sábado, 8 de março de 2003

Como é bom ter idéias...
Bom?
Nem sempre.
É horrível ter idéias - boas idéias - quando não podemos pô-las em prática imediatamente. Pior ainda é saber que a prática também vai depender de outras pessoas, ou seja, ainda vai demorar...

Só espero que até lá essas boas idéias não se transformem em mais lembranças perdidas.

quinta-feira, 6 de março de 2003

Finalmente consegui me libertar do vício da televisão.
Eu realmente era viciada nessa maquininha de imagens e ela representou um dos meus maiores desafios na época de cursinho porque quando ia estudar em casa eu acabava ligando a tv para assistir 15 minutinhos e ficava durante horas.
Sempre critiquei a programação, falei mal do sensacionalismo e da futilidade dos apresentadores. Falava mal porque eu realmente conhecia, assistia a quase todas as porcarias que aparecia.

Mas agora, acho que posso me considerar liberta desse vício. Faz duas semanas que não sento na frente da tv para assistir nenhum programa inteiro ou por mais de meia hora (nem durante o feriado). Mesmo os programas que eu adorava como Gilmore Girls, telejornais, Metrópolis e Ação não assisti esses dias. Acreditam que até de Sandy e Junior eu esqueci um pouco? Deve ser por causa da Faculdade e de tudo que estou vivendo e que ainda é muito interessante.

Ano retrasado eu pensei em parar totalmente de assistir tv quando conheci uma professora de Matemática que tinha essa "filosofia". Na casa dela não havia televisões e ela mal sabia quem eram os atores ou as músicas que estavam em moda. Depois, pensei melhor e achei que isso seria muito radical e que, apesar das podridões, há programas educativos e informativos bastante úteis. Costumava dar muito valor ao telejornais porque achava importante saber sobre o que está acontecendo no mundo, no país, na cidade... Mas, de repente, percebi que não é tão importante assim. Me angustia ver tanta desgraça, tanta violência, tanta corrupção. O principal, que é saber que essas coisas existem, eu já sei. Quando acontece algo realmente grande e importante de alguma maneira vou acabar sabendo e se eu quiser me informar melhor, procuro na net, em qualquer horário. Então, pra que grudar nesse aparelhinho viciante e perder horas do meu dia desaprendendo, para em troca receber um tantinho de informação e entretenimento?

Na verdade, não parei de assistir televisão porque decidi assim. Foi algo natural, sem eu ter forçado. Toda a "filosofia" veio depois, quando me dei conta do fato. O aparelho do meu quarto ainda está intacto, assim como o vídeo cassete (que trabalhou inutilmente algumas vezes nesses dias - cheguei a gravar alguns programas mas não tive paciência de assistir e acabei desgravando). Talvez daqui a algumas semanas, quando passar a euforia da minha nova vida, eu talvez volte a esse meu vicío. Mas, por enquanto, mantenho a tv desligada, a mente mal informada, o coração adormecido (é bem mais difícl encarar a solidão quando se vê, o tempo todo, casaisinhos felizes curtindo um romance de novela, mesmo sendo ficção) e os sentidos ligados no mundo real.

Ah, não posso deixar de comentar da tal novela que eu queria tanto assistir: música linda, atores consagrados, abertura razoável mas diretor ruim - suficiente para tornar uma perspectiva de sucesso num verdadeiro fracasso. Assisti uns 20min e odiei, sem comentar daquele médico ridículo e mal retratado que denigre a classe desses ótimos profissionais (na maioria). (Que bonitinha... já tá defendendo os futuros colegas... quem diria, eh?! - só quero ver até quando...)

domingo, 2 de março de 2003

Finalmente, adicionei alguns links de blogs interessantes que encontrei por aí. Espero que gostem.
Nunca quis colocar imagens no blog porque acho que ele fica muito pesado. Mas vi essa imagem na net e tive que publicá-la.
Olhem que linda!!





Primeiro teste que faço na net e olha o resultado...







Faça você também Que
gênio-louco é você?
Uma criação de O Mundo Insano da Abyssinia


O engraçado é que por muitos anos (na adolescência) me identificava um pouco com Van Gogh e seu sentimento de inadaptação.
Amo sua arte e o considero o melhor pintor de todos os tempos. Mas, já não me acho parecida com ele...

sábado, 1 de março de 2003

Minha cara feia está aparecendo na tv e em outdooors por toda cidade... que ridículo!!! Só porque estou pintada com "Medi - USP - Unifesp", me torno mais importante e chamativa.
Este é o mundo da publicidade!!
Foi mais rápido do que imaginei

Antes de entrar na faculdade eu pensava: "não vou ser igual a esses estudantes relapsos que vivem perdendo aula e só estudam na véspera da prova, vou estudar todo dia um pouco e me preocupar em aprender e não só em tirar nota". Mas eu sabia que ia acabar mudando de idéia e estudando um pouco menos do que o previsto.
A mudança foi mais rápida do que imaginei. Depois da primeira semana de aula, já desencanei de ficar estudando todo dia e assistindo todas as aulas. Claro que não vou abandonar os estudos pois adoro ficar enfiada nos livros mas vou me preocupar mais em aproveitar esses meus últimos 4 anos de vida em liberdade. Sim, porque pelo que um veterano do 5º ano me falou ontem, no internato (e depois durante toda a carreira médica) você passa a ser escravo da Medicina, tendo que se dedicar a ela 24h - o que eu sempre quis, mas não agora, é claro.
Depois de 3 anos de cursinho, quando estive presa pela fantasia de cursar Medicina na USP, não fiz mais nada além de estudar exaustivamente. Quase não fui ao cinema ou teatro, não namorei, dormi mal, comi mal, ou seja, vegetei esse tempo todo. Portanto, agora é hora da recompensa (além de estar estudando na melhor faculdade de Medicina do Brasil). Vou sair mais, conhecer lugares novos, viajar, aprender línguas diferentes, ir a baladas... Aliás, não pretendo aparecer na Facul dias 6 e 7, quando teria aula de Bioquímica, Bio Celular e Bio Molecular. Só vou se naõ arrumar nada melhor para fazer.

Pode parecer que não estou gostando da Faculdade ou das aulas mas isso não é verdade. Estou adorando tudo. Até as aulas de Bioquímica, que disseram que são péssimas, eu não achei ruim (aliás, não teve nada da tal discussão de caso). Só que tem matéria que realmente não vai me ajudar a ser melhor ou pior médica. Por exemplo, ficar olhando para uma clavícula tentando encontrar a tal linha trapezóidea (que o professor jura que existe), ou ficar construindo gráficos de titulação não vai me ajudar a curar ou melhorar a vida de ninguém. Vou estudar e aprender o máximo que conseguir mas sem ficar me estressando e deixando de aproveitar a vida, como eu fazia no cursinho.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2003

"As relações interpessoais podem ensinar muito mais do que os livros... descobri isso agora, e da pior maneira."

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2003

Estou 'blogando' da biblioteca da FMUSP
Não é o máximo??!!!

sábado, 22 de fevereiro de 2003

Lembram-se daquela pesquisa de blogs que eu estava fazendo? Pois é, achei vários blogs legais, que gostaria de linkar mas estou morrendo de preguiça de avisar os donos dos blogs e acho que não é legal eu colocar sem avisá-los...

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2003

Hoje, pela primeira vez, senti a importância de ser uma estudante de Medicina. Não que eu ache que sou melhor que alguém, mas parece que as pessoas me respeitam mais.
Antes de fazer matrícula na Faculdade, eu havia visitado o Instituto do Coração (Incor) na tentativa de conseguir uma consulta para minha mãe. A única coisa que consegui foi um folheto com telefone para consultas particulares - "consultas pelo SUS só com indicação".
Voltei lá hoje e, além de conseguir passar da recepção, pude falar com um cardiologista influente que me permitiu levar minha mãe semana que vem.
Tem coisas que são legais e outras muito legais.

Tristezas e medos da vida

Que eu sou muito medrosa todos já sabem, mas dessa vez acho que tenho razão em temer. Estou sentindo o maior e mais terrível dos medos: o de perder a minha mãe.
A cada dia, a doença dela se torna mais grave e com menor chance de recuperação (o último médico que ela consultou disse que não há mais nada a fazer, além de esperar).
Nunca pensei que eu fosse sentir algo parecido... é desesperador. Não sei o que fazer, o que pensar, como ajudar... Estou naquela fase de achar tudo nela maravilhoso - ouço-a falando e penso: "ela tem uma voz tão linda", vejo-a caminhando: "ela tem um jeito tão especial", deito em seu colo: "ela é tão carinhosa", mas sei que não é por muito tempo que a terei ao meu lado. Esses dias, na alegria de ter entrado na faculdade, soltei a frase: "eu queria tanto que minha mãe me visse me formando, mas isso talvez não será possível". Muito triste!!!
É nessas horas que me dói mais eu ser tão sozinha... não tenho ninguém com quem possa dividir essa dor tão grande, ninguém para me ouvir, nem para me ajudar, ou apenas um ombro onde eu possa chorar...
E a novela... ainda nem pude assistir. E, pelo jeito que as coisas andam, nem vou poder. Na verdade, assisti a uns 5 minutos na terça, mas não me interessei muito e acabei indo fazer algo mais útil (dormir)...
Semana na Faculdade de Medicina

Semana de recepção de calouros é só alegria: churrascos, festas, pedágio (com campanha de doação de sangue), muita tinta e farinha, mas nada de piscina (é claro).
Até terça minha ficha ainda não tinha caído. Eu ainda não havia tomado consciência que tinha me tornado aluna de Med da USP. Tanto que, na terça, acordei achando que tudo que tinha vivido no dia anterior (fiquei na facul das 8:00 às 22:15) tinha sido apenas um "sonho maluco". Só no segundo dia percebi que era real, que dali pra frente tudo ia mudar.
Até hoje pela manhã, ainda estava na fase de encantamento achando tudo lindo e maravilhoso, mas ao entrar no Instituto de Química, numa visita monitorada à Cidade Universitária, hoje, percebi onde fui "amarrar meu burrinho". Fiquei assustadíssima com aquela professora de Bioquímica que disse: "entrem no site, procurem o assunto da aula, leiam, se virem porque semana que vem chamarei um grupo de alunos para discutir o caso que leram". O quê???? Discutir caso???? Que caso???? Nós ainda não tivemos nenhuma aula e a tal professora quer que discutamos um caso... maluquice total. Eu tô achando que isso é trote mas me avisaram para não brincar com essa professora, mesmo porque ela tem nesse semestre 40 alunos de DP - e eu não quero ser uma das que ficará também.
Estou assustada, mas vamos ver no que vai dar...

Amigos???

Faz quase uma semana que estou me perguntando qual é o problema comigo. Será que sou uma pessoa tão desagradável assim? Será que pareço ter alguma doença contagiosa? Ou será que é a péssima amizade que passo que faz com que ninguém queira estar perto de mim?
Domingo passado, mais uma vez, tentei reunir meus 'amigos' em casa e, como sempre, foi um desastre. Dessa vez, o problema ocorreu porque só apareceu uma pessoa (a Camillinha), das 15 que eu havia convidado.
Meu pai, com todo o prazer, foi para a cozinha, fez uma deliciosa feijoada para que eu recebesse meus amigos para comemorármos minha entrada na faculdade e... todo mundo me deu "o bolo".
Eu até entendo que alguns tinham compromissos (e me disseram isso), mas o que eu não entendo é por que alguns confirmaram a presença, não apareceram e sequer deram satisfação. No dia anterior ao almoço, eu telefonei a todos, na tentativa de confirmar, alguns disseram que não poderiam (tudo bem) mas outros disseram que iria com certeza, que não faltariam por nada...
Poderia dizer que eu entendo, que está tudo bem, mas eu não entendo não. Fiquei profundamente chateada, principalmente caom minhas (supostas) amigas mais chegadas. Começo a pensar que eu realmente sou uma pessoa sozinha.
Acho que acabei de inventar uma nova categoria de amigas: as "quase-amigas" - pessoas de quem gosto mais do que simples colegas mas tenho dúvidas se posso contar com elas sempre. Pensando bem, o fato de não poder contar 100% já retira delas o título de amigas... acho que estou confusa.
É... relutei em aceitar, fiquei irritada quando ouvi isso da Patricia (psicóloga)mas acho que realmente não tenho tantas amigas como imaginava. É algo tão óbvio (passo maior parte do tempo sozinha, quando tenho um problema não tenho para quem pedir ajuda ou para me ouvir a qualquer momento) mas custei a aceitar. Preciso, novamente, rever meus conceitos e minhas atitudes - o problema está comigo, é claro, só não sei qual é.

"Estou com a maior dor da alma."

Obs.: Toda essa reflexão não é apenas baseada no almoço. Ele foi apenas a gota d'água.