Nossa!!! Nem acredito que estou tendo uma tarde de sossego...
E nem foi porque eu quis, foi meio que pelas circunstâncias. Minha mãe tinha um exame para fazer no hospital e eu tive que, com muito pesar (de verdade!), largar minha aula de Fisio Cardio para acompanhá-la.
Enfim, feito o exame, estou eu aqui, livre à tarde toda, para curtir uma internet prolongada.
Hoje à noite tem coquetel no Centro Acadêmico, amanhã tem festa na Atlética, domingo tem o dia todo para dormir, segunda tem ócio total, terça tem mais folga e quarta tem manifestação (que promete!)... Nada como um fim de semana e um recomeço com tanta coisa para não fazer.
Ah, fiz a prova de Neurofisio hoje. Se não fosse pelas meninas, que me ensinaram boa parte do que eu escrevi 1h antes, eu teria tirado 1,5 no máximo. Brigadinha!
"O que não enfrentamos em nós mesmos encontraremos como destino." Carl Gustav Jung
sexta-feira, 24 de outubro de 2003
quarta-feira, 22 de outubro de 2003
Acabado esse dia tão conturbado, estou eu aqui na net, com toda uma matéria de neurofisio para estudar até sexta às 8h (ainda nem comecei), com um cérebro confuso para organizar e um montão de coisas para pôr em prática...
Engraçado... achei que quando o trem voltasse aos trilhos eu conseguiria me manter dentro dele, um pouco mais segura. Agora vejo que não. Continuo "surfando" sobre os vagões, escorregando e levantando, tentando não cair no chão... Será que assim é a vida?
Chega a ser estúpida a falta de capacidade para me organizar e resolver meus problemas.
Mas a Esperança Persiste... em todas as áreas!
Engraçado... achei que quando o trem voltasse aos trilhos eu conseguiria me manter dentro dele, um pouco mais segura. Agora vejo que não. Continuo "surfando" sobre os vagões, escorregando e levantando, tentando não cair no chão... Será que assim é a vida?
Chega a ser estúpida a falta de capacidade para me organizar e resolver meus problemas.
Mas a Esperança Persiste... em todas as áreas!
domingo, 19 de outubro de 2003
Quando entrei na faculdade, disse para todo mundo que eu não ia me envolver com certas coisas, que o que eu queria era aprender ao máximo as matérias, era me tornar uma ótima médica.
Uma das coisas com as quais eu não queria ter contato era com a política, principalmente, com o Centro Acadêmico – do qual eu não tinha boa impressão...
7 meses depois, estou eu aqui, muito envolvida com o Centro Acadêmico e, o pior (ou melhor, sei lá), dentro da chapa, concorrendo para a diretoria.
Vai entender...
Como diz a Milene “você precisa viver isso, experimentar, para saber se gosta ou não, para saber se se adapta ou não”.
Uma das coisas com as quais eu não queria ter contato era com a política, principalmente, com o Centro Acadêmico – do qual eu não tinha boa impressão...
7 meses depois, estou eu aqui, muito envolvida com o Centro Acadêmico e, o pior (ou melhor, sei lá), dentro da chapa, concorrendo para a diretoria.
Vai entender...
Como diz a Milene “você precisa viver isso, experimentar, para saber se gosta ou não, para saber se se adapta ou não”.
Um amigo me contou uma historinha hoje, que me fez pensar:
“Uma borboleta estava num casulo. Um menino chegou e ajudou-a a sair de dentro dele.
Aí, a borboleta tentou voar mas ainda não conseguia... ela acabou morrendo.”
Isso me faz pensar na Extensão Acadêmica, nos projetos sociais, na Cidadania.
Quarta passada, aconteceu na faculdade uma oficina de extensão, com um professor da Paraíba. Foi bastante interessante, ele expôs sua teoria sobre a extensão e falou um pouco das experiências que ele teve (pra não perder o costume, eu passei muita vergonha numa dinâmica de grupo que ele fez – sempre eu... Mas isso não vem ao caso agora).
Lá, ele falou sobre a importância da parceria nos projetos, a importância de se ter a comunidade a seu lado e não de ir querendo ensinar a ela, ajudá-la de forma paliativa simplesmente. É como a história da borboleta. Se você chegar para a comunidade e resolver um problema para ela, quando houver outro, ela não saberá resolver sozinha e ficará do mesmo jeito.
(Eu tentei transcrever a teoria, montar um texto para publicar no Cidadania mas fui incapaz de fazer isso... Nessas horas me arrependo completamente por ter cabulado as aulas do Victor e por não ter feito as redações do cursinho)
“Uma borboleta estava num casulo. Um menino chegou e ajudou-a a sair de dentro dele.
Aí, a borboleta tentou voar mas ainda não conseguia... ela acabou morrendo.”
Isso me faz pensar na Extensão Acadêmica, nos projetos sociais, na Cidadania.
Quarta passada, aconteceu na faculdade uma oficina de extensão, com um professor da Paraíba. Foi bastante interessante, ele expôs sua teoria sobre a extensão e falou um pouco das experiências que ele teve (pra não perder o costume, eu passei muita vergonha numa dinâmica de grupo que ele fez – sempre eu... Mas isso não vem ao caso agora).
Lá, ele falou sobre a importância da parceria nos projetos, a importância de se ter a comunidade a seu lado e não de ir querendo ensinar a ela, ajudá-la de forma paliativa simplesmente. É como a história da borboleta. Se você chegar para a comunidade e resolver um problema para ela, quando houver outro, ela não saberá resolver sozinha e ficará do mesmo jeito.
(Eu tentei transcrever a teoria, montar um texto para publicar no Cidadania mas fui incapaz de fazer isso... Nessas horas me arrependo completamente por ter cabulado as aulas do Victor e por não ter feito as redações do cursinho)
quarta-feira, 15 de outubro de 2003
No Galera da Medicina, escrevi um post de agradecimento a alguns amigos que foram muito importantes para mim nesses últimos dias. Eu gostaria que todos lessem.
(Sei que é meio arriscado citar nomes, porque a gente sempre esquece de alguém importante e esse alguém fica muito chateado, mas, mesmo correndo esse risco, quis escrever. Aproveito para já adiantar: desculpem se esqueci de alguém - podem se manifestar a respeito)
(Sei que é meio arriscado citar nomes, porque a gente sempre esquece de alguém importante e esse alguém fica muito chateado, mas, mesmo correndo esse risco, quis escrever. Aproveito para já adiantar: desculpem se esqueci de alguém - podem se manifestar a respeito)
Às vezes acontecem certas coisas que nos fazem repensar toda nossa vida.
Por exemplo, quando morre alguém próximo a nós, ou uma pessoa próxima a alguém que a gente gosta...
São perdas irreparáveis que nos fazem lembrar a importância de cada dia, de cada momento, de cada palavra, de cada lágrima, de cada abraço.
Eu senti tanto o que aconteceu... como se fosse comigo, quase como se fosse a minha mãe.
De repente, tudo está perdido... só restam memórias, só resta saudade, só resta a esperança de um dia voltar a encontrar em algum lugar, em alguma dimensão – todos reunidos sob um céu sem nuvens, sobre uma verde viva grama reluzente.
- Por que você sente tanto, se não é com você, se sua mãe está bem, recuperada, em sua casa??
- Porque há bem poucos dias eu tive que ouvir coisas do tipo “Não há mais nada que a gente possa fazer”, “Eu acho que nós estamos perdendo ela” e “Eu já estou pedindo para Deus levá-la. Eu prefiro que ela vá, mas pare de sofrer. Não agüento mais vê-la nesse estado”. Tudo isso numa mesma madrugada macabra, depois de ter presenciado cenas horríveis, depois de ter acreditado que nós realmente estávamos perdendo-na”. Imagino o que teria sido para mim e para minha família, consigo entender perfeitamente o sofrimento dele, consigo sentir muito próximo o que ele está sentindo agora.
Estamos sim num mesmo barco...
Por exemplo, quando morre alguém próximo a nós, ou uma pessoa próxima a alguém que a gente gosta...
São perdas irreparáveis que nos fazem lembrar a importância de cada dia, de cada momento, de cada palavra, de cada lágrima, de cada abraço.
Eu senti tanto o que aconteceu... como se fosse comigo, quase como se fosse a minha mãe.
De repente, tudo está perdido... só restam memórias, só resta saudade, só resta a esperança de um dia voltar a encontrar em algum lugar, em alguma dimensão – todos reunidos sob um céu sem nuvens, sobre uma verde viva grama reluzente.
- Por que você sente tanto, se não é com você, se sua mãe está bem, recuperada, em sua casa??
- Porque há bem poucos dias eu tive que ouvir coisas do tipo “Não há mais nada que a gente possa fazer”, “Eu acho que nós estamos perdendo ela” e “Eu já estou pedindo para Deus levá-la. Eu prefiro que ela vá, mas pare de sofrer. Não agüento mais vê-la nesse estado”. Tudo isso numa mesma madrugada macabra, depois de ter presenciado cenas horríveis, depois de ter acreditado que nós realmente estávamos perdendo-na”. Imagino o que teria sido para mim e para minha família, consigo entender perfeitamente o sofrimento dele, consigo sentir muito próximo o que ele está sentindo agora.
Estamos sim num mesmo barco...
Acabo de perceber uma coisa tão óbvia: eu exijo demais das pessoas no que se relaciona a carinho também.
Eu já sabia muito bem que eu exigia demais de mim e de todo mundo em vários aspectos, mas nunca parei para pensar que minha exigência de carinho é excessiva também.
Isso explica porque sempre estou tão carente, porque sempre estou me sentindo tão sozinha e porque sinto que ninguém me é suficiente (na relação tempo espaço). Não é suficiente porque os parâmetros são excessivos, porque o que se quer é muito além do que se pode conseguir.
Como mudar esse sentimento de solidão, que, na verdade, é falso (apesar de ser verdadeiro dentro de mim)? Como enxergar o bem que me fazem e ignorar (ou não sentir) o buraco que fica mesmo assim? (Será que esse é o caminho???) As pessoas ficam sem saber o que fazer comigo quando me vêem mal...
Esses dias, uma amiga por telefone me dizia:
- Eu quero te ajudar. Me diz o que eu posso fazer por você, do que você está precisando... Me angustia saber que você não está bem e eu ficar aqui só pensando no que poderia fazer. Me diz...
E eu respondi:
- O que eu quero de você, você não vai poder fazer...
- E o que é???
- Eu queria que você estivesse aqui comigo o tempo todo...
...
Eu já sabia muito bem que eu exigia demais de mim e de todo mundo em vários aspectos, mas nunca parei para pensar que minha exigência de carinho é excessiva também.
Isso explica porque sempre estou tão carente, porque sempre estou me sentindo tão sozinha e porque sinto que ninguém me é suficiente (na relação tempo espaço). Não é suficiente porque os parâmetros são excessivos, porque o que se quer é muito além do que se pode conseguir.
Como mudar esse sentimento de solidão, que, na verdade, é falso (apesar de ser verdadeiro dentro de mim)? Como enxergar o bem que me fazem e ignorar (ou não sentir) o buraco que fica mesmo assim? (Será que esse é o caminho???) As pessoas ficam sem saber o que fazer comigo quando me vêem mal...
Esses dias, uma amiga por telefone me dizia:
- Eu quero te ajudar. Me diz o que eu posso fazer por você, do que você está precisando... Me angustia saber que você não está bem e eu ficar aqui só pensando no que poderia fazer. Me diz...
E eu respondi:
- O que eu quero de você, você não vai poder fazer...
- E o que é???
- Eu queria que você estivesse aqui comigo o tempo todo...
...
Como a vida é engraçada...
Sexta-feira, fiquei até umas 21h com minha mãe no hospital. Obviamente eu estava exausta e queria chegar em casa o mais rápido possível. Porém, dependo do transporte público e, por isso, não tenho o mínimo controle do tempo que demoro para chegar à minha casa.
Fiquei no ponto esperando, esperando, esperando uns 30min pelo ônibus, que não veio. Resolvi utilizar o caminho mais caro, mas mais rápido: metrô e ônibus. Peguei o monstro comedor de gente, desci no Santa Cruz, comprei um sorvete e subi no ônibus.
Logo atrás de mim, subiram alguns jovens muito alegres, que só depois percebi que eram surdos. Eles estavam conversando na linguagem dos sinais e, imediatamente, me lembrei do quanto eu queria aprendê-la.
Um desses jovens (o menos jovem), começou a distribuir alguns adesivos que ele estava vendendo. Eu peguei um, li, mas não comprei pois, além de não ter dinheiro, eu não concordo com esse tipo de trabalho e não incentivo. Quando o rapaz veio recolher o adesivo, ele tentou “conversar” comigo. Na verdade, tentou me cantar, do jeito dele. “Disse” que eu era bonita, perguntou se eu tinha namorado e que queria ser meu noivo. Imagina só. Foi uma cena interessante e, é claro, o ônibus inteiro parou para assistir.
Eu sinceramente gostei dele. Ele tem 27 anos, é bonito, aparentemente inteligente e muito alegre. Ele pediu meu telefone e me deu o dele (não sei como poderíamos usar esse recurso de comunicação). Ficamos rindo e “conversando” com outro amigo dele, que era uma figura. Foi muito legal. Poucas vezes me diverti tanto numa viagem de ônibus.
Depois, fiquei me lembrando de tantos projetos que eu tinha para pôr em prática durante meu 1º ano de faculdade (por exemplo, aprender a linguagem dos sinais na Fono)... e decidi tentar começá-los agora. Eu sei que tá meio tarde (o ano tá quase no fim), sei que já tenho problemas demais para resolver e tempo de menos (mas tb sei que quanto menos coisas eu tenho para fazer, mais preguiça eu sinto e menos ainda eu faço), sei que vai ser complicado se eu conseguir, mas quero muito, muito mesmo fazer certas coisas...
Sexta-feira, fiquei até umas 21h com minha mãe no hospital. Obviamente eu estava exausta e queria chegar em casa o mais rápido possível. Porém, dependo do transporte público e, por isso, não tenho o mínimo controle do tempo que demoro para chegar à minha casa.
Fiquei no ponto esperando, esperando, esperando uns 30min pelo ônibus, que não veio. Resolvi utilizar o caminho mais caro, mas mais rápido: metrô e ônibus. Peguei o monstro comedor de gente, desci no Santa Cruz, comprei um sorvete e subi no ônibus.
Logo atrás de mim, subiram alguns jovens muito alegres, que só depois percebi que eram surdos. Eles estavam conversando na linguagem dos sinais e, imediatamente, me lembrei do quanto eu queria aprendê-la.
Um desses jovens (o menos jovem), começou a distribuir alguns adesivos que ele estava vendendo. Eu peguei um, li, mas não comprei pois, além de não ter dinheiro, eu não concordo com esse tipo de trabalho e não incentivo. Quando o rapaz veio recolher o adesivo, ele tentou “conversar” comigo. Na verdade, tentou me cantar, do jeito dele. “Disse” que eu era bonita, perguntou se eu tinha namorado e que queria ser meu noivo. Imagina só. Foi uma cena interessante e, é claro, o ônibus inteiro parou para assistir.
Eu sinceramente gostei dele. Ele tem 27 anos, é bonito, aparentemente inteligente e muito alegre. Ele pediu meu telefone e me deu o dele (não sei como poderíamos usar esse recurso de comunicação). Ficamos rindo e “conversando” com outro amigo dele, que era uma figura. Foi muito legal. Poucas vezes me diverti tanto numa viagem de ônibus.
Depois, fiquei me lembrando de tantos projetos que eu tinha para pôr em prática durante meu 1º ano de faculdade (por exemplo, aprender a linguagem dos sinais na Fono)... e decidi tentar começá-los agora. Eu sei que tá meio tarde (o ano tá quase no fim), sei que já tenho problemas demais para resolver e tempo de menos (mas tb sei que quanto menos coisas eu tenho para fazer, mais preguiça eu sinto e menos ainda eu faço), sei que vai ser complicado se eu conseguir, mas quero muito, muito mesmo fazer certas coisas...
terça-feira, 14 de outubro de 2003
E parece que a vida vai voltando aos eixos, aos poucos...
Sei que causei muitos estragos nesses 2 últimos meses, mas teve o lado bom e pretendo aproveitá-lo bem.
Estou muito melhor hoje... Várias idéias pulumpam novamente na minha cabeça - vamos ver se consigo pô-las em prática.
Depois de alguns dias sem entrar na internet, descobri que não posso ficar um dia sequer sem ler e-mails... quantos problemas criados por isso. (Para resolve-los uso a tática real: "Eu não fui avisada. Não tenho internet em casa e não leio e-mail todos os dias").
Sei que causei muitos estragos nesses 2 últimos meses, mas teve o lado bom e pretendo aproveitá-lo bem.
Estou muito melhor hoje... Várias idéias pulumpam novamente na minha cabeça - vamos ver se consigo pô-las em prática.
Depois de alguns dias sem entrar na internet, descobri que não posso ficar um dia sequer sem ler e-mails... quantos problemas criados por isso. (Para resolve-los uso a tática real: "Eu não fui avisada. Não tenho internet em casa e não leio e-mail todos os dias").
quinta-feira, 9 de outubro de 2003
Consegui...
Apesar de eu estar morrendo de vergonha, consegui pedir ajuda para alguém (um profissional) que sei que pode fazer muito por mim.
Apesar de que hoje estou me sentindo bem melhor... Mas mesmo assim vou lá, vou conversar com ela e ver no que dá.
Porque será que é tão ruim assim admitir que se precisa de ajuda... Será que é assim para todo mundo.
Apesar de eu estar morrendo de vergonha, consegui pedir ajuda para alguém (um profissional) que sei que pode fazer muito por mim.
Apesar de que hoje estou me sentindo bem melhor... Mas mesmo assim vou lá, vou conversar com ela e ver no que dá.
Porque será que é tão ruim assim admitir que se precisa de ajuda... Será que é assim para todo mundo.
quarta-feira, 8 de outubro de 2003
Hoje fui com pessoal da faculdade a uma visita na casa da Aids. Foi bastante interessante, aprendemos muita coisa, conversamos com um paciente. Foi bem legal e produtivo. A casa funciona bem, faz um trabalho muito legal, apesar das restrições.
Uma coisa que sempre me chama atenção em clínicas e hospital "caseiros" desse tipo, são aqueles textos ou frasezinhas que eles colam na parede, as famosas Reflexões. Parece que tenho um radar para isso. Adoro.
Pois bem, numa salinha que ficamos, havia um texto de Reflexão e, parece incrível, mas tinha muito, muito mesmo a ver comigo. Não da maneira como a maioria que lê entende (confirmei isso), mas de uma outra forma, por eu estar envolvida numa história parecida com a contada. Eu copiei algumas partes:
Ao Lado Da Gente
Não é nada disso. A gente percebe que não é nada disso quando a moça do lado da gente começa a chorar.
A gente sabe aqueles negócios todos de fraternidade, de necessidade, de carinho, da selvageria das grandes cidades. A gente sabe que se uma pessoa precisa de ajuda a gente vai e ajuda. Mas, de repente, a moça do lado começa a chorar e aí?
(...)
O que é que a gente faz ao lado de uma pessoa que chora? Pergunta se precisa de alguma coisa, se dá pra ajudar? Estica a mão, faz um afago na mão da pessoa?
Bom, então o que tenho que fazer primeiro é perguntar: "moça, a senhora precisa de alguma coisa?".
E se ela responder atravessado, ou não responder, ou responder que sim, que precisa, e me contar a história toda, o drama, a mim que certamente não vou poder ajudá-la na curta viagem de ônibus para a cidade?
Melhor não perguntar nada. Se ela quiser, se ela precisar, ela fala. Viu quando eu olhei, não fez cara nenhuma de que queria falar. Vai ver não quer que eu me meta. Quer chorar em paz. Todo mundo no ônibus já viu e ninguém perguntou nada. A pessoa tem o direito de chorar em paz, onde quiser. É isso, a gente tem que respeitar o sofrimento dos outros.
(...)
Eu preciso falar com ela, eu preciso ser humana com essa moça, mas... porque sou humana tenho tanto medo dela que não consigo nem chegar perto. Não consigo abrir a boca e dizer "moça,...".
Quando li o texto pela primeira vez, não entendi. Não conseguia entender por que ele estava ali, o que queria dizer aquilo. Pedi para outras pessoas lerem e me dizerem o que acharam.
Alguns disseram que era sobre solidariedade. Que as pessoas querem ser solidárias, que têm boas intenções mas não conseguem fazer nada por medo.
Outros me disseram que era sobre indiferença. Que as pessoas podem até ter boas intenções mas, se não colocam em prática, não vale nada. Elas são indiferentes e egoístas do mesmo jeito que as que não tem as boas intenções.
Outros ainda falaram que era sobre a mulher, que não tinha obrigação nenhuma de ajudar - mas não entenderam também porque é que aquele texto estava lá.
Eu, no meu egocentrismo, acho que aquele texto estava lá para que eu lesse. É claro que quem colocou nem me conhece e não teve essa intenção diretamente, mas as "forças" que fizeram ele chegar lá, são as mesmas que me fizeram lê-lo nesse momento... Talvez para entender o outro lado, talvez essa seja a outra versão que eu tanto queria ler, que eu tanto queria conhecer...
Só fica a pergunta: será que é medo, será que é indiferença, será que é egoísmo, ou será que não é nada disso? Como saber???
Uma coisa que sempre me chama atenção em clínicas e hospital "caseiros" desse tipo, são aqueles textos ou frasezinhas que eles colam na parede, as famosas Reflexões. Parece que tenho um radar para isso. Adoro.
Pois bem, numa salinha que ficamos, havia um texto de Reflexão e, parece incrível, mas tinha muito, muito mesmo a ver comigo. Não da maneira como a maioria que lê entende (confirmei isso), mas de uma outra forma, por eu estar envolvida numa história parecida com a contada. Eu copiei algumas partes:
Ao Lado Da Gente
Não é nada disso. A gente percebe que não é nada disso quando a moça do lado da gente começa a chorar.
A gente sabe aqueles negócios todos de fraternidade, de necessidade, de carinho, da selvageria das grandes cidades. A gente sabe que se uma pessoa precisa de ajuda a gente vai e ajuda. Mas, de repente, a moça do lado começa a chorar e aí?
(...)
O que é que a gente faz ao lado de uma pessoa que chora? Pergunta se precisa de alguma coisa, se dá pra ajudar? Estica a mão, faz um afago na mão da pessoa?
Bom, então o que tenho que fazer primeiro é perguntar: "moça, a senhora precisa de alguma coisa?".
E se ela responder atravessado, ou não responder, ou responder que sim, que precisa, e me contar a história toda, o drama, a mim que certamente não vou poder ajudá-la na curta viagem de ônibus para a cidade?
Melhor não perguntar nada. Se ela quiser, se ela precisar, ela fala. Viu quando eu olhei, não fez cara nenhuma de que queria falar. Vai ver não quer que eu me meta. Quer chorar em paz. Todo mundo no ônibus já viu e ninguém perguntou nada. A pessoa tem o direito de chorar em paz, onde quiser. É isso, a gente tem que respeitar o sofrimento dos outros.
(...)
Eu preciso falar com ela, eu preciso ser humana com essa moça, mas... porque sou humana tenho tanto medo dela que não consigo nem chegar perto. Não consigo abrir a boca e dizer "moça,...".
Quando li o texto pela primeira vez, não entendi. Não conseguia entender por que ele estava ali, o que queria dizer aquilo. Pedi para outras pessoas lerem e me dizerem o que acharam.
Alguns disseram que era sobre solidariedade. Que as pessoas querem ser solidárias, que têm boas intenções mas não conseguem fazer nada por medo.
Outros me disseram que era sobre indiferença. Que as pessoas podem até ter boas intenções mas, se não colocam em prática, não vale nada. Elas são indiferentes e egoístas do mesmo jeito que as que não tem as boas intenções.
Outros ainda falaram que era sobre a mulher, que não tinha obrigação nenhuma de ajudar - mas não entenderam também porque é que aquele texto estava lá.
Eu, no meu egocentrismo, acho que aquele texto estava lá para que eu lesse. É claro que quem colocou nem me conhece e não teve essa intenção diretamente, mas as "forças" que fizeram ele chegar lá, são as mesmas que me fizeram lê-lo nesse momento... Talvez para entender o outro lado, talvez essa seja a outra versão que eu tanto queria ler, que eu tanto queria conhecer...
Só fica a pergunta: será que é medo, será que é indiferença, será que é egoísmo, ou será que não é nada disso? Como saber???
terça-feira, 7 de outubro de 2003
A história novamente se repete - pela 6ª vez. 6ª vez!!! Minha mãe sai da UTI, passa 1 ou 2 dias bem, melhora consideravelmente e aí, piora de novo. Começa reclamando da comida, depois passa a vomitar tudo que coloca na boca, aí começa a reter líquido, descompensa total, tem uma crise e é levada à UTI novamente. Dessa vez, por enquanto, ainda estamos na fase do vômito e o início da retenção de líquido... Mas já sei o que vem depois, já vi esse filme.
Por que ninguém descobre o que ela tem? Por que ninguém consegue evitar que aconteça de novo? 6 vezes iguais é muita coisa.
Toda essa história já me cansou demais, já me estressou um tanto, já diminuiu alguns anos da minha vida... Imagina só: se há duas semanas eu já estava cansada, sem forças, como será que estou agora, com toda a continuação do pesadelo?
E o pior é que tem gente que não entende, tem gente que quer me cobrar presença constante, serenidade, trabalho, compreensão, tolerância... tudo que não posso dar nesse momento. Por exemplo:
- aquele professor arrogante de quem eu não fui com a cara desde o início e por quem senti uma terrível antipatia desde a tal conversa na qual se mostrou tremendamente arrogante, mal-humorado.
- ou a tal vizinha que fala: "nossa! você está tão distante, a gente nem te vê mais... não vai me dizer que é muito trabalho na faculdade porque sei que não é; sei que você quase não assiste aula; você está chateada com a gente? Está magoada comigo?". Além de ser um terrível egocentrismo, me parece muito com consciência pesada também. O pior é que ela sabe que minha mãe está doente, sabe da barra que estou passando em casa.. Aliás, parece que ela sabe absolutamente tudo da minha vida - é capaz que saiba até mais que eu - não sei como e nem pra quê.
- e o pessoal da faculdade que fica: no corredor - "Paloma, precisa passar lista de não sei o que"; na frente da biblioteca - "precisa mandar e-mail para o grupo avisando de tal coisa" (mas eles não têm o programa das disciplinas? não sabem ler?); numa conversa sigilosa - "precisa me passar os nomes e e-mails de todos os participantes de tal grupo"; quando estou entrando na faculdade - "tem reunião dos alunos quinta ao meio-dia, vai ser extremamente importante" e outro, por e-mail - "tem reunião do projeto quinta às 12h30, é imprescindível a presença de todos, quem não for terá que ter uma justificativa muito boa" (será que é possível fazer clonagem?); mais e-mail: "tal evento, tal dia" seguido da cobrança ao vivo - "você TEM que ir, vai ser muito importante, vai ser meio cansativo porque é o dia todo mas você TEM QUE IR" etc, etc, etc
Oh God! Onde fui amarrar meus burrinhos???
Por que ao invés de reclamar tanto, de me meter em tanta confusão eu não fiquei em casa estudando ou dormindo ou comendo?
Aliás, falando em comer, eu ando comendo muuuuiiitto, mas muuuuuiiiiittto mesmo. Quase não sinto fome - semana passada até fiquei alguns dias sem comer direito - mas quando tenho oportunidade, faço um prato enorme, não acredito que comeria tanto e, no fim, até raspo o prato. Quem sabe assim não engordo uns quilinhos, finalmente (pelo menos antes de cair doente)...
Por que ninguém descobre o que ela tem? Por que ninguém consegue evitar que aconteça de novo? 6 vezes iguais é muita coisa.
Toda essa história já me cansou demais, já me estressou um tanto, já diminuiu alguns anos da minha vida... Imagina só: se há duas semanas eu já estava cansada, sem forças, como será que estou agora, com toda a continuação do pesadelo?
E o pior é que tem gente que não entende, tem gente que quer me cobrar presença constante, serenidade, trabalho, compreensão, tolerância... tudo que não posso dar nesse momento. Por exemplo:
- aquele professor arrogante de quem eu não fui com a cara desde o início e por quem senti uma terrível antipatia desde a tal conversa na qual se mostrou tremendamente arrogante, mal-humorado.
- ou a tal vizinha que fala: "nossa! você está tão distante, a gente nem te vê mais... não vai me dizer que é muito trabalho na faculdade porque sei que não é; sei que você quase não assiste aula; você está chateada com a gente? Está magoada comigo?". Além de ser um terrível egocentrismo, me parece muito com consciência pesada também. O pior é que ela sabe que minha mãe está doente, sabe da barra que estou passando em casa.. Aliás, parece que ela sabe absolutamente tudo da minha vida - é capaz que saiba até mais que eu - não sei como e nem pra quê.
- e o pessoal da faculdade que fica: no corredor - "Paloma, precisa passar lista de não sei o que"; na frente da biblioteca - "precisa mandar e-mail para o grupo avisando de tal coisa" (mas eles não têm o programa das disciplinas? não sabem ler?); numa conversa sigilosa - "precisa me passar os nomes e e-mails de todos os participantes de tal grupo"; quando estou entrando na faculdade - "tem reunião dos alunos quinta ao meio-dia, vai ser extremamente importante" e outro, por e-mail - "tem reunião do projeto quinta às 12h30, é imprescindível a presença de todos, quem não for terá que ter uma justificativa muito boa" (será que é possível fazer clonagem?); mais e-mail: "tal evento, tal dia" seguido da cobrança ao vivo - "você TEM que ir, vai ser muito importante, vai ser meio cansativo porque é o dia todo mas você TEM QUE IR" etc, etc, etc
Oh God! Onde fui amarrar meus burrinhos???
Por que ao invés de reclamar tanto, de me meter em tanta confusão eu não fiquei em casa estudando ou dormindo ou comendo?
Aliás, falando em comer, eu ando comendo muuuuiiitto, mas muuuuuiiiiittto mesmo. Quase não sinto fome - semana passada até fiquei alguns dias sem comer direito - mas quando tenho oportunidade, faço um prato enorme, não acredito que comeria tanto e, no fim, até raspo o prato. Quem sabe assim não engordo uns quilinhos, finalmente (pelo menos antes de cair doente)...
segunda-feira, 6 de outubro de 2003
Não sei o que fazer...
Não sei no que acreditar...
Eu estou disposta a ouvir outras versões mas parece que só eu (novamente)...
É tão difícil para as pessoas admitirem que a verdade delas não é a universal.
É tão difícil saber o que o outro está pensando quando te olha com rabo de olho, quando olha e vira o rosto... Não se sabe se a pessoa está com vergonha, se está chateada, se está morrendo de vontade de falar com você, de te dar um abraço, não se sabe se a pessoa te odeia, não se sabe se ela te adora... Nada é sabido.
Eu tenho tido e tenho visto muito esse olhar ultimamente, com algumas pessoas. Não queria, mas não consigo evitar...
O que fazer além de temer?
Não sei no que acreditar...
Eu estou disposta a ouvir outras versões mas parece que só eu (novamente)...
É tão difícil para as pessoas admitirem que a verdade delas não é a universal.
É tão difícil saber o que o outro está pensando quando te olha com rabo de olho, quando olha e vira o rosto... Não se sabe se a pessoa está com vergonha, se está chateada, se está morrendo de vontade de falar com você, de te dar um abraço, não se sabe se a pessoa te odeia, não se sabe se ela te adora... Nada é sabido.
Eu tenho tido e tenho visto muito esse olhar ultimamente, com algumas pessoas. Não queria, mas não consigo evitar...
O que fazer além de temer?
domingo, 5 de outubro de 2003
Escrevi a história de um pedacinho da minha vida. De uma (triste?) amizade.
Não ficou tão boa mas acho que dá pra entender.
O maior problema é que ela ficou gigante... Até tentei encurtar mas o resultado foram algumas páginas do Word.
Conclusão: tive que criar um blog especialmente para publicá-la. Acho que pelo tamanho ninguém vai querer ler mas mesmo assim vou deixar lá para se alguém quiser. (Não leva nem 20 minutos)
E, para me aprimorar na técnica, quando puder, escreverei outras historinhas e deixarei lá.
Sim, sim, gostei da experiência. (E sim, quando puder vou arrumar um template à altura)
Visitem e, se lerem, me digam o que acharam, critiquem ou mandem outras versões.
http://minhaversao.blogspot.com
Não ficou tão boa mas acho que dá pra entender.
O maior problema é que ela ficou gigante... Até tentei encurtar mas o resultado foram algumas páginas do Word.
Conclusão: tive que criar um blog especialmente para publicá-la. Acho que pelo tamanho ninguém vai querer ler mas mesmo assim vou deixar lá para se alguém quiser. (Não leva nem 20 minutos)
E, para me aprimorar na técnica, quando puder, escreverei outras historinhas e deixarei lá.
Sim, sim, gostei da experiência. (E sim, quando puder vou arrumar um template à altura)
Visitem e, se lerem, me digam o que acharam, critiquem ou mandem outras versões.
http://minhaversao.blogspot.com
sexta-feira, 3 de outubro de 2003
Hoje, descobri que um dos meus posts pode ter sido mal interpretado e pode ter causado um problemaozao.
Por que eh que as pessoas preferem ficar caladas e aceitar mal-entendidos como a verdade universal ao inves de utilizar os tao modernos e tao antigos recursos de comunicacao???
Tudo bem, vai. Eu nao posso cobrar nada. Tambem nao os utilizo muito bem...
Enfim, mais um problema para a minha longuissima lista desses tempos dificeis.
Com essa descoberta, resolvi postar uma parte da historia da minha vida. O problema eh que ela engloba um pouco mais de um ano e por isso vai ficar meio longa (eu digo que vai ficar porque ainda nao comecei a escrever). Se tudo der certo, escrevo no fim de semana e posto na segunda. Aguardem. (haha, como se alguem tivesse muito interessado)
Por que eh que as pessoas preferem ficar caladas e aceitar mal-entendidos como a verdade universal ao inves de utilizar os tao modernos e tao antigos recursos de comunicacao???
Tudo bem, vai. Eu nao posso cobrar nada. Tambem nao os utilizo muito bem...
Enfim, mais um problema para a minha longuissima lista desses tempos dificeis.
Com essa descoberta, resolvi postar uma parte da historia da minha vida. O problema eh que ela engloba um pouco mais de um ano e por isso vai ficar meio longa (eu digo que vai ficar porque ainda nao comecei a escrever). Se tudo der certo, escrevo no fim de semana e posto na segunda. Aguardem. (haha, como se alguem tivesse muito interessado)
Assinar:
Postagens (Atom)