segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008


Private Practice - episódio 6, 1ª temporada



"I don't want fun... and a person should get what she wants."

Respostas simples para situações simples.
Passei o fim de semana inteiro "matutando", tentando descobrir o que EU quero, sentindo medo de perder uma amizade tão legal, medo de ser rejeitada, medo de estar abrindo mão de um caminho que me levaria a boas vivências. E a resposta era simples. "Eu não quero diversão. Eu quero compromisso. Se você quer se divertir, pega senha e entra na fila - você é igual a todos os outros e não é o que eu quero."

Desculpem, ignorem essa "viagem". Foi só um desabafo por algo que estava me tirando o sono. Mas que agora está muito claro. Apesar dessa decisão estar me deixando um pouco apreensiva, acho que é o melhor a fazer. É isso que meu coração manda.

Mudando de assunto, mas não totalmente, hoje estive pensando na fase em que estou passando agora. Sempre disseminei a frase "dê valor às pequenas felicidades do dia-a-dia", "carpe diem". Mas eu nunca tinha conseguido realmente dar o valor merecido a essas pequenas coisas, nunca tinha conseguido sentir-me realmente feliz assim. Até agora.
Ultimamente (de umas duas semanas pra cá), tenho me apegado a cada coisa... Fico rindo sozinha, me sentindo feliz por cada coisinha que, para os outros, não passam de bobeiras. Um sorriso, uma frase amiga, uma criança simpática, uma pegada na mão.
Hoje, por exemplo, fui a uma reunião na faculdade e saí de lá extremamente feliz. A reunião foi chata, não decidimos nada importante, fui zoada na frente de todos os professores por causa de uma besteira que fiz e outra que falei para tentar consertar (algo que antes me deixaria chateada por pelo menos 3 dias)... Mas no fim fui conversar com um professor que me tratou como amiga dele (até tirando sarro de mim por algo relacionado a meu ex namorado); depois veio uma professora, pegou na minha mão com tamanho carinho, me abraçou - um carinho simplesmente pelo carinho (ela só queria mesmo me dizer oi); e por fim, o chefe que veio conversar para marcarmos uma outra reunião - muito gentil, sorridente. Sentir que as pessoas me respeitam, gostam de mim, sentir o carinho dos professores... me fez tão impressionantemente feliz...

Ouvir de uma menina linda "você é tão bonita, sabia?", poder acalmar uma mãe desesperada, ouvir apenas um "e por que ainda não prescreveu?" de um médico chato que sempre me enche de perguntas depois de eu passar um caso e sugerir uma conduta (em geral ele vai de novo falar com o paciente, examina de novo, questiona várias coisas e depois deixa a gente fazer o que quer se ele achar pertinente, mas dessa vez ele deixou eu dar a conduta de cara, confiou na minha história e exame - ah, se eu tivesse um carimbo... hehehe)... essas coisa, têm mudado meu dia.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Bom novos ventos finalmente!

Estava chateada com meu início de internato. Poxa! Comecei na Pediatria, era para eu estar adorando, feliz da vida, mas... eu não estava gostando, estava chateada e fiquei de saco cheio já nos primeiros dias (no ambulatório, então... estava um desastre).
Até que tive que ficar de plantão sábado das 7h até domingo às 10h. Direto!
E AMEI!!! Foi muito legal poder "cuidar" dos pacientes, conhecê-los de verdade, ir lá quando estão passando mal, brincar com eles quando estão se sentindo bem... no dia-a-dia a gente só os vê pela manhã (cada aluno vê 2 ou 3 pacientes) durante 10 minutos e depois é só preenchimento de papel, discussão dos casos, teoria.
Na segunda-feira, tive um caso complicado no ambulatório, criança com pai usuário de drogas, diversas queixas. Intrigante. Interessante.
Na terça, foi o auge. Discuti um caso no ambulatório com uma médica que eu não conhecia (tinha acabado de voltar de férias) e foi realmente sensacional! Percebi que o que faltava para mim nas discussões era o tal do "feeling". Queria que me cobrassem atenção, cuidado, interesse (e não que me ensinassem fisiopatologia, como estavam fazendo). Para aprender sobre uma doença, posso abrir o livro e ler. Mas, para aprender como orientar o paciente de forma que ele entenda o quanto é importante a mudança de hábitos ruins, para aprender como perguntar, o que perguntar, como construir e trabalhar o CENÁRIO, só no atendimento, só discutindo e aprendendo com os mais velhos bons. E foi isso que, finalmente, aconteceu.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Sempre achei besteira as pessoas gastarem rios de dinheiro para fazer uma festa de casamento. Sempre achei que era melhor fazer uma cerimônia simples e guardar o dinheiro para uma viagem ou para comprar móveis/ eletrodomésticos para a nova casa. Mas hoje entendi porque da festança.

Fui a um casamento simples. Noivo + noiva + pais e irmãos de ambos + dois casais de testemunhas. Cartório, uma fila de casais que iam casar naquela manhã, entravam solteiros por uma portinha numa sala horrorosa e saiam casados 7 minutos depois.
"Meu grupo" entrou. Noiva de calça jeans sem barra (dobrada para fora, com uma blusinha verde; noivo de camisa de manga curta e uma calça esquisita). Não dava para ouvir absolutamente nada do que o juiz estava falando (por causa da bagunça que os outros casais e familiares da fila estavam fazendo lá fora). Os noivos colocaram as alianças, falaram algumas palavras e assinaram o papel. Foram 6 minutos e 12 segundos.
Mesmo dessa forma, a noiva chorou, os pais se orgulharam, os amigos parabenizaram. E os meus olhos encheram de lágrimas.
Era um momento extremamente importante. É uma ocasião extremamente especial. Se decidiram casar (algo totalmente desnecessário), então porque não fazer uma festa decente??? Não precisa ter 500 convidados num buffet, com bolo de 3 andares. Mas também não precisava ser uma cerimônia dessas, num lugar horrível, com posterior festinha "aniversário-like" (sim, a festinha depois tinha kibe, coxinha, croquete, brigadeiro, beijinho, cajuzinho e bolo floresta negra - faltou só a vela e o "parabéns pra você").

Fiquei triste de presenciar algo assim. E resolvi, apesar de todos os meus pensamentos contrários anteriores, que se um dia eu for me casar, vai ter festa. Festa simples, mas festa de verdade.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Passada a primeira semana de internato...
Estou viva, muuuuito cansada, insegura, me sentindo burra, mas feliz. Muito feliz!
Por incrível que pareça, adoro acordar cedo para trabalhar. Odiava acordar cedo para ir para aula, ficar com a bunda sentada na cadeira assistindo um professor falar blá, blá, blá durante 2, 3, 4 horas seguidas.
Mas é ótimo levantar da cama sabendo que tem trabalho me esperando, que vou chegar num lugar, fazer coisas, conversar com pessoas, fazer diferença no dia de poucos (mas fazer diferença) e ainda por cima aprender, sentindo realmente que a cada dia eu me torno uma médica melhor. E no fim das contas ainda chego em casa querendo estudar, ler várias coisas que tenho dúvidas.

Foi uma semana difícil. Fui escalada para atender no ambulatório exatamente no dia em que foram explicar o funcionamento da enfermaria e as nossas atividades/ obrigações. Daí, no dia seguinte, quando cheguei na enfermaria, não sabia nada, não encontrava nada do que precisava, todo mundo estava ocupado e não podia me explicar e fiquei lá rodando que nem barata tonta, "tocando serviço" sem saber o que estava fazendo.
Mas com o passar dos dias, consegui aprender e fazer tudo mais ou menos direito. E hoje descobri que tem gente mais perdida que eu... Enfim, estou sempre exigindo demais de mim, o que me faz ficar insegura e fazer mais besteiras do que normalmente faria e me faz perder oportunidades boas de conversar com mais calma com pessoas interessantes.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Internato = correria
Mas mereço uma pausa para um post, né?!

Ontem me agradeceram por algo que fiz há 4 anos atrás. Eu nem lembrava mais que um dia tinha feito algo parecido, até que aquele senhorzinho chegou e falou: "Não posso perder a oportunidade de te dizer que sou seu fã. Admiro muito o trabalho que vc fez em 2004, tudo que vc reuniu, tantas pessoas que vc ajudou."
Fiquei alguns minutos olhando para ele com aquela cara de paisagem tentando advinhar do que é que ele poderia estar falando... E lembrei. Lembrei que foi algo que hoje eu me envergonho de ter feito. Sabe aquelas coisas que a gente faz e depois de um tempo desacredita que pôde ser tão estúpida?
Mas fiquei feliz em ouvir isso, em saber que fiz diferença na vida daquele senhor e talvez de outras pessoas que eu nem saiba.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

FELIZ ANO NOVO!!!



Para ganhar um ANO NOVO que mereça este nome, você, meu caro, tem que merecê-lo.
Eu sei que não é fácil.
Mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o ANO NOVO cochila e espera desde sempre!
(Carlos Drummond de Andrade)
[Crônica de Stella Florence]

Eu abri, sim, a porta

Por favor, tenha calma comigo. É difícil explicar como tudo aconteceu, foi repentino e ao mesmo tempo, perdi essa noção de que... o senhor sabe.
           Minha primeira lembrança sobre isso tudo é que eu abri a porta quando ele tocou a campainha. Como poderia adivinhar? Abri, abri sim, abri mesmo. Com prazer, inclusive. Abri a porta e convidei-o a entrar sem o menor receio, afinal ele era meu conhecido, meu amor, ele era... Ele entrou porque eu abri a porta: isso é certo.
           Logo de início não percebi que havia algo de estranho naquele homem, porque talvez a estranheza estivesse em mim, talvez ela esteja agora, aqui, atrás daquela porta preparando o bote. Mais um...
           Os fatos? Ah, os fatos, claro.
          Sua primeira ação dentro da casa foi, ao me dar um beijo, derrubar o abajur da sala o chão, espatifando-o em mil pedaços. A louça colorida esmigalhada por todo carpete de madeira, graças a um gesto dele, ao contrário de me sobressaltar, me causou uma impressão tão linda... Pareciam, os pedacinhos de vidro, minirrefletores da luz azulada da TV brilhando para mim. Logo em seguida, enquanto ele me acariciava os cabelos dizendo o quanto me amava e sentia saudades, se encostou na mesa de vidro e pumba: lá se foi ela para o chão. Novo tilintar, novos pedaços translúcidos: minha sala ia ficando cada vez mais colorida, mais parecida conosco... Não dei importância, não a importância devida, afinal um abajur pode ser um acidente, mas uma mesa, ora, ora, não venha me dizer cheio de ironia que não percebi: é claro que notei, afinal era uma m-e-s-a, mas era ele, entende? Como eu poderia acreditar?
           Eu havia chegado do trabalho há alguns minutos e antes da campainha soar tivera tempo apenas de acender as luzes do apartamento, ligar a TV e destravar as janelas, então, depois de abrir a porta, fui tomar banho enquanto ele preparava algo para nós comermos.
           Lógico que ele conhecia bem minha casa, sabia onde encontrar tudo, desde café a toalhas, sabia até mesmo... ele não era um desconhecido, por Deus, o senhor ainda não entendeu isso?
           Quando saí do banho, vesti um roupão e, passando descalça pela sala, sofri os primeiros cortes no pé com os cacos da mesa mixados aos do abajur. Entretanto, eram tão lindos os cortes, porque eram produto de uma ação dele e... não havia importância. Os cortes. Nenhuma importância.
           Continuei caminhando em direção à cozinha e no corredor senti um forte cheiro de coisa queimada. Pela porta entreaberta pude vê-lo mexendo nas costas do microondas, donde fagulhas brancas pulavam como gafanhotos. Quando me viu, soltou um daqueles seus sorrisos que nem mesmo uma foto poderia capturar e disse: "Amor, acho que estraguei seu microondas...", "Tudo bem, temos um fogão para quê? - respondi.
           Jantamos no terraço algum tempo depois, à luz de velas, pois todas as lâmpadas da sala estouraram - sabe-se lá a razão - após ele ter me carregado nos braços em direção ao sofá com aquele seu jeito tão peculiar; um sofá novinho em folha, o senhor sabe?, e no entanto frágil como um esqueleto de codorna: um dos pés não resistiu quando ele me jogou sobre o estofado. Ah, mas foi tão romântico! Depois do jantar fizemos amor no meu quarto; não podíamos estragar a obra de arte desenhada no chão da sala: cacos pequenos, médios, grandes, grossos, finos, de vidros transparentes, coloridos, foscos. É bem verdade que a cama, numa manobra mais impulsiva dele, quebrou; mas o estrado era velho, imagine que eu dormia naquela cama desde os catorze anos! Ele havia gravado uma fita com suas canções prediletas para nos embalar, porém não conseguimos escutá-la pois na intenção de aumentar o volume, o botão saiu na sua mão: depois disso apenas um zunido, nada mais.
           Pusemos o colchão sobre o tapete do quarto e eu, com sono, adormeci me sentindo segura a seu lado, contudo, nem meia hora depois, ruídos estranhos penetraram nos meus sonhos. Quando percebi que eles vinham de dentro de casa, levantei tão instintivamente que só me dei conta de que ele não estava comigo na cama improvisada quando empurrei a porta da cozinha. Parecia emperrada, achei esquisito...
           Apanhei-o com uma barra de ferro nas mãos. Não disse nada. Todas as coisas, grandes ou pequenas, comíveis ou intragáveis, descartáveis ou duradouras que havia dentro da minha cozinha - e o senhor pode imaginar a quantidade e variedade delas - estavam sendo sucateadas com tamanha fúria que, pela primeira vez, por um segundo, cheguei a não amá-lo. Mas essa sensação desapareceu assim que pude ver seus olhos: em meio à destruição, se conservavam tranquilizadores. O que poderia haver de mal em fazer o que quer que ele fizesse? Nada, senhor. Nada poderia. Não vindo daquele homem, com aquele olhar que só eu - mesmo que uma multidão estivesse ali naquele momento -, só eu poderia decifrar. Então, eu sorri e disse "venha comigo".
           Ele caminhou para mim, calmo, pacífico. Eu o enlacei no mesmo lençol em que me protegia do frio e pude sentir seu corpo coberto de suor e suas mãos rasgadas em filetes sangrentos. Deitei-o em minha cama, umedeci uma toalha de rosto, refresquei seu corpo em brasa, desinfetei as feridas cor de vinho tinto e as cobri com pomada cicatrizante. Ajoelhei aos seus pés e adormeci certa do seu bem-estar.
           Quando acordei, ele já estava vestido, em pé, na sala. Falou transtornado que precisávamos conversar. Eu me aproximei dele em passos curtos, sem perceber que mais, muitos mais cacos de vidro se alojaram na sola dos meus pés descalços, alguns de forma profunda. Com um semblante impaciente e os punhos cerrados, ele disse que melhor seria acabar tudo. Minha reação foi normal, eu acho.
           Duvidei,
           chorei,
           implorei,
           e, finalmente, me convenci.
           A porta bateu. Não, não foi isso. Ele bateu a porta.
           Não conseguia enxergar direito tamanha a quantidade de lágrimas que brotavam dos meus olhos mas, mesmo assim, alcancei o boxe, abri o chuveiro e deixei sua água morna escorrer sobre mim. Ali, sentada no chão, cabeça coberta por braços desconexos, chorei exaustivamente. Apalpava as pernas de quando em quando, para ter certeza de que ainda estava viva, de que, apesar da inenarrável dor que comprimia meu peito, ainda estava, podia-se dizer, clinicamente viva. Depois de muito tempo, desliguei o chuveiro, tomei dois analgésicos, sentei-me no vaso sanitário e, com a ajuda anti-séptica das lágrimas abundantes, fui retirando um a um, os cacos que coalhavam meus pés, antes coloridos, brilhantes e iluminados como o chão da sala, agora cobertos por fissuras, algumas já infeccionadas, provocadas por diversos, em tamanho e espécie, cacos de vidro.
           Ao me dar conta de que não só todo o apartamento estava depredado, mas também meu carro, na garagem, fora reduzido a sucata, chamei a polícia. Ele poderia voltar, e como eu iria me defender? Comprando uma arma? Usando alarmes eletrônicos? Gritando por socorro? Numa cidade grande como esta, o senhor sabe, ninguém ouve.
           Como?
           Ah, sim.
           Sim, senhor.
           Fui eu quem abriu a porta.

[Retirada do livro "Por que os homens não cortam as unhas dos pés?" - 2000 - Editora Rocco]

domingo, 30 de dezembro de 2007

Dois médicos que trabalham na mesma equipe. Ele rouba e publica um trabalho dela sobre um caso que eles atenderam. Ela surta, briga com ele e com todo mundo (também médicos) que vê acontecer e ninguém faz nada (todo mundo acha que ela está "overreacting", que o que ele fez foi pensar nele e fazer por ele, para ele crescer na carreira e que isso é normal).

Eis o diálogo final:
(She) - If we don't this not to get in the way of our friendship, I think we both have to apologize and put it behind us.
(He) - I like you, really. We have a good time working together. But 10 years from now, we're not gonna be hanging out and having dinners. Maybe we'll exchange Christmas cards, say hi, give a hug if we're at the same conference. We're not friends. We're colleagues. And I don't have anything to apologize for.

Seria só mais uma cena de um seriado americano... se eu não vivesse isso na pele todos os dias e me indignasse. Talvez o que eu tenha que fazer seja entender e aceitar essa resposta dele... para conseguir sobreviver nesse meio com um pouco mais de serenidade.
Não consigo me imaginar fazendo nada parecido para crescer na carreira. Se depender disso para crescer, serei uma anã para sempre, "uma clinicazinha qualquer" como dizem minha irmã e meu pai.
Mas se eu conseguisse aceitar que as pessoas de lá não são minhas amigas, que elas me consideram apenas suas colegas e que não vão pensar duas vezes em me prejudicar e prejudicar pessoas que eu gosto para se dar bem... talvez eu viveria melhor, estudaria mais, me divertiria mais com os que ainda não me passaram a perna.

Afinal, se até uma das minhas melhores amigas, alguém em quem eu confiava de olhos fechados, foi capaz de prejudicar enormemente outra pessoa para se dar bem (para "defender" seu internato, como ela costuma dizer), porque qualquer outra pessoa não faria isso???
Aliás, como todo mundo colhe o que planta (pode demorar, mas todo mundo colhe), ela já se arrependeu do que fez e foi correndo atrás da pessoa que ela tinha prejudicado para pedir ajuda... Não é interessante?

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Incrível como é difícil abrir mão de uma sensação boa, de um passado rico em bons momentos...
Talvez grande parte do meu sofrimento atual seja decorrente disso, da minha dificuldade de abrir mão da oportunidade de sentir determinadas emoções em determinadas situações que já senti no passado.
Estava vendo uma entrevista de dois artistas na tv hoje e eles retrataram uma situação que iluminou meus sentimentos, traduziu uma sensação estranha, uma angústia que eu não conseguia explicar antes. Eles estão abrindo mão de algo, para poder abrir novas portas, para explorar a escuridão que aparece afrente, o desconhecido.
Momento de transição.
Que causa medo, insegurança... dá vontade de voltar atrás, escolher o caminho mais seguro e confortável e ficar ali, esperando sentir novamente e viver novamente situações do passado... que foram tão boas... mas são passado.
Simples assim.
A vida é feita de escolhas. E para escolher algo, a gente tem que abrir mão de muitas outras coisas, entre elas, tesouros, jóias que guardamos por muito tempo, venerando-as, mas que agora precisamos "nos livrar" delas para abrir espaço para novas oportunidades, para novos momentos bons, para novas sensações tão boas ou muito melhores que as anteriores.

Aquelas frases que postei dias atrás dizendo que as pessoas vão esquecer das nossas palavras, dos nossos atos mas nunca de como nós a fizemos se sentir, tem um significado para mim, nesse momento, muito muito muito maior do que teria em outros. Porque além de uma possibilidade de fazer as coisas de uma forma melhor, pensando em como as pessoas vão se sentir, essa frase me faz carregar todo um passado do qual preciso abrir mão e não consigo. Já esqueci as palavras que foram ditas, já esqueci os atos, mas não consigo esquecer (e não consigo admitir não ter mais) a sensação, o bem-estar, o prazer, a segurança, o acolhimento, o companheirismo e principalmente a sinceridade.

Preciso fazer isso. Preciso abrir mão e abrir espaço. Andar para frente, viver o presente e construir um futuro. O momento é de transição e está sendo doloroso. Mas a cada dia vejo meu progresso, a cada dia enxergo a situação de um novo ângulo, revivo situações e emoções, mudo minhas teorias loucas, construo novas possibilidades de futuro. Estou longe, muito longe de terminar meus 60 dias (não literalmente) mas a cada risco no calendário uma nova porta de possibilidades se apresenta. E no final, vou poder fazer minha escolha com a cabeça e o coração abertos.
Assim espero.

(Desculpe pelas "frases feitas" e pelos jargões, mas precisava deles hoje... ainda não consigo traduzir minhas emoções com palavras minhas, ainda não consigo me enxergar por inteiro... mas eu vou conseguir. Em breve!)

domingo, 23 de dezembro de 2007

Olha que sensacional!!!!


http://www.freehugscampaign.org

sábado, 22 de dezembro de 2007


"As pessoas esquecerão o que você disse.
As pessoas esquecerão o que você fez.
Mas elas nunca esquecerão como você as fez se sentirem."

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Nossa! Relendo o post anterior, percebi várias coisas erradas em mim: (ah, e o filme não deu certo... fiquei 3 horas esperando ele baixar e no fim ele não rodou... ok, pra eu aprender a alugar dvd ao invés de ficar baixando qualquer porcaria por aí)

1) Meu amigo vem falar comigo, se abrir, pedir ajuda e eu me coloco em primeiro lugar: EU não queria que os dois se separassem, EU não quis dizer a verdade que nem toda mulher é chiliquenta como a dele (me achando... como se EU pudesse contribuir com alguma coisa), EU não queria ter que segurar a onda dos dois quando acabar... Mas ELE não a ama, ELE está cansado, ELE já não mais a trata bem. Como fui egocêntrica...
2) Deu a impressão de que ele é um cara insensível, uma pedra de gelo (principalmente na parte que falo que ele não ama nem sente saudade dos pais). Mas ele não é assim. Talvez as palavras dele tenham me chocado tanto na hora que passei essa impressão. Mas ele é um cara muito bom, com um coração de ouro... só está num momento ruim.
3) É claro que ela desconfia que as coisas não vão bem... se eu sei que ele é um cavalheiro que nunca deixaria uma mulher carregar sacolas sozinha, imagina o que ela não sabe... é claro que ela sente que o fim está próximo
4) Quando disse ficar do lado dela, não quer dizer que escolhi um dos lados. É que ele é muito mais próximo de mim (mora comigo, estuda comigo) e com certeza vou estar por perto. Mas acho que é ela que vai precisar que eu me esforce para oferecer colo, um ombro. Não vou tomar partido de ninguém, mas também não posso abandoná-la só porque eles terminaram, mesmo ele sendo meu amigo a mais tempo e com maior "intensidade"...

Será que também estou carregando o vírus do egocentrismo, que afeta tantas pessoas nessa faculdade??? Preciso pensar mais a respeito e tomar mais cuidado!
Estou aqui esperando baixar um filme na net, então resolvi escrever mais um texto sobre algo que não consigo esquecer esses dias. (Ah, como adoro esse espaço onde posso escrever minhas maluquices!!! Gostaria de poder ter mais tempo pra isso sempre...)

Há mais ou menos 3 semanas, um amigo me procurou, disse que queria muito conversar comigo porque estava com problemas com sua namorada e queria uma opinião. Naquela ocasião não pudemos conversar e depois aconteceram váaarias coisas que impediram de nos encontrarmos com calma.
Mas, há 3 dias ele apareceu, veio a minha casa e conversamos. E a conversa me surpreendeu muito e me deixou preocupada.
Ele disse que está cansado da namorada (de 3 anos). Cansado. Disse que ela é muito estressada, vive dando chilique toda vez que eles saem pelos mais diversos motivos. Que ele não aguenta mais seu mau humor, suas reclamações sobre a vida "dura" que ela leva ("ela, que mora num apartamento chique, num bairro nobre da cidade reclamando que não tem dinheiro", ele disse) e ele, vindo de família pobre, trabalhando, ralando para se manter na faculdade, pagando as coisas para ela.
Perguntei se ele não a amava e ele me respondeu que não sabia o que era amar, nem o que era sentir saudade, disse que não sente isso nem pelos seus pais e que nunca sentiu por ninguém.
No decorrer da conversa ele me perguntou se eu achava que as mulheres são todas estressadas, se todas dão chilique como a dele. "Porque se todas são assim, se todas dão chilique, como amigos meus já falaram, eu vou continuar com ela porque ela tem muitas qualidades também" (palavras dele). Primeiro eu disse "claro que não". Depois me toquei que isso poderia ser uma "contribuição" para o término do namoro e voltei atrás. Disse que eu era muito chata no meu namoro anterior, que eu vivia dando chilique com meu namorado sim (e eu dava mesmo mas não com tanta frequencia quanto ela) mas que eu não sabia se todas as mulheres são assim.
Fiquei assustada com a racionalização que ele fez do namoro... até acreditei que ele não sabe mesmo o que é amor.
Triste.

Eu sei que a namorada dele é muito chata às vezes. Nós nos tornamos grandes amigas esse ano, amigas mesmo. Eu adoro ela, só que às vezes ela começa a surtar e ninguém aguenta ficar perto, só ele (aguentava). Mas é triste ver um namoro acabar assim. Gosto tanto dos dois... e gosto de ver eles juntos.
Disse para ele tentar conversar com ela, explicar o que ele tá sentindo, dizer que ele está cansado de algumas atitudes dela, para que ela possa ter oportunidade de mudar. Ele respondeu "você ficou louca? se eu disser algo parecido com isso para ela, ela vai ter um ataque e aí que a gente termina de vez mesmo... eu preciso decidir se quero continuar convivendo com ela assim ou não, não posso ter esperanças de que ela vai me ouvir e tentar mudar".
No final das contas, não conseguimos terminar a conversa porque chegaram mais 3 pessoas na minha casa e meu amigo resolveu ir embora.

No dia seguinte, encontrei os dois na rua. Ela cheia de sacolas tentando convencê-lo a levá-la até em casa (2 quarteirões abaixo). Ele dizendo que estava cansado, que não queria ir. Acabou que eu ajudei a levar as sacolas até metade do caminho (porque ia no mercado perto) e ele foi para casa dele. Fui conversando com ela, perguntando como estavam as coisas e ela dizendo como ia passar um Natal feliz do lado dele, os presentes que ela tinha comprado pra levar para sogra, os planos de Ano Novo... Meu coração partiu.
É óbvio que ele vai terminar com ela. Ele é do tipo cavalheiro que nunca deixaria uma mulher carregar sacolas sozinha (muito menos a própria namorada!!!). E ela nem sequer desconfia do que vai acontecer, fazendo planos, comprando presentes...
Triste, triste, triste... Só me resta agora esperar pelo desfecho e ficar do lado dela na hora que acontecer - porque essa vai doer muito muito muito!
E torcer para que ele se apaixone um dia e descubra o que é o amor...
Depois da minha crise existencial e solitária de ontem, tive um dia maravilhoso hoje.
Acordei tarde (isso foi ruim porque podia ter aproveitado muito mais) e fui à Paulista trocar uma roupa que tinha ganhado e não ficou boa.
Troquei um vestido feio de festa que eu nunca ia usar por 3 blusinhas brancas lindas para eu poder usar no hospital. Amei! (gostei principalmente da parte de não precisar pagar)
Depois fui à Liberdade, bati perna tentando encontrar um presente para minha orientadora. Aliás, ela foi a única escolhida esse ano para ganhar um presente meu. Não dei nem presente nem cartão para ninguém esse ano (algumas pessoas mereciam sim, e muito, mas não dei não sei por que), mas ela vai ganhar por toda a paciência e por tudo que ela representa!
Comprei, fiz um ótimo passeio e almocei num lugar muito bom.

Depois, chegando em casa, fiquei lendo o blog do Edu: http://oqueoshomenspensam.zip.net. E me deliciando com as histórias dele. Como aprendo com esse cara... queria ter conhecido ele antes, minha vida de adolescente teria sido muito mais simples e mais divertida sabendo certas coisas.

Agora, estou cumprindo minha promessa de final de ano (que tem que terminar antes de 31-12-07): digitar todas as matérias importantes que tive esse ano para revisar e deixar registrado e à mão quando eu precisar (e VOU precisar!).

Um dia simples e corriqueiro de férias. Sem plantões, sem telefonemas inconvenientes, sem tempo para terminar. Nada como ser livre e ter um pouquinho de dinheiro disponível!