratava pelos 3 grupos anteriores, vi meninas chorando saindo do laboratório depois de presenciar as atrocidades que a louca da professora fez. Tenho princípios, tenho sentimentos, tenho o mínimo de bom senso para não ser cúmplice dessa chacina.
Aí vem alguém e fala "Quantos animais são mortos para que sejam desenvolvidos medicamentos? Além do que são só ratos... são animais!"
Primeiro, estar fazendo uma pesquisa, estar desenvolvendo um medicamento com utilização de técnicas especializadas (para causar o mínimo de sofrimento no animal) e com um objetivo bem definido é bem diferente de matar por simples curiosidade, no caso dos alunos, ou por insanidade mental, no caso da professora.
Segundo, não é porque os pesquisadores matam ratos mundo afora que a gente vai ter que fazer isso também. Será que não existem outros meios de se produzir conhecimento? Será que outras técnicas não podem ser desenvolvidas?
Terceiro, "rato é um animal!", brilhante conclusão. Esquece-se que homem também é um animal. Esquece-se que vida é vida. Eu acredito que, da mesma forma que uma pessoa aceita matar um ou dois ratos para sanar sua curiosidade, ou só porque mandaram - já sabendo que não tem conhecimento suficiente para trabalhar em laboratório, que não vai aprender nada de essencial com aquilo, que a professora que está coordenando a atividade sofre de insanidade mental, como foi demonstrado em outras ocasiões -, quando essa pessoa for interno ou residente ou médico conceituado terá maior tendencia a aceitar a iatrogenia e praticá-la sem sequer pensar no mal que está causando.
Isso tudo, para mim, é falta de humanidade. Meus amigos que me perdoem mas acho que todos que aceitaram fazer isso, presenciar esse show de horror, já sabendo o que iria acontecer, precisam parar um pouco e refletir sobre o que vão ou não aceitar fazer durante a faculdade e, principalmente, durante a prática da Medicina. "Vamos fazer tudo que os professores e os chefes mandarem" é uma filosofia que precisa urgentíssimamente ser reavaliada.
Pode parecer um fato pequeno, coisa boba "Imagina... ela acha que só porque matei um rato, vou matar um paciente". Mas é assim que começa. Justamente por ter sido uma coisa pequena, uma simples aula, que nem sequer contava presença, poderia-se facilmente não fazer sem consequencias. Como é que será quando a recusa de uma atitude custar seu emprego ou seu prestígio no hospital. Voce vai preferir garantir um direito de um paciente contra seu chefe, ou deixá-lo sofrer um pouquinho ("sem matar, né?") mas garantindo sua vaga no saco do chefe e seu emprego intacto no bom hospital de renome?
Atente para o estado do sistema de saúde atual e para a maneira com que os médicos tratam os pacientes ultimamente, baixando a cabeça para cada determinação superior (às vezes vinda da indústria farmaceutica) e aceitando a exploração dos planos de saúde.
Numa aula prática de fisiologia digestiva, a professora louca resolve disponibilizar ratos para que os alunos (de primeiro ano, que em sua maioria nunca sequer viram um) façam experimentos. A idéia é estudar a motilidade do aparelho gastro intestinal do rato vivo. Para isso, prendem-se suas patas com alfinete num isopor depois de te-lo anestesiado (ou tentado fazer isso).
Alunos perdidos deparam-se com todo material em sua frente mais o rato, recebem as instruções básicas e saem fazendo do jeito que acham mais correto.
Ratos mal anestesiado pelos perdidos e ignorantes alunos sofrem com o alfinete entrando em suas patas. Outros, excessivamente anestesiados, morrem.
Erro do aluno = rato morto. "Xiiii, morreu, que pena. Vamos pegar outro." Erro da professora = sangue de rato jorrando para tudo que é lado = outro rato morto.
Balanço final = vários ratos assassinado, sem propósito + professora satisfeita por ter dado uma aula "legal" + alunos com sua curiosidade inicial sanada - alguns satisfeitos por terem estudado a anatomia dos pequenos animais, outros chateados por terem matado tantos inocentes (chateados mas mataram - "os ratos iam ser discartados mesmo... não serviam mais para experimentos"). Aprendizado? "Pois é... não deu pra estudar motilidade muito bem... não deu muito certo... deu pra ver algumas coisas."
Talvez seja totalmente errado da minha parte estar escrevendo esse texto. Talvez eu não tenha esse direito pois eu não presenciei (eu passaria mal, eu não conseguiria, não me admito compactuar com esse tipo de coisa), apenas me contaram. Para os 180 alunos foram dadas 4 aulas como essa. Eu faria no último grupo mas fiquei sabendo do que se tratava pelos 3 grupos anteriores, vi meninas chorando saindo do laboratório depois de presenciar as atrocidades que a louca da professora fez. Tenho princípios, tenho sentimentos, tenho o mínimo de bom senso para não ser cúmplice dessa chacina.
Aí vem alguém e fala "Quantos animais são mortos para que sejam desenvolvidos medicamentos? Além do que são só ratos... são animais!"
Primeiro, estar fazendo uma pesquisa, estar desenvolvendo um medicamento com utilização de técnicas especializadas (para causar o mínimo de sofrimento no animal) e com um objetivo bem definido é bem diferente de matar por simples curiosidade, no caso dos alunos, ou por insanidade mental, no caso da professora.
Segundo, não é porque os pesquisadores matam ratos mundo afora que a gente vai ter que fazer isso também. Será que não existem outros meios de se produzir conhecimento? Será que outras técnicas não podem ser desenvolvidas?
Terceiro, "rato é um animal!", brilhante conclusão. Esquece-se que homem também é um animal. Esquece-se que vida é vida. Eu acredito que, da mesma forma que uma pessoa aceita matar um ou dois ratos para sanar sua curiosidade, ou só porque mandaram - já sabendo que não tem conhecimento suficiente para trabalhar em laboratório, que não vai aprender nada de essencial com aquilo, que a professora que está coordenando a atividade sofre de insanidade mental, como foi demonstrado em outras ocasiões -, quando essa pessoa for interno ou residente ou médico conceituado terá maior tendencia a aceitar a iatrogenia e praticá-la sem sequer pensar no mal que está causando.
Isso tudo, para mim, é falta de humanidade. Meus amigos que me perdoem mas acho que todos que aceitaram fazer isso, presenciar esse show de horror, já sabendo o que iria acontecer, precisam parar um pouco e refletir sobre o que vão ou não aceitar fazer durante a faculdade e, principalmente, durante a prática da Medicina. "Vamos fazer tudo que os professores e os chefes mandarem" é uma filosofia que precisa urgentíssimamente ser reavaliada.
Pode parecer um fato pequeno, coisa boba "Imagina... ela acha que só porque matei um rato, vou matar um paciente". Mas é assim que começa. Justamente por ter sido uma coisa pequena, uma simples aula, que nem sequer contava presença, poderia-se facilmente não fazer sem consequencias. Como é que será quando a recusa de uma atitude custar seu emprego ou seu prestígio no hospital. Voce vai preferir garantir um direito de um paciente contra seu chefe, ou deixá-lo sofrer um pouquinho ("sem matar, né?") mas garantindo sua vaga no saco do chefe e seu emprego intacto no bom hospital de renome?
Atente para o estado do sistema de saúde atual e para a maneira com que os médicos tratam os pacientes ultimamente, baixando a cabeça para cada determinação superior (às vezes vinda da indústria farmaceutica) e aceitando a exploração dos planos de saúde.
terça-feira, 11 de novembro de 2003
Fugi da aula de novo...
Fugi, andei um bocado (da anato até o ICB), para dar com a cara na porta da profa. Sonia - que não estava mais uma vez.
Não sei por que mas não consigo mais ficar nas aulas, não consigo entender nada do que dizem.
Na antepenúltima aula que tentei assistir (Neurofisio quinta), tive que sair no meio porque comecei a passar muito mal - fiquei com tontura, uma certa diplopia (será que é esse o nome? - de acordo com o diagnóstico do doutor Jiraya), um enjôo estranho - saí e fiquei deitada no sofá, depois fui passear.
Na penúltima (fisiocardio - sexta de manhã), dormi. Apaguei completamente no meio da palestra do doutor cardiologista (que eu nem sei o nome) - que falta de respeito, que vergonha.
Na última, essa de agora, eu estava lá, anotando, me esforçando para entender, mas tudo foi em vão. Deitei a cabeça, comecei a me sentir sufocada, estava com frio (era no barracão, estava o maior calor). Sai no meio da explicação das hérnias na região inguinal, com seus milhares de ligamentos (pelo menos eu sabia do que estavam falando - hehe).
Não sei o que acontece, eu simplesmente não consigo mais ficar sentada naquela cadeira ouvindo esse monte de coisas que não tem a menor lógica dentro da minha mente confusa.
Preciso nascer de novo.
Não. O que preciso é voltar para lá, agora, porque tenho toda uma arcada intestinal para dissecar e meus dois companheiros estão fazendo isso sozinhos há uma semana (eles vão me matar!).
Fugi, andei um bocado (da anato até o ICB), para dar com a cara na porta da profa. Sonia - que não estava mais uma vez.
Não sei por que mas não consigo mais ficar nas aulas, não consigo entender nada do que dizem.
Na antepenúltima aula que tentei assistir (Neurofisio quinta), tive que sair no meio porque comecei a passar muito mal - fiquei com tontura, uma certa diplopia (será que é esse o nome? - de acordo com o diagnóstico do doutor Jiraya), um enjôo estranho - saí e fiquei deitada no sofá, depois fui passear.
Na penúltima (fisiocardio - sexta de manhã), dormi. Apaguei completamente no meio da palestra do doutor cardiologista (que eu nem sei o nome) - que falta de respeito, que vergonha.
Na última, essa de agora, eu estava lá, anotando, me esforçando para entender, mas tudo foi em vão. Deitei a cabeça, comecei a me sentir sufocada, estava com frio (era no barracão, estava o maior calor). Sai no meio da explicação das hérnias na região inguinal, com seus milhares de ligamentos (pelo menos eu sabia do que estavam falando - hehe).
Não sei o que acontece, eu simplesmente não consigo mais ficar sentada naquela cadeira ouvindo esse monte de coisas que não tem a menor lógica dentro da minha mente confusa.
Preciso nascer de novo.
Não. O que preciso é voltar para lá, agora, porque tenho toda uma arcada intestinal para dissecar e meus dois companheiros estão fazendo isso sozinhos há uma semana (eles vão me matar!).
segunda-feira, 10 de novembro de 2003
Depois de uma madrugada de febre e terrível mal estar, estou eu aqui, tentando me manter de pé para continuar a luta.
Uma pergunta para os médicos e estudantes: Estresse dá febre??
Queria muito saber isso porque estou preocupada. A médica que consultei disse que estresse só dá febre em crianças mas que em adulto não é nada comum (será que sou adulto?). Ela falou que é provável que eu esteja com alguma virose que vai se manifestar em breve ou que algo me pegou mas já está indo embora.
Eu realmente espero que não seja nada que está chegando pois, se desgraça pouca é bobagem, a minha já deixou de ser há muito tempo e não tem espaço para mais...
Voltando à pesquisa sobre a febre e o estresse: um aluno do 3º acha que não, uma aluna do 4º tem cereza que sim (porque ela já teve), outros dois alunos do 2º não sabem dizer...
Queria tanto saber...
Uma pergunta para os médicos e estudantes: Estresse dá febre??
Queria muito saber isso porque estou preocupada. A médica que consultei disse que estresse só dá febre em crianças mas que em adulto não é nada comum (será que sou adulto?). Ela falou que é provável que eu esteja com alguma virose que vai se manifestar em breve ou que algo me pegou mas já está indo embora.
Eu realmente espero que não seja nada que está chegando pois, se desgraça pouca é bobagem, a minha já deixou de ser há muito tempo e não tem espaço para mais...
Voltando à pesquisa sobre a febre e o estresse: um aluno do 3º acha que não, uma aluna do 4º tem cereza que sim (porque ela já teve), outros dois alunos do 2º não sabem dizer...
Queria tanto saber...
domingo, 9 de novembro de 2003
Mais de uma semana sem publicar... Queria tanto voltar com um texto divertido e inteligente. Mas não dá.
Passei muito mal essa semana, surtei por completo, fiz muita besteira, me acabei de chorar...
Acho que todo acúmulo de estresse, frustração, chateação, tristeza desse semestre complicado, explodiu por uma faísca: minha mãe passou mal novamente e foi internada.
Não consigo mais cuidar dela, não consigo mais cuidar de mim. Cheguei a um triste ponto deplorável.
A sorte é que tenho uma riqueza que alivia bastante todo peso que estou carregando: os meus amigos. Tenho amigos muito bons e muito especiais, que estão do meu lado, que estão me apoiando.
Acho que agora entrei numa fase dificílima, complicadíssima - o pesadelo só está começando. Além de todo meu estresse acumulado, todo meu cansaço, todas as atividades de fim de semestre da faculdade (provas, trabalhos, seminários), ainda vou ter que acompanhar minha mãe num processo de avaliação para transplante cardíaco. Ela está internada, o caso é muito grave e, provavelmente, ela não sairá mais do hospital.
É... a situação é realmente séria e não sei como vou enfrentar tudo isso...
Preciso ainda mais de ajuda.
Passei muito mal essa semana, surtei por completo, fiz muita besteira, me acabei de chorar...
Acho que todo acúmulo de estresse, frustração, chateação, tristeza desse semestre complicado, explodiu por uma faísca: minha mãe passou mal novamente e foi internada.
Não consigo mais cuidar dela, não consigo mais cuidar de mim. Cheguei a um triste ponto deplorável.
A sorte é que tenho uma riqueza que alivia bastante todo peso que estou carregando: os meus amigos. Tenho amigos muito bons e muito especiais, que estão do meu lado, que estão me apoiando.
Acho que agora entrei numa fase dificílima, complicadíssima - o pesadelo só está começando. Além de todo meu estresse acumulado, todo meu cansaço, todas as atividades de fim de semestre da faculdade (provas, trabalhos, seminários), ainda vou ter que acompanhar minha mãe num processo de avaliação para transplante cardíaco. Ela está internada, o caso é muito grave e, provavelmente, ela não sairá mais do hospital.
É... a situação é realmente séria e não sei como vou enfrentar tudo isso...
Preciso ainda mais de ajuda.
(Post escrito na madrugada de terça para quarta – não publicado porque o disquete ficou esquecido nas profundezas do armário revirado)
1:00 da madrugada.
O que a Paloma está fazendo há essa hora acordada??? Depois de um dia cansativo como esse, às vésperas de um dia cheio e dois dias antes da prova de Anato Circulatório, ela consegue ficar assim parada na frente do computador? Como??? (Atente para o fato que ela não assistiu NENHUMA aula de Anato Circulatório, ainda não tocou no livro e só pegou num coração uma vez por poucos segundos)
Ela está cansada sim. Mas está mais cansada da situação do que fisicamente.
Por que ela não vai dormir?
- porque ela sabe que no dia seguinte terá que acordar, levantar da cama e...
- porque ela não consegue, com todas essas coisas na cabeça, com aquela imagem ruim e todos os seus pensamentos pessimistas
- porque ela está com cabelo molhado e sua mãe sempre disse para não dormir com o cabelo molhado.
Por que não tomou banho antes?
- porque ela chegou tarde, ficou no telefone tentando pedir ajuda (oh, Deus, um milagre aconteceu... ou será que é sinal de um estado de desespero nunca visto antes?), depois ficou olhando para o teto, confusa, tentando “sentir” mais e não pensar tanto...
Tá. Mas será que ela nunca ouviu falar de secador de cabelo?
- ela não consegue segurar o secador de cabelo, na altura de sua cabeça, pelo tempo mínimo necessário. (Está sem comer desde às 13h)
O que está havendo dessa vez??
- dessa vez? Parece que não é “dessa vez” mas sim “ainda daquela vez”, que se arrasta, aparentemente pela eternidade.
Fingir que se está bem, esconder e não pedir ajuda acaba resultando na famosa bola de neve, que, já grande, despenca da montanha por ação de um simples pena de urubu.
O que fazer?
Fazer o que se sabe certo mas que se tem medo. “É preciso muita coragem para passar por uma situação dessas, para se admitir fraco, para pedir auxilio nas atividades... É preciso muita coragem nesse momento.”
1:00 da madrugada.
O que a Paloma está fazendo há essa hora acordada??? Depois de um dia cansativo como esse, às vésperas de um dia cheio e dois dias antes da prova de Anato Circulatório, ela consegue ficar assim parada na frente do computador? Como??? (Atente para o fato que ela não assistiu NENHUMA aula de Anato Circulatório, ainda não tocou no livro e só pegou num coração uma vez por poucos segundos)
Ela está cansada sim. Mas está mais cansada da situação do que fisicamente.
Por que ela não vai dormir?
- porque ela sabe que no dia seguinte terá que acordar, levantar da cama e...
- porque ela não consegue, com todas essas coisas na cabeça, com aquela imagem ruim e todos os seus pensamentos pessimistas
- porque ela está com cabelo molhado e sua mãe sempre disse para não dormir com o cabelo molhado.
Por que não tomou banho antes?
- porque ela chegou tarde, ficou no telefone tentando pedir ajuda (oh, Deus, um milagre aconteceu... ou será que é sinal de um estado de desespero nunca visto antes?), depois ficou olhando para o teto, confusa, tentando “sentir” mais e não pensar tanto...
Tá. Mas será que ela nunca ouviu falar de secador de cabelo?
- ela não consegue segurar o secador de cabelo, na altura de sua cabeça, pelo tempo mínimo necessário. (Está sem comer desde às 13h)
O que está havendo dessa vez??
- dessa vez? Parece que não é “dessa vez” mas sim “ainda daquela vez”, que se arrasta, aparentemente pela eternidade.
Fingir que se está bem, esconder e não pedir ajuda acaba resultando na famosa bola de neve, que, já grande, despenca da montanha por ação de um simples pena de urubu.
O que fazer?
Fazer o que se sabe certo mas que se tem medo. “É preciso muita coragem para passar por uma situação dessas, para se admitir fraco, para pedir auxilio nas atividades... É preciso muita coragem nesse momento.”
sexta-feira, 31 de outubro de 2003
Estou mais felizinha...
Palavras mialgrosas: "vamos tentar?" (antes que alguém pense qualquer coisa, eu não estou falando de um caso amoroso).
Eu não tinha notado o quanto essa história estava afetando o meu humor. Depois que consegui falar e entender melhor o que está acontecendo, me senti tão melhor, tão mais feliz, mesmo tendo tantas outras coisas para resolver. Acho que era esse meu maior nó.
Não sei se vai dar certo, não sei como vai ficar, mas só o fato de saber que não sou só eu que quero e de poder falar a respeito, já é um grande avanço.
Juro que vou tentar ao máximo ser uma boa amiga.
(Xiiii, falando de expectativas novamente. Isso não é um bom sinal, né? Preciso reler o e-mail do "mestre das expectativas")
Palavras mialgrosas: "vamos tentar?" (antes que alguém pense qualquer coisa, eu não estou falando de um caso amoroso).
Eu não tinha notado o quanto essa história estava afetando o meu humor. Depois que consegui falar e entender melhor o que está acontecendo, me senti tão melhor, tão mais feliz, mesmo tendo tantas outras coisas para resolver. Acho que era esse meu maior nó.
Não sei se vai dar certo, não sei como vai ficar, mas só o fato de saber que não sou só eu que quero e de poder falar a respeito, já é um grande avanço.
Juro que vou tentar ao máximo ser uma boa amiga.
(Xiiii, falando de expectativas novamente. Isso não é um bom sinal, né? Preciso reler o e-mail do "mestre das expectativas")
Recebi de uma amiga:
"Mulheres são como maçãs em árvores. As melhores estão no topo da árvore.
Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair e se machucar.
Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir.
Assim as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, ELES estão errados...
Elas têm que esperar um pouco para o homem certo chegar, aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore."
"Mulheres são como maçãs em árvores. As melhores estão no topo da árvore.
Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair e se machucar.
Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir.
Assim as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, ELES estão errados...
Elas têm que esperar um pouco para o homem certo chegar, aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore."
Uma explicação:
CÓSMICA - Fazer o quê?
Estava conversando com um amigo sobre uns problemas e ele falou:
- Sabe o que eu acho? Que isso aconteceu porque você é diferente. Você é Cósmica.
- Cósmica??? Como assim.
- Ah... sei lá. Você parece que vive em vários mundos ao mesmo tempo.
Pois é... os adjetivos para definir minha personalidade se acumulam: Triste, Complexa, Cósmica...
(Depois reli o post e tive que pesquisar:
cós.mi.co adj (gr kosmikós)
1 Pertencente ou relativo ao universo, ao cosmo. 2 Astr Diz-se do nascimento e do ocaso de um astro simultaneamente com o do Sol. 3 Diz-se da matéria espalhada no cosmo e de que se formam os astros.)
CÓSMICA - Fazer o quê?
Estava conversando com um amigo sobre uns problemas e ele falou:
- Sabe o que eu acho? Que isso aconteceu porque você é diferente. Você é Cósmica.
- Cósmica??? Como assim.
- Ah... sei lá. Você parece que vive em vários mundos ao mesmo tempo.
Pois é... os adjetivos para definir minha personalidade se acumulam: Triste, Complexa, Cósmica...
(Depois reli o post e tive que pesquisar:
cós.mi.co adj (gr kosmikós)
1 Pertencente ou relativo ao universo, ao cosmo. 2 Astr Diz-se do nascimento e do ocaso de um astro simultaneamente com o do Sol. 3 Diz-se da matéria espalhada no cosmo e de que se formam os astros.)
quinta-feira, 30 de outubro de 2003
Leiam.
Prometo que depois explico e conto os bastidores.
(Lógico que eu estava lá! hehe)
"29/10/2003 - 12h20
Estudantes protestam contra corte de bolsas para residentes
Publicidade
da Folha Online
Estudantes de medicina realizam uma manifestação na avenida Paulista em protesto contra o corte de cem bolsas para residentes nos últimos dois anos. Por meio de uma carta aberta à população, os estudantes alegam que a Secretaria de Saúde fez uma redistribuição de 107 bolsas em áreas prioritárias, mas não discutiu o corte de vagas ou as áreas prioritárias com o Conselho Estadual de Saúde.
Ainda de acordo com a carta, em relação a 2002, no próximo ano haverá 100 médicos a menos dando residência (o médico residente não recebe salário, mas uma bolsa para seu sustento pessoal) no atendimento à população.
Em função desse quadro, os estudantes de Medicina do Estado de São Paulo, através da Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina Regional Sul 2 (SP/PR), promovem nesta quarta, 29, uma paralisação de suas atividades acadêmicas. De acordo com o protesto, os estudantes não aceitam que se retirem recursos do setor de saúde e da da formação de profissionais para o Sistema Único de Saúde.
29/10/2003 - 12h12
Manifestação provoca lentidão na Paulista (SP), no sentido Consolação
Publicidade
da Folha Online
Uma manifestação interdita a faixa da direita da avenida Paulista, sentido Consolação, em São Paulo, na altura do Masp. O protesto é realizado por estudantes de medicina.
Segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), os manifestantes ocupam apenas a faixa exclusiva de ônibus. O trânsito é ruim da Praça Oswaldo Cruz até a rua Plínio Figueiredo. Não há confirmação sobre o número de manifestantes."
Prometo que depois explico e conto os bastidores.
(Lógico que eu estava lá! hehe)
"29/10/2003 - 12h20
Estudantes protestam contra corte de bolsas para residentes
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da Folha Online
Estudantes de medicina realizam uma manifestação na avenida Paulista em protesto contra o corte de cem bolsas para residentes nos últimos dois anos. Por meio de uma carta aberta à população, os estudantes alegam que a Secretaria de Saúde fez uma redistribuição de 107 bolsas em áreas prioritárias, mas não discutiu o corte de vagas ou as áreas prioritárias com o Conselho Estadual de Saúde.
Ainda de acordo com a carta, em relação a 2002, no próximo ano haverá 100 médicos a menos dando residência (o médico residente não recebe salário, mas uma bolsa para seu sustento pessoal) no atendimento à população.
Em função desse quadro, os estudantes de Medicina do Estado de São Paulo, através da Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina Regional Sul 2 (SP/PR), promovem nesta quarta, 29, uma paralisação de suas atividades acadêmicas. De acordo com o protesto, os estudantes não aceitam que se retirem recursos do setor de saúde e da da formação de profissionais para o Sistema Único de Saúde.
29/10/2003 - 12h12
Manifestação provoca lentidão na Paulista (SP), no sentido Consolação
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da Folha Online
Uma manifestação interdita a faixa da direita da avenida Paulista, sentido Consolação, em São Paulo, na altura do Masp. O protesto é realizado por estudantes de medicina.
Segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), os manifestantes ocupam apenas a faixa exclusiva de ônibus. O trânsito é ruim da Praça Oswaldo Cruz até a rua Plínio Figueiredo. Não há confirmação sobre o número de manifestantes."
quarta-feira, 29 de outubro de 2003
(Post totalmente viajante, de uma garota totalmente carente, dentro de seu mar de melancolia – que nunca acaba. Era para ser um texto curto, dissertativo – acabou virando um texto longo, chato, uma historinha triste – que já foi contada meio fragmentada por aí)
Qual o significado de pedir ajuda?
Estive pensando muito nisso nesses últimos dias. Eu queria entender por que é tão difícil para as pessoas, especialmente para mim, admitir que se está precisando de outro alguém.
Existe aquela ajuda óbvia que é você precisar de uma grana emprestada ou precisar que alguém vá em um lugar fazer tal coisa para você. Essa, na maioria das vezes, é uma ajuda fácil de pedir e fácil de conseguir também.
Quando você pede dinheiro emprestado é porque você errou nos seus cálculos ou aconteceu um imprevisto no meio do caminho e agora você precisa de alguém que te tire da “roubada”. É algo mais evidente, as pessoas percebem que você está numa situação difícil. E o que você precisa é algo concreto e pontual: conseguido o dinheiro esse seu problema está resolvido.
Há um outro tipo de ajuda, mais difícil de ser reconhecido, mais difícil de ser pedido e, obviamente, mais difícil de ser conseguido. É quando você está chateado, ou triste, ou deprimido por algum motivo – real ou não.
Você tem que continuar exercendo suas atividades normalmente e não pode chorar cada vez que fala com uma pessoa, ou ficar se lamentando o tempo todo. Você simplesmente encontra um “meio termo” e vai tocando suas coisas, sorri de vez em quando, tenta agir o mais normal possível, mesmo que, por dentro, você esteja em cacos.
A grande maioria das pessoas nem sequer percebe que você está diferente. Dos poucos que percebem, alguns fingem que não viram, outros perguntam se está tudo bem por desencargo de consciência mas deixando claro nas entrelinhas: “não comece a contar seus problemas, muito menos chorar, pelo amor de Deus”; outros ainda, até se preocupam mas já têm problemas demais com suas vidas. 1 ou 2 que restaram realmente se preocupam, ficam do seu lado e tentam te ajudar, mesmo sem saber como.
Você, sabendo que está frágil, que está precisando de alguém que te dê atenção exclusiva naquele momento; sabendo que todo mundo tem problemas (alguns mais, outros menos, mas todos os têm), que sua necessidade é algo totalmente abstrata, que não dá para alguém te fornecer pontualmente, como acontece quando você está precisando de grana... Como você vai olhar para alguém e dizer “preciso de ajuda”? Mesmo que seja para uma daquelas pessoas que restaram do seu lado, que realmente se preocupam, que realmente querem te ajudar...
A pessoa vai ouvir a sua solicitação de ajuda e vai dizer: “do que você precisa?” e você responde “não sei exatamente”. Ou pior, você responde “preciso que você sente comigo durante um tempão, me oferecendo atenção exclusiva, que falemos dos meus problemas e você me dê conselhos (nem precisam ser bons), que no final você me abrace muito forte e diga que a qualquer momento que eu precisar eu posso te procurar, posso te ligar que você vai estar disponível para mim. Preciso que você me leve para algum lugar diferente (nem precisa ser longe, apenas diferente), que me faça rir um pouco, que me faça sentir segura por pelo menos alguns minutos...”
O que você diria se ouvisse algo assim?
Eu tremeria nas bases... não saberia o que fazer. Creio que assim aconteceria com todo mundo.
Então, o que fazer quando se precisa desse tipo de ajuda tão abstrata e tão exigente?
Você diz “preciso de ajuda. Senta aqui um pouco e conversa comigo”? Aí, a pessoa vai sentar um pouco, vai falar um pouco, vai até te fazer sentir melhor. Mas logo que ela levantar e for embora, sem o tal abraço, sem a segurança de poder encontrá-la novamente depois, você vai se sentir mal, vai se sentir sozinho como antes, vai chorar mais por achar que ninguém nunca vai poder te ajudar.
Percebendo que o que você está querendo, que o que você está precisando é algo grande demais, que ninguém vai poder te dar, você resolve passar por cima de seus sentimentos e tenta tocar sua vida. Vai fazendo as coisas sem pensar, vai respondendo “estou bem” para cada pergunta de “como você está?”, vai tentando se divertir com as situações que aparecem, com as pessoas que estão ao seu redor. Mas, todos os dias, quando você chega na sua casa, você sente estar carregando um peso enorme, sente-se cansado, totalmente sem energia – claro, ela toda foi gasta fingindo-se bem. Até que um dia você não suporta mais...
Como termina a história? Não sei.
Provavelmente termina quando a pessoa resolve admitir-se doente e começa a tomar algumas daquelas bolinhas brancas que algum doutor lhe dá...
Necessitar de ajuda é sinônimo de estar fraco? Acho que sim. Admitir-se fraco é difícil e por isso é tão difícil pedir ajuda, principalmente, quando se sabe que ninguém vai poder te ajudar da maneira que você precisa.
Qual o significado de pedir ajuda?
Estive pensando muito nisso nesses últimos dias. Eu queria entender por que é tão difícil para as pessoas, especialmente para mim, admitir que se está precisando de outro alguém.
Existe aquela ajuda óbvia que é você precisar de uma grana emprestada ou precisar que alguém vá em um lugar fazer tal coisa para você. Essa, na maioria das vezes, é uma ajuda fácil de pedir e fácil de conseguir também.
Quando você pede dinheiro emprestado é porque você errou nos seus cálculos ou aconteceu um imprevisto no meio do caminho e agora você precisa de alguém que te tire da “roubada”. É algo mais evidente, as pessoas percebem que você está numa situação difícil. E o que você precisa é algo concreto e pontual: conseguido o dinheiro esse seu problema está resolvido.
Há um outro tipo de ajuda, mais difícil de ser reconhecido, mais difícil de ser pedido e, obviamente, mais difícil de ser conseguido. É quando você está chateado, ou triste, ou deprimido por algum motivo – real ou não.
Você tem que continuar exercendo suas atividades normalmente e não pode chorar cada vez que fala com uma pessoa, ou ficar se lamentando o tempo todo. Você simplesmente encontra um “meio termo” e vai tocando suas coisas, sorri de vez em quando, tenta agir o mais normal possível, mesmo que, por dentro, você esteja em cacos.
A grande maioria das pessoas nem sequer percebe que você está diferente. Dos poucos que percebem, alguns fingem que não viram, outros perguntam se está tudo bem por desencargo de consciência mas deixando claro nas entrelinhas: “não comece a contar seus problemas, muito menos chorar, pelo amor de Deus”; outros ainda, até se preocupam mas já têm problemas demais com suas vidas. 1 ou 2 que restaram realmente se preocupam, ficam do seu lado e tentam te ajudar, mesmo sem saber como.
Você, sabendo que está frágil, que está precisando de alguém que te dê atenção exclusiva naquele momento; sabendo que todo mundo tem problemas (alguns mais, outros menos, mas todos os têm), que sua necessidade é algo totalmente abstrata, que não dá para alguém te fornecer pontualmente, como acontece quando você está precisando de grana... Como você vai olhar para alguém e dizer “preciso de ajuda”? Mesmo que seja para uma daquelas pessoas que restaram do seu lado, que realmente se preocupam, que realmente querem te ajudar...
A pessoa vai ouvir a sua solicitação de ajuda e vai dizer: “do que você precisa?” e você responde “não sei exatamente”. Ou pior, você responde “preciso que você sente comigo durante um tempão, me oferecendo atenção exclusiva, que falemos dos meus problemas e você me dê conselhos (nem precisam ser bons), que no final você me abrace muito forte e diga que a qualquer momento que eu precisar eu posso te procurar, posso te ligar que você vai estar disponível para mim. Preciso que você me leve para algum lugar diferente (nem precisa ser longe, apenas diferente), que me faça rir um pouco, que me faça sentir segura por pelo menos alguns minutos...”
O que você diria se ouvisse algo assim?
Eu tremeria nas bases... não saberia o que fazer. Creio que assim aconteceria com todo mundo.
Então, o que fazer quando se precisa desse tipo de ajuda tão abstrata e tão exigente?
Você diz “preciso de ajuda. Senta aqui um pouco e conversa comigo”? Aí, a pessoa vai sentar um pouco, vai falar um pouco, vai até te fazer sentir melhor. Mas logo que ela levantar e for embora, sem o tal abraço, sem a segurança de poder encontrá-la novamente depois, você vai se sentir mal, vai se sentir sozinho como antes, vai chorar mais por achar que ninguém nunca vai poder te ajudar.
Percebendo que o que você está querendo, que o que você está precisando é algo grande demais, que ninguém vai poder te dar, você resolve passar por cima de seus sentimentos e tenta tocar sua vida. Vai fazendo as coisas sem pensar, vai respondendo “estou bem” para cada pergunta de “como você está?”, vai tentando se divertir com as situações que aparecem, com as pessoas que estão ao seu redor. Mas, todos os dias, quando você chega na sua casa, você sente estar carregando um peso enorme, sente-se cansado, totalmente sem energia – claro, ela toda foi gasta fingindo-se bem. Até que um dia você não suporta mais...
Como termina a história? Não sei.
Provavelmente termina quando a pessoa resolve admitir-se doente e começa a tomar algumas daquelas bolinhas brancas que algum doutor lhe dá...
Necessitar de ajuda é sinônimo de estar fraco? Acho que sim. Admitir-se fraco é difícil e por isso é tão difícil pedir ajuda, principalmente, quando se sabe que ninguém vai poder te ajudar da maneira que você precisa.
(Antes de começar esse, leia o post publicado antes)
O post anterior, eu escrevi na terça-feira, durante a tarde, no computador da minha casa (que não tem internet). Depois, comecei a arrumar umas fitas, catalogar umas gravações.
Numa dessas gravações, com a Sandy e o Junior (eu tenho milhares), havia alguns depoimentos da família e de amigos deles. Assisti a tudo e, no fim, identifiquei algo muito real.
Cada “personagem” de nossas vidas estava bem representado ali, com todas as suas características comuns: os avós saudosos e preocupados, contando histórias; os tios próximos ou distantes mas sempre se fazendo ouvir; os amigos carinhosos e companheiros; o pai ciumento, “cuidador”; e a mãe... como definir a mãe?
Depois de ouvir tudo aquilo (desconsiderando se é verdadeiro ou algo fabricado pela mídia, como acreditam alguns), me lembrei daquele post que eu tinha escrito poucos minutos antes. Imediatamente, percebi qual é o meu problema maior, qual é a minha necessidade máxima e porque ela é tão grande.
Meu problema é falta de pais, principalmente falta de mãe. Pelo lado bom, não tenho ninguém que controle meus passos que me permita ou me proíba de fazer algo, que chame minha atenção pelas besteiras ou que puxe minhas orelhas de vez em quando. Mas, pelo outro lado, não tenho ninguém que me dê colo, que me dê um beijo de boa noite, que me pergunte como está a faculdade, que me ajude a resolver os problemas e sair das enrascadas, ninguém que me ouça atenciosamente, como uma mãe faz... como minha mãe fazia quando estava bem.
Me diz se essa descrição, que escrevi no post anterior, não é a descrição de uma mãe:
“preciso que você sente comigo durante um tempão, me oferecendo atenção exclusiva, que falemos dos meus problemas e você me dê conselhos (nem precisam ser bons), que no final você me abrace muito forte e diga que a qualquer momento que eu precisar eu posso te procurar, posso te ligar que você vai estar disponível para mim”.
Não sei se é a descrição de todas as mãe, mas é muito próxima da descrição de como a minha mãe era. Principalmente a parte do falar dos meus problemas com atenção exclusiva e do estar disponível para mim a qualquer momento. Minha mãe nunca foi muito presente – ela passava o dia todo em shoppings ou na casa das amigas, mas, depois que me mudei para casa da minha vó, ela passou a se dedicar muito a mim. Sempre que eu telefonava, ela vinha correndo me acudir, me ajudar, no que quer que fosse. Ela sempre me ouvia e me dava broncas e eu sempre a ajudava a resolver seus problemas.
E agora, como é?
Agora, parece que eu é que sou mãe dela. Sou eu que sempre corro quando ela liga; eu que tenho que me fingir bem e me fingir forte para ela não se preocupar e saber que poderei ajudá-la; eu que a ouço e que dou broncas; eu que passo minha noites preocupada, na beira de sua cama (quando ela está no hospital), e passo meus feriados e fins de semana, lá, cuidando dela, levando-a para o médico.
Além de ter “perdido” minha mãe como MÃE, tive que me tornar uma mãe, de uma hora para outra.
São as coisas da vida e eu terei que aprender a conviver com elas, querendo ou não, sofrendo ou não.
Mas, para não perder o costume da exigência, ainda tenho esperanças que os meus amigos me ajudem a tampar esse enorme buraco e a segurar essa barra. Quem sabe um dia eu consiga deixar de ser triste (como dizem) e o final seja mais feliz...
O post anterior, eu escrevi na terça-feira, durante a tarde, no computador da minha casa (que não tem internet). Depois, comecei a arrumar umas fitas, catalogar umas gravações.
Numa dessas gravações, com a Sandy e o Junior (eu tenho milhares), havia alguns depoimentos da família e de amigos deles. Assisti a tudo e, no fim, identifiquei algo muito real.
Cada “personagem” de nossas vidas estava bem representado ali, com todas as suas características comuns: os avós saudosos e preocupados, contando histórias; os tios próximos ou distantes mas sempre se fazendo ouvir; os amigos carinhosos e companheiros; o pai ciumento, “cuidador”; e a mãe... como definir a mãe?
Depois de ouvir tudo aquilo (desconsiderando se é verdadeiro ou algo fabricado pela mídia, como acreditam alguns), me lembrei daquele post que eu tinha escrito poucos minutos antes. Imediatamente, percebi qual é o meu problema maior, qual é a minha necessidade máxima e porque ela é tão grande.
Meu problema é falta de pais, principalmente falta de mãe. Pelo lado bom, não tenho ninguém que controle meus passos que me permita ou me proíba de fazer algo, que chame minha atenção pelas besteiras ou que puxe minhas orelhas de vez em quando. Mas, pelo outro lado, não tenho ninguém que me dê colo, que me dê um beijo de boa noite, que me pergunte como está a faculdade, que me ajude a resolver os problemas e sair das enrascadas, ninguém que me ouça atenciosamente, como uma mãe faz... como minha mãe fazia quando estava bem.
Me diz se essa descrição, que escrevi no post anterior, não é a descrição de uma mãe:
“preciso que você sente comigo durante um tempão, me oferecendo atenção exclusiva, que falemos dos meus problemas e você me dê conselhos (nem precisam ser bons), que no final você me abrace muito forte e diga que a qualquer momento que eu precisar eu posso te procurar, posso te ligar que você vai estar disponível para mim”.
Não sei se é a descrição de todas as mãe, mas é muito próxima da descrição de como a minha mãe era. Principalmente a parte do falar dos meus problemas com atenção exclusiva e do estar disponível para mim a qualquer momento. Minha mãe nunca foi muito presente – ela passava o dia todo em shoppings ou na casa das amigas, mas, depois que me mudei para casa da minha vó, ela passou a se dedicar muito a mim. Sempre que eu telefonava, ela vinha correndo me acudir, me ajudar, no que quer que fosse. Ela sempre me ouvia e me dava broncas e eu sempre a ajudava a resolver seus problemas.
E agora, como é?
Agora, parece que eu é que sou mãe dela. Sou eu que sempre corro quando ela liga; eu que tenho que me fingir bem e me fingir forte para ela não se preocupar e saber que poderei ajudá-la; eu que a ouço e que dou broncas; eu que passo minha noites preocupada, na beira de sua cama (quando ela está no hospital), e passo meus feriados e fins de semana, lá, cuidando dela, levando-a para o médico.
Além de ter “perdido” minha mãe como MÃE, tive que me tornar uma mãe, de uma hora para outra.
São as coisas da vida e eu terei que aprender a conviver com elas, querendo ou não, sofrendo ou não.
Mas, para não perder o costume da exigência, ainda tenho esperanças que os meus amigos me ajudem a tampar esse enorme buraco e a segurar essa barra. Quem sabe um dia eu consiga deixar de ser triste (como dizem) e o final seja mais feliz...
Descanso???
Esqueci que não sou digna de algo tão precioso...
Adivinhem onde eu passei o feriado. Adivinhem... No hospital, é claro - só pra variar um pouco...
Minha mãe está passando mal novamente (o mesmo problema de há 2 meses atrás) e os médicos continuam falando a mesma coisa "pare de tomar o digitálico e espere, provavelmente amanhã a senhora já não estará sentindo mais nada; se não melhorar volta aqui que a gente reavalia". Se eu soubesse que era para ouvir isso (de novo), eu mesma teria dito e não precisaria passar o dia todo naquele lugar horroroso.
Além do que, esse "amanhã" está demorando para chegar, não?!
Esqueci que não sou digna de algo tão precioso...
Adivinhem onde eu passei o feriado. Adivinhem... No hospital, é claro - só pra variar um pouco...
Minha mãe está passando mal novamente (o mesmo problema de há 2 meses atrás) e os médicos continuam falando a mesma coisa "pare de tomar o digitálico e espere, provavelmente amanhã a senhora já não estará sentindo mais nada; se não melhorar volta aqui que a gente reavalia". Se eu soubesse que era para ouvir isso (de novo), eu mesma teria dito e não precisaria passar o dia todo naquele lugar horroroso.
Além do que, esse "amanhã" está demorando para chegar, não?!
sexta-feira, 24 de outubro de 2003
"Rir é arriscar-se a parecer bobo;
Chorar é arriscar-se a parecer sentimental;
Iniciar relações é arriscar-se a envolver-se;
Demonstrar sentimentos é arriscar-se a não ser aceito.
Revelar teus sonhos é arriscar-se a parecer ridículo;
Amar é arriscar-se a não ser amado;
Continuar avançando contra o pouco provável é arriscar-se a fracassar.
Porém, os riscos devem ser tomados porque o perigo
maior é não arriscar nada. Aquele que não arrisca, não faz nada, não tem nada, não é nada. Pode até evitar o sofrimento e a dor, mas não pode aprender, sentir, mudar, crescer nem amar. Amarrado a tudo que é segurança, ele é um escravo, renunciou à sua liberdade. Só uma pessoa que corre riscos é livre."
-- Ralph Emerson --
Chorar é arriscar-se a parecer sentimental;
Iniciar relações é arriscar-se a envolver-se;
Demonstrar sentimentos é arriscar-se a não ser aceito.
Revelar teus sonhos é arriscar-se a parecer ridículo;
Amar é arriscar-se a não ser amado;
Continuar avançando contra o pouco provável é arriscar-se a fracassar.
Porém, os riscos devem ser tomados porque o perigo
maior é não arriscar nada. Aquele que não arrisca, não faz nada, não tem nada, não é nada. Pode até evitar o sofrimento e a dor, mas não pode aprender, sentir, mudar, crescer nem amar. Amarrado a tudo que é segurança, ele é um escravo, renunciou à sua liberdade. Só uma pessoa que corre riscos é livre."
-- Ralph Emerson --
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