domingo, 15 de fevereiro de 2004


SONETO DA MULHER


Ah! Eu ainda sou uma criança
Que ama e sonha e quer
E tem no peito a esperança
De se tornar uma grande mulher.

Uma mulher autêntica e forte
Que mergulha em si e acredita
No seu poder e não na sorte
Pois é o seu desejo que dita

O seu caminho, a sua história.
Mulher de razão e emoção
Guarda o passado na memória,

Não temendo cair no chão
Faz da vida a sua glória:
Viver é o seu lema, a sua canção.

(Ana Cristina Pozza)

sábado, 14 de fevereiro de 2004

Hoje voltei para casa do meu pai...
Ele:- Paloma, por que voce esta tomando uma dose tao alta de remedio?
Eu: - Porque o medico mandou...
- E por que o medico mandou?
- Ah... Sei la, pai... Acho que porque eu estava dormindo demais...
Depois de uns 20 minutos:
- Entao, Paloma, voce nao vai me contar por que esta tomando tanto remedio?
- Agora eu estou bem, pai.
- Agora? Entao, quer dizer que voce nao estava?
- Eh num tava. Mas agora eu estou.
Depois de uns 15 minutos:
- Tem certeza que agora voce ta bem mesmo, filha?
- To, pai. Ja disse que sim.
- Poxa, filha, eu me preocupo com voce. Voce precisa me dizer as coisas.
- Uhum... Ta. Tem comida em casa?
Silencio.
.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2004

EU MESMA

É engraçada a maneira como estou me sentindo. Pareço outra pessoa mas na verdade sou muito mais eu mesma do que nunca. Esses dias tropecei (literalmente) no meu Psiquiatra e começamos a conversar sobre os efeitos da depressão e sua recuperação. Ele me fez crer que estou me recuperando muito bem e que essa vontade de trabalhar, de falar sou eu realmente sem a doença.
Minha mãe sempre me disse que até os 6 anos eu era uma criança totalmente normal: ria, brincava, aprontava pra caramba (e punha culpa no meu irmão). Mas depois dessa idade (acredito que depois de alguns acontecimentos sérios e realmente traumatizantes) me tornei uma criança triste, calada, sozinha. Andei pensando e acho que foi aí que comecei a ficar doente. E isso piorou com a repetição de um desses acontecimentos quando eu tinha 11 anos. Me fechei totalmente. Não queria mais falar, não queria mais sair, não queria que ninguém me visse (eu só ia para a escola e dormia o resto do dia todo). Minha vida passou a ser realmente triste - porque eu não sabia (ou não conseguia) aproveitá-la.
Mas, em certos momentos, quando me sentia melhor, eu percebia que ser tímida não era algo da minha personalidade. Às vezes eu fazia coisas meio loucas que uma pessoa tímida nunca faria - e me sentia bem com isso. Acredito (agora mais do que nunca) que não nasci tímida, me tornei tímida.
Depois que comecei o tratamento medicamentoso, depois de acertada a dose, passei a fazer coisas que me deixam extremamente feliz mas que antes eu não faria por vergonha. Consigo raciocinar melhor em reuniões e às vezes até arrisco uma intromissão ou um "não estou entendendo nada, você pode explicar a história desde o começo", mesmo sabendo que sou a única que não a conhece.
Por outro lado, acho que tenho magoado ou assustado algumas pessoas que não estavam acostumadas a esse meu jeito. Às vezes alguns me olham meio que perguntando "quem é essa louca? Não pode ser a Paloma que eu conhecia...".
Fazendo muitas coisas ao mesmo tempo, tentando "recuperar" todos esses anos que perdi afundada na depressão, acabo não conseguindo dar toda atenção que eu gostaria aos meus amigos e eles passam a achar que não quero mais falar com eles (que grande besteira).
A Amandinha, por exemplo, tentou me ligar várias vezes na semana passada... mas, como eu estava chegando depois das 22h todos os dias, ela desistiu e deve estar se sentindo abandonada por mim. E eu com tantas saudades dela...
A Larissa, coitada, tenta se aproximar, me liga, vai me ver onde eu estiver e ainda tem que ouvir minhas reclamações do tipo "vocês não ligam mais para mim, marcam as coisas e não me chamam, vocês não estão nem aí se eu estou ou não com vocês, né?Achei que poderiam pelo menos sentir um pouquinho minha falta..." Êta excesso de carência! E lá vai ela, tão bonitinha, tentar explicar que eu estou distante, o tempo todo ocupada, que ela não esqueceu de mim, mas às vezes acha que eu quero me afastar... Sei lá! É uma mistura de sentimentos e vontades opostas em mim que fico sem saber o que fazer...
Enfim, estou muito bem, estou muito EU, mas ainda não estou equilibrada e ainda não sei viver em harmonia com tantas vontades, tantos desejos, tanta garra, tanta saudade, tantos sonhos, tanta "eletricidade"...
Estou exausta!
Fiz menos coisas do que deveria mas mais do que eu poderia... Apesar da canseira, foi bom.
Segunda-feira, a matrícula dos calouros (que eu ajudei a organizar) foi bem legal, deu tudo (mais ou menos) certo. Corri pra caramba, a manhã toda, mal tive tempo de conversar com minhas amigas (que aliás já me substituíram por outra no quesito companhia).
Às 11h tive uma reunião da Coordenadoria dos Tutores e, sem saber, me tornei representante discente da Coordenação. Gostei do cargo (pelo menos de Tutoria eu entendo um pouco e tenho bom relacionamento com os “chefes”).
Ganhei um almoço dos meus amiguinhos queridos (Dani e Dedé).
Depois, fui para a Atlética – cerveja de graça – e bebi. Bebi bem mais do que eu deveria.
Eu não gostava de nada alcoólico. Nunca tinha conseguido beber (apesar de ter tentado várias vezes) porque odiava o gosto do álcool, principalmente da cerveja. Mas ontem eu estava tão feliz, um tanto fora de mim (ou mais dentro de mim do que nunca) que bebi, mesmo tomando remédio, mesmo sabendo que eu estava errada. Só parei quando comecei a me sentir muito tonta. Não cheguei a perder noção do que eu estava fazendo mas cheguei a ficar bastante enjoada. Que grande besteira!
Ontem, acordei de ressaca. Lógico! Cabeça pesada, gosto ruim na boca, cansaço... Nem consegui ficar na faculdade. Milagrosamente eu estava em casa às 16h e dormi. Dormi muito, como há muito tempo não fazia. Foi ótimo.
Que semana foi essa???
Nunca corri tanto numa semana quanto na passada. Nunca fiz tantas coisas ao mesmo tempo.
Minha turma já está estressadíssima com a primeira semana do tão temido terceiro semestre. Sexta-feira, estava todo mundo exausto, querendo férias porque não agüentavam mais tantas provinhas, trabalhos, seminários e argüições. Eu, graças a minha acertada decisão, estava cansadíssima (mas bastante feliz) por todo trabalho que estou tendo com a chegada dos calouros.
Segunda-feira, fui à aula o dia todo. Eu estava morrendo de medo de voltar, achava que não ia mais conseguir ter aquele interesse pelas matérias. Mas até que me saí bem. Gostei bastante de Microbiologia e de Patologia.
Na terça-feira fui à faculdade, fiquei cuidando dos últimos detalhes do apadrinhamento dos calouros, dos folhetos do CA... Um dia calmo, como eu esperava.
Quarta-feira foi O DIA! Comecei a correr logo cedo, encontrei a Julinha para apresentar a faculdade e para ela me ajudar no meu projeto, já que agora ela é minha caloura. Fiz trocentas coisas, por várias vezes tive que atender três telefones ao mesmo tempo (os dois do CA junto com meu celular), correr, correr e correr. À noite, eu tinha duas reuniões ao mesmo tempo (uma no segundo, outra no primeiro andar), mas na hora que estava decidindo para qual iria, surgiu um problema e fui tentar resolver. Acabei chegando atrasada na reunião do segundo andar e lá, me arrumaram um outro pepino. Legal. Com quase 2 horas de atraso, entrei no finalzinho da reunião do primeiro andar e não fiquei nem 10 minutos. Saí antes dela acabar e subi. Corri, corri e corri mais um pouco. Saí da faculdade umas 22h, com os dois problemas bem encaminhados.
Na quinta-feira fui à Cidade Universitária, distribuir as camisetas do apadrinhamento. Depois fui para faculdade. Lá, comecei a receber centenas de telefonemas dizendo que a camiseta tinha vindo errada, que o tamanho é muito pequeno, que é transparente... Como se eu tivesse toda culpa. Quase fiquei louca. Depois corri um tanto para levar um documento para um doutor que o tinha solicitado e, ao mesmo tempo, eu tinha que estar no CA para pagar o fornecedor de camisetas. Fiz ele esperar, óbvio. Resolvidos mais alguns problemas cheguei exausta em casa às 22h40.
Na sexta-feira, (ô dia maldito), prefiro nem dizer tudo que aconteceu. Fiquei estressadíssima, cansadíssima, não agüentava mais tanta confusão e reclamação. Assisti a aula da manhã mas não consegui ficar na da tarde - fiquei deitada num banco em frente a sala, sozinha. Mas, à noite, tinha abertura de uma reunião da ABEM, com coquetel e tudo mais. Foi ótimo. Só que terminou mal. Minha amiga, que não tinha comido absolutamente nada naquele dia, passou muito mal. A sorte é que tinham vários médico para nos ajudar. Fiquei bastante preocupada, mas tranqüila quando ela melhorou. Quase na hora de ir embora, já umas 23h30, eu estava bastante cansada e carente... acabei ganhando um colinho muito bom. Muito bom mesmo! Ganhei também uma carona até em casa de um outro amigo muito gentil.
No sábado, estava de volta à faculdade às 8h da manhã. Parecia um zumbi de tão cansada e trabalhei feito uma camela, carregando coisas de um lado para outro, ficando horas agachada pintando cartazes (fiz um rosa e roxo que ficou maravilhoso). Sai já à noite, extremamente podre, tive que ir andando até a paulista, mas ganhei uma companhia boa e gentil de um outro amigo que não quis que eu andasse sozinha por aí. Foi bem legal.
No domingo, eu tinha que estar às 11h na Poli, pois tinha me comprometido a ser fiscal da prova do cursinho comunitário. Mas quem disse que eu conseguia levantar da cama? Minha pernas e minhas costas doíam tanto que eu mal conseguia me mover. Telefonei para uma amiga e disse que eu não iria. Não tinha como.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2004

Impossível ignorar ou tentar esquecer...
Vem bem lá de dentro, sabe?
Fazer o que, além de sentir, chorar, sorrir e rir?
Apaixonada...
Pela vida
Pela faculdade
Pelo estudo (recobrada a paixão)
Pelo Ballet (quente paixão e amor eterno)
Pela noite
Pelo sol (não muito quente)
Pelos meus amigos verdadeiros

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2004

Incrível...
Nunca imaginei que ficaria tão feliz quando visse o nome da Julia entre os aprovados no vestibular... muito menos sendo lista da Paulista.
Eu estava passando pela sala pró quando vi dois aglomerados de gente em volta de dois computadores. Como uma super hiper curiosa, me meti no meio e perguntei o que era que estava causando tamanho ibope.
- Saiu a lista da Paulista!!!
Olhei para o computador, vi a letra "L" no fim da página, fui correndo os olhos para cima e lá estava ela. Comecei a pular, empurrar o pessoal...
- Meu, a Julia passou, ela passou!!! Que legal!!!
O mico foi grande mas valeu a pena. Fiquei tão feliz.
Liguei para ela mas o telefone estava ocupado. Óbvio! Fiquei tentando, tentando, até que consegui. Foi a maior festa dentro do Centro Acadêmico. O pessoal nem conhece ela e estava lá gritando parabéns, muuuuito legal.

Sabe que hoje foi um dia muito bom...? Saldo bastante positivo!
Ontem à noite passei um pouco mal. Estava com medo de voltar à aula, sei lá. Fazia uns 5 meses que eu não assistia aula sem ter crise e agora teria que voltar. Tinha um pressentimento ruim.
Mas nada de ruim aconteceu. Fui para a aula, meio tímida e tal, mas quando comecei a rever as pessoas que gosto, foi tão bom... Depois sentamos para assistir aula, eu com minha caneta na mão e um bloco de folhas (preciso escrever para não dormir). Mais tarde fizemos aula prática, vimos umas bactériazinhas, muito divertido.
À tarde, assistimos a uma autópsia por vídeo conferência. Eu tinha sido avisada do que ia rolar na aula, então já fui preparada para o pior. Mas até que foi bastante interessante. Não nos mostraram o cadáver (nem a professora sabe por que), mas todos os seus órgãos, acompanhados da história. Fizemos hipóteses diagnósticas...
No meio da discussão percebi claramente que meu conhecimento é bem menor do que a maioria da turma. Umas coisas básicas que todo mundo já sabia, eu não tinha a menor noção e fui lá perguntar para a professora depois da aula. Mas o muito legal disso, é que poderei estudar muuuuito mais esse semestre. Ninguém tem noção do quanto isso me tranquilizou. Sabe o que é eu saber que amanhã poderei ir cedo para a facul e ficar estudando as dúvidas que tive na aula de ontem, ou ficar pesquisando algo de mais interesse? Não sei se vou ter pique para fazer isso sempre, o semestre todo, mas só de saber que eu posso, já fico bem mais sussegada... e feliz.

Não vou cansar de dizer: "Julia, parabéns, parabéns, parabéns!!!!"
Só não dou mais parabéns porque estou guardando-os para a tão esperada...


domingo, 1 de fevereiro de 2004

NOVA VIDA!
NOVO ANO!!
NOVO TEMPLATE!!!
EEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!!

sábado, 31 de janeiro de 2004

O difícil não é se tornar adulto.
O difícil é amadurecer sem perder a sensibilidade e a maneira de sonhar das crianças.
Não aprender a dizer frases idiotas do tipo:
"Calma! Isso vai passar!"
Ou
"Você está fazendo uma tempestade num copo d'água. Perto de outros, esse seu problema é tão pequeno, tão insignificante..."
E não tentar ser prático, quando se precisa ser sentimental.
Quanto mais durmo, mais sinto sono.
Quanto menos durmo, mais sinto sono.
Conclusão: ainda bem que não estou tendo mais insônia.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2004

Engraçado como esse blog virou um tipo de diário mesmo.
Eu odiava essa idéia de escrever sobre o meu dia ou sobre alguma coisa minha mas agora... Claro que posso continuar postando músicas, poesias, textos críticos... mas os meus preferidos nesse momento são os posts tipo esse próximo e a maioria dos últimos. Quem diria...?

Ontem fui conversar com a professora de ballet da minha irmã. Fui pedir ajuda para cuidar dela porque sei que se ela precisar, ela não vai vir me procurar. A Márcia (essa professora) é uma pessoa muito especial, atenciosa, carinhosa, companheira, uma das pessoas que minha irmã mais ama. Eu nunca tive muito contato com ela mas no dia do velório da minha mãe, começamos a conversar e ela se dispôs a ajudar no que nós precisássemos "sem me meter demais na vida de vocês".
A nossa conversa de ontem não foi muito boa. Eu esperava ter falado mais, ter ouvido mais, mas não consegui me abrir com ela, não consegui dizer o que eu queria... Acho que conseguimos estabelecer um vínculo mínimo mas nada parecido com o que eu esperava. Paciência.
Depois que saí de lá, fui andando até o ponto de ônibus e, no caminho, tinha uma igreja. Não sei o que aconteceu mas quando dei por mim, eu estava lá dentro da igreja, sentada em um dos bancos chorando um tanto.
Eu sempre fui meio contra religiões. Principalmente a católica que é a que conheço melhor. Até acho importante as pessoas terem uma religião, praticarem algum tipo de coisa assim mas sem o tal fanatismo ou a cegueira com que alguns ficam. Sem acreditar em tudo que é dito.
Eu nunca tinha entrado numa igreja assim, sem ser uma ocasião muito especial (tipo casamento ou missa de 7º dia). Nem sei porque entrei ontem, só sei que entrei e comecei a pensar na minha vida, na vida da minha irmã, na nossa relação um tanto quanto conturbada, na minha história (que ela não entende porque não conhece), na conversa com a Márcia, nos meus amigos, na minha mãe... e comecei a chorar. Por um lado foi tão ruim porque senti uma angústia tão grande, me senti na escuridão, me senti responsável por tanta coisa, novamente senti todo o peso que carreguei e que vou ter que carregar, senti o peso do amadurecimento.
Por outro lado, me senti aliviada, como se tivesse enxergado uma luz no meio da escuridão. Uma luz bem pequena mas uma luz. Como nunca havia feito, desejei que minha mãe ficasse em paz, que ela fosse se cuidar mesmo que fosse longe de mim, desejei contar a minha irmã toda essa minha história que ela não conhece. Percebi o quanto estou amparada pois para cada problema que pensei em resolver, visualizei um amigo para me ajudar. Até para aqueles momentos em que eu vou me sentir triste e sozinha, já sei para onde correr, para onde ligar dependendo do tipo de angústia que vier junto. Inédito. A igreja pareceu para mim um oásis no meio do deserto, um lugar de calma e tranqüilidade no meio de uma cidade barulhenta e cinza.
Fui para minha casa me sentindo estranha, estava deprimida, cansada. Liguei para a Amanda mas o telefone só chamou. Conversei um pouco com minha vó e fui dormir. Eu estava me sentindo podre, podre mesmo.
Acordei com meu celular tocando. Era um garoto da faculdade, com quem não converso muito.
- Alô.
- Paloma? Oi. Tô te ligando porque tava aqui em casa sozinho e queria conversar.
- Haha. - dei risada porque nunca imaginei ele falando nisso. Na hora nem levei a sério porque se ele estivesse se sentindo sozinho e só quisesse companhia mesmo, acho que eu seria uma das últimas da lista dele.
- Na verdade não é isso. Bem, eu estou sozinho mesmo mas tô ligando porque acabei de ler meus e-mails e queria te perguntar umas coisas... (eu tinha mandado vários e-mails para o e-groups da turma)
Conversamos um pouco, eu respondendo quase em monossílabos, morrendo de sono.
- Você tá bem? Tá com uma vozinha desanimada.
- É... não tô muito legal. Tive uns problemas hoje, fiquei meio mal.
- Você sabe que qualquer coisa que precisar pode me pedir, né? Pode me ligar a qualquer hora, pode pedir o que quiser...
- Sei, valeu.
É engraçado pensar nessa curta conversa que tivemos. Nós realmente não somos muito amigos, a gente se vê super pouco, fala menos, eu xingo muito ele porque às vezes ele é muito grosso com as pessoas, mas ele me passou uma confiança enorme. Me lembrei de um dia em que eu precisava do telefone de uma amiga nossa, liguei para ele e acho que a mãe (ou a namorada) atendeu, sei lá.
- Olha, ele tá dormindo, quem ta falando?
- É a Paloma.
- Paloma? - pausa - da faculdade?
- É... Eu precisava falar com ele mas tudo bem, eu ligo outra hora.
- Não, peraí, acho que ele vai falar.
Óbvio que ele não estava dormindo. Ele atendeu o telefone, perguntou como eu estava, me ajudou no que eu precisava... foi legal. Me senti um pouco lisonjeada por ele ter atendido, não querendo, só porque era eu.
Depois que desliguei o celular ontem fiquei pensando que poderíamos ter conversado mais. Talvez ele realmente estava precisando conversar, diminuir a solidão... Mas eu precisava dormir mais, eu precisava ficar quietinha no escuro.
Deitei, rolei, rolei e não dormi, só sonhei. Liguei a TV e fiquei queimando uns neurônios assistindo à novela das oito, a MTV, a burra da Rede TV e depois o idiota da bandeirantes. Eu estava tentando arrumar força das minhas entranhas para levantar. Consegui umas 3 horas depois. Mas levantei com ânimo, estava mais elétrica, melhor. Incrível a minha instabilidade...
"Não tente ir contra você. Quando estiver se sentindo feliz. Fique feliz, aproveite a felicidade, não se culpe. Mas, quando estiver se sentindo triste, fique triste, chore, chame alguém se quiser conversar, ou fique quieta no escuro se estiver precisando ficar sozinha. Você pode fazer o que quiser, se sentir como estiver e sempre vai ter aquelas pessoas que vão entender e aquelas que não vão. Da mesma forma que aconteceria se você fingisse. Viva. Viva de verdade, com o coração."
Uma loucura???
Tranquei matrícula de 6 matérias da faculdade. Vou fazer 4. Estudar segunda e sexta o dia todo e fazer outras coisas nos outros dias.
O que isso vai me custar? Um ano a mais na faculdade. Vou cair de turma, ter que fazer o 2º ano em 2, demorar mais para ganhar meu suado dinheiro da semi-escravidão (Residência). Não vou mais poder ser representante de turma, que, apesar dos problemas, eu adoro.
Recebi o aval de muitas pessoas importantes para mim e recebi muitos "Meu, isso é loucura! Pensa bem no que você tá fazendo, não faz isso não!", do pessoal da minha turma (Ainda bem que eles me querem com eles, né?).
As pessoas me perguntam por que fiz isso. Eu custei tantos anos pra entrar na faculdade, porque quero ser médica e agora atraso isso assim, do nada, por nada?
Não é bem assim. Estou num momento em que preciso de mais tranqüilidade. Não quero levar esse semestre como levei o passado, empurrando com a barriga, fazendo prova sem ter a menor noção da matéria... Quero viver, não quero me prender a trabalhos, matérias, me afundar em livros, sem conseguir respirar. Além do que amo muito a faculdade, com toda minha alma. Pra que ter pressa para sair? Pra que adiantar minha saída desse lugar maravilhoso, se posso atrasá-la? Esse ano quero realizar meus planos (feitos antes de entrar na faculdade para serem realizados no primeiro ano mas impossível por todos os motivos que todos já sabem), quero trabalhar, estudar Psico, aprender Libra, quero ler, quero praticar esporte, dançar (se conseguir grana), ir às baladas, caminhar, viver de verdade e não vegetar (como faz a maioria dos alunos de 3º semestre da minha faculdade).
Uma amiga me disse uma coisa muito legal, quando eu estava decidindo. Ela disse que assim eu poderia exercer mais minha liberdade, evitar com maior eficiência ser moldada pelo sistema, ficar bitolada como ficam os estudantes de medicina (por serem tão pressionados).
Fiquei bem mais tranqüila com minha decisão. Tudo bem que não é nada legal ouvir um "o que? Que que você quer fazer? Mas isso é raríssimo... os alunos querem pular um ano, fazer as matérias tudo de uma vez e você vai atrasar? Tem certeza? Você está ciente de que terá que fazer essas matérias anos que vem, né? Que vai cair de turma?" Como tive que ouvir da mulher da graduação quando fui acertar a papelada.
"É somente quando beberdes do rio do silêncio
que podereis realmente cantar.
É somente quando atingirdes o cume da montanha
que começareis a subir.
É quando a terra reinvindicar vossos membros que podereis
verdadeiramente dançar"