quarta-feira, 10 de março de 2004

Nossa... poucas vezes fiquei tão sobrecarregada com provas...
Tem Anato Dig amanhã, Fisio Dig na quinta e Genética na sexta. Considerando que ainda nem comeceia a estudar para Fisio nem para Genética, acho que vou ter muuuuito trabalho nas próximas horas.
Para os que convivem comigo, por favor, tenham paciência pois certamente estarei bastante estressada e cansada nesses dias... mas, semana que vem = nova fase.

Estava pensando esses dias (como se tivesse tempo para isso...), ainda me sinto presa aos problemas que vivi ano passado por causa dessas provas que ainda não fiz. De certa forma, ainda não saí do primeiro ano porque ainda tenho provas finais para fazer e isso não me agrada nada nada.
Agora pouco eu estava estudando no CA, veio um menino:
- Ei, moça, que tá fazendo aí atolada de papéis a essa hora?
- Tô estudando pra prova de Anato Dig...
- Anato Dig??? Rec???
- Não. Sub. Não fiz a prova final do ano passado.
- Não fez? Por quê?
- Por quê? (me assustei um pouco com a pergunta porque a maioria das pessoas sabe porque não fiz essas provas) É que... minha mãe morreu algumas horas antes da prova... de madrugada. Vc não sabia?
- Sua mãe? (pausa) Pô, desculpa. Eu não sabia...
Ele sentou do meu lado e "fofamente" perguntou o que tinha acontecido, conversamos um pouco... foi legal. Acho que pela primeira vez consegui falar de forma mais (não totalmente) natural sobre o assunto.

Acho que esse diálogo está presente em mim diariamente. Acho que eu (incontrolavelmente) me pergunto "por que estou tendo que estudar essas matérias de cursos que todos os meus amigos já até esqueceram?... Ah, é mesmo, é porque minha mãe morreu naquela semana de prova."
É complicado estar presa dessa maneira ao passado e acho que por isso não pedi para a professora de Fisio passar a prova para a semana que vem. Eu poderia facilmente ter feito isso, mas não fiz porque não quero mais prolongar essa "jaula". Quero abri-la definitivamente e me libertar dessa angústia que é saber que ainda estou pendurada por provas...


domingo, 7 de março de 2004

Que semana...
Era para ser uma das melhores do ano... acabou sendo uma das mais cansativas.
Não só pelo trabalho que foi exaustivo mas também pelas tantas coisas que aconteceram, pelas tantas confusões dentro de mim, pelas tantas mudanças que fui forçada a fazer...

* no blog
- mudei de template (o outro tava dando muito trabalho para concertar)
- tive que mudar a coluna do perfil, que eu tanto gostava...

* na vida
- mudei de casa (a maior mudança... sai' da casa da minha vo e fui para um apartamentozinho perto da faculdade
- mudei de "moral" – sem comentários (quem viu viu, quem não viu perdeu o "show" de sexta)
- mudei de idéia – quanto a varias coisas da vida
- mudei de humor – varias vezes – de bom para ruim de ruim para péssimo, daí para mal, depois melhorei um pouco mais... e assim seguem os dias

Senti que depois de um momento de aceitação, depois de todas as confusões do ano passado e desse inicio de ano, agora estou tendo que, forçadamente, passar por mudanças na minha vida, conseqüências dos acontecimentos fortes de toda uma vida... Por que tudo na mesma hora?

sábado, 28 de fevereiro de 2004

   Tenho estado tão feliz ultimamente...
   Nem sei dizer o que está acontecendo, mas estou elétrica, com vontade de aproveitar muito a vida... mal consigo dormir e raramente me sinto cansada.
   Quinta e sexta, cheguei em casa super tarde (às 23h e às 0h respectivamente) porque fiquei na facul... mas não cheguei cansada, estava querendo fazer um monte de coisa, arrumar a casa. Dormi super pouco mas estava bem no dia seguinte (apesar que no sábado deixer de ir ao EMA atender porque fiquei dormindo, mas foi mais preguiça e um pouco de chateação por as coisas lá não estarem boas, do que propriamente por cansaço).
   É bom sentir isso. Só é ruim quando quero sair para o forró por exemplo e só consigo companhias masculinas (né, Larissa?). Não que seja ruim ir com os meninos mas é que eu queria ir para conhecer gente nova, outros garotos e num daria pra fazer isso muito bem se eu chegasse no forró cercada de marmanjos querendo cuidar de mim, né? Enfim, acabei não indo, mas com certeza essa sexta tem balada e vai ser muuuuito bom. Apesar de ser com o pessoal da facul (que costuma comentar demais certas coisas), acho que vai dar para dançar bastante e aproveitar muito a noite. (Quanta expectativa, não?)

   Então, apesar dos graves problemas financeiros (sexta-feira não pude ir à aula porque não tinha dinheiro para pagar o ônibus, acreditam?), do meu irmão ainda estar meio mal, das minhas confusões sentimentais (depois de tudo que aconteceu, depois de toda a bobeira pela qual passei essa semana, comeceia a me questionar se meu amor também não é fraternal...) e da correria da facul, estou muitíssimo feliz, com muita vontade de fazer muita coisa e querendo me divertir MUITO!.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2004

O que eu mais disse hoje:
"Como eu sou idiota! Como eu sou boba! Como pude chegar a este estado de bobeira sem controle?"

Juro que nunca me imaginei assim, mas agora que a ficha realmente caiu, a bobeira tende a passar, né? Ou não...

Nossa, hoje eu falei muuuuitas besteiras. Muitas, muitas e muitas mesmo. A pior foi agora pouco, já à noite, na presença de 4 pessoas (uma delas nem entendeu ou nem ouviu, ainda bem!), rendeu risadas absurdas... mas fiz os 3 jurarem que nunca, sob nenhuma circustância, revelariam esse meu "podre".
Ah, é, ainda tem esse detalhe, além de eu ter falado tamanha besteira, de um jeito hilário, o significado dela, o que ela quer dizer é meio que uma revelação "podre". Ridículo! Uma verdadeira PÉROLA!
Mas que foi muito engraçado, ah isso foi... essa sou eu de verdade! Que bom!
Demorou... e muito... mas minha ficha caiu.
Antes tarde do que nunca, né?
Pois é!
O problema é que agora tô com uma vontade imensa de escrever mais um capítulo de "Histórias de uma vida".
Mas acho que seria me expor ao extremo do extremo. Sei que já me exponho um tanto mas se escrevesse tudo que estou querendo hoje, talvez "cavasse minha cova". Fora que existem várias pessoas envolvidas nessa história, que não gostariam nem um pouco disso...
Enfim, vou escrever, mas não vou postar (por enquanto). Vou mandar para a Leila e depois que ela e mais algumas pessoas avaliarem os possíveis estragos, aí nós vemos...
QUAL VERDADEIRO SIGNIFICADO DA PALAVRA “TROCA”

Uma menina de 15 anos, num supermercado, parada em frente à seção de lingeries, mais especificamente, tentando escolher um sutiã...
Vem uma mulher, empurrando seu carrinho de compras:
- Você está precisando de ajuda, mocinha?
- É... preciso comprar um desses, mas... (pausa) É que minha mãe morreu e era ela que fazia isso para mim.
- É fácil, vem cá que eu te ajudo.
Juntas, a adolescente e a senhora desconhecida escolhem um novo sutiã.
- Pronto. Acho que esse vai ficar ótimo em você. (pausa) É verdade... preciso ensinar minhas filhas a fazerem essas coisas, né? Elas precisam ser mais independentes. Obrigada!
- Mas, não era eu que devia agradecer? Muito obrigada, viu? Você me ajudou muito muitão!
- Acho que nenhuma das duas precisa agradecer. Eu te ensinei uma coisa e você me ensinou outra muito importante.

Essa é a minha irmã... a admiro muito por esse tipo de contato especial que ela consegue estabelecer, mesmo com desconhecidos.
Lendo os posts da Julia, me lembrei do dia em que saiu a lista da fuvest, ano passado. Depois de toda a festa no cursinho (tem um post sobre isso nos Arquivos de Fev/2003), cheguei em casa e fiquei assistindo TV com meus pais na sala.
À noite, minha mãe veio falar comigo:
- O que foi, filhinha? Você não está feliz, né? Por quê? Não era isso que você queria, passar na faculdade?
Eu não sabia explicar o que estava sentindo. Eu realmente não estava tão feliz quanto imaginava que ficaria. Eu não sentia que minha vida tinha mudado só porque me tornei estudante de medicina (essa percepção veio um pouco depois)... Eu estava com mais MEDO do que viria do que feliz...
É engra?ado, né? A gente passa anos da nossa vida lutando por um objetivo, sonhando com uma vida , quando acontece, parece que nem é tão especial assim... É como se não soubéssemos dar valor... e sentimos culpa, sentimos que poderemos ser "eternamente infelizes"... É tão estranho...
Mas passa. Pelo menos para mim passou. O começo do segundo ano é bem mais divertido (tirando as matérias, lógico!). Receber os calouros, sentir-se veterano, ver o quanto você aprendeu nesse primeiro ano que pareceu tão inútil (só porque você esqueceu o quanto você era ignorante quando entrou)...
Acho que realmente estou mais feliz agora do que quando passei.

DP, DEPENDÊNCIA, REPETÊNCIA, FAZER DE NOVO...
Neurofisiologia...


  Pois é, amarelei e, na maior covardia, liguei para a professora e disse que eu não iria fazer a prova. Disse que eu tinha tentado estudar mas que não tinha conseguido e que eu preferia fazer o curso novamente...
  TODO MUNDO me disse para eu não fazer isso, me disseram que era loucura: o Daniel (o mais enfático), a minha tutora - médica há alguns anos - ("pra quê? Esse curso não vale tanto assim, vc esquece tudo depois"), os veteranos, meu pai, meus irmãos... Mas eu não consegui nem tentar.
  Desde ano passado era isso que eu queria fazer.
  Eu queria fazer o curso de novo, era isso que meu coração me mandava fazer. Mas a razão era mais forte e me fez tentar estudar, tentar de novo e de novo, até que 1h antes da prova, quando já estava no ponto para pegar ônibus, percebi que era besteira... Nem os tópicos essenciais que o Dani me passou (descerebração, motoneurônio alfa e gama, Parkinson, coma...) eu consegui aprender... imagina se ela fizesse uma prova diferente?
  Eu tiraria 0,5 como "prêmio" de consolação, teria perdido a minha tarde toda no além-rio, não teria ficado com meu grupo para fazer o trabalho de Microbio (apesar que nem ajudei muito), não teria recebido os bons conselhos do meu amigo Xande (abafa o caso)... E teria pegado DP de qualquer jeito.
  Foi melhor assim...

  Mais uma vez me pergunto: Loucura?

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2004

Eternal Flame
Written by Susanna Hoffs/Billy Steinberg/Thomas Kelly

Close your eyes, give me your hand, darlin'
Do you feel my heart beating
Do you understand
Do you feel the same
Or am I only dreaming
Is this burning
An eternal flame

(Ooooh)
I believe it's meant to be, darlin' (ooooh)
I watch you when you are sleeping
You belong with me (aaaah)
Do you feel the same
Or am I only dreaming
Is this burning
An eternal flame

Say my name
Sun shines through the rain
Of all life, so lonely
And come and ease the pain
I don't wanna lose this feeling, ho-oh
(Ooh)

(Ooooh) Close your eyes
Give me your hand (oh yeah yeah) darlin'
Do you feel my heart beating
Do you (do you understand) understand
Do you feel the same
Or am I only dreaming (dreaming)
Or is this burning an eternal flame

terça-feira, 24 de fevereiro de 2004

Depois de tantos anos de blog, finalmente aprendi como fazer paragrafo com "os dois dedinhos"... que orgulho...
    Eu devia estar estudando Neuro... mas nao consigo... aquilo nao faz o menor sentido para mim... acho que vou pegar DP mesmo...
    Tentei fazer meu trabalho de Staphylo, mas eh tanta coisa, sao tantas doencas, tantas pessoas no grupo...
    Entao fico aqui no computador, editando o site da minha turma (Emergencia 91) (a Ju Loira vai me matar mas estou adorando a brincadeira), escrevendo no mais novo blog da minha turma (ORCA 92), respondendo os e-mails dos calouros perdidos e tentando (meio indiretamente) evitar que eles facam uma tremenda besteira com o e-groups deles...
    Estou me divertindo um tanto, mas minha consciencia pesa a cada minuto... Eu devia estar estudando, eu devia estar no hosital cuidando do Dudu...

Presentinho da Lê, minha amiga querida:

"Eu vejo a vida melhor no futuro,
Eu vejo isso por cima de um muro
De hipocrisia que insiste em nos rodear.
Eu vejo a vida mais clara e farta,
Repleta de toda satisfação que se tem direito,
Do firmamento ao chão.
Eu quero crer no amor numa boa,
Que isso valha pra qualquer pessoa,
Que realizar a força que tem uma paixão.
Eu vejo um novo começo de era,
De gente fina, elegante e sincera,
Com habilidade pra dizer mais sim do que não.
Hoje o tempo voa amor,
Escorre pelas mãos mesmo sem se sentir,
E não há tempo que volte amor,
Vamos viver tudo o que há pra viver,
Vamos nos permitir..."
(Lulu Santos)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2004

O que é feriado?
Feriado, são uns dias que eu não tenho que ir para faculdade mas tenho que ficar várias horas no hospital porque alguma coisa aconteceu.
Mas você só tá no segundo ano e já tem que fazer plantão de feriado?
Pois é. Essa é minha vida de estudante de medicina com família complicada...

É feriado de carnaval.
Como todo e qualquer feriado que tive desde que entrei na faculdade, advinhem o que aconteceu...
Só ouvi de longe.
Meu pai:
- Assim não dá. Vou ter que te levar para o hospital.
15 minutos depois:
- Filha, tô saindo. Vou levar seu irmão pro hospital. Ele não tá bem.
Algumas horas depois, toca o telefone:
- Seu irmão não pára de sentir dor. Já deram um monte de remédios para ele e a dor não passa. Estão suspeitando de apendicite e acabaram de fazer uma tomo. Provavelmente ele vai ficar aqui essa noite e eu vou ter que ficar com ele.
Uma hora depois:
- Filha... Tô no Centro cirúrgico. É apendicite! Os médicos falaram que parece estar bem inflamado. É caso de urgência. Torce por ele!
No dia seguinte pela manhã:
- Apendicite grave, perfurada e necrosada. O pior é que foi difícil diagnosticar. Ele não tinha febre, estava com dores mal localizadas pelo abdômen inteiro. Tiveram que fazer milhares de exames para descobrir o que era realmente.

Nunca desejei tanto, que não existissem mais feriados. É algo inexplicável. Toda vez que tem um, acontece algo grave e eu e meu pai ficamos dias cuidando de alguém no hospital. Quando não é minha irmã, era minha mãe e agora, quem diria, meu irmão.
Por que isso tá acontecendo de novo???

sábado, 21 de fevereiro de 2004

Eh tempo de diversão!

Achei que eu tinha entrado numa nova fase: a de correr riscos. Porém, ontem, recusando um convite muito BOM, percebi que ainda não estou pronta para os riscos.

Mas, entrei mesmo numa nova fase: a de me divertir MUITO sem pensar tanto nas conseqüências. Óbvio que em algum momento eu vou me arrepender, vou querer esconder minha cabeça num buraco no chão... mas, sem me divertir, só pensando, eu já sentia isso. Só estou melhorando minha qualidade de vida.

Daqui uns meses reavalio essa decisão.

Eh tempo de diversão!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2004

Xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
De repente me bateu uma tristeza. Uma vontade de ir pra casa e ficar chorando em baixo das cobertas. Uma saudade da semana passada e de quanto eu estava feliz.
Não sei o que é nem de onde veio mas tá doendo um tanto...
Não vou pra casa porque sei que vou dormir e não fazer nada de útil. Então, fico aqui, esperando a Larissa sair da Liga, tentando pesquisar a tal da S. aureus para o trabalho de Microbio, tentando conseguir forças para ir à biblioteca estudar alguma coisa, tentando esquecer o inesquecível.

Apesar que, pensando sobre o que fiz esses dias e o que fiz hoje acho que até tenho motivos para estar triste. Vamos ver se são aceitáveis (por hoje):

1) Não consigo voltar a tratá-lo normalmente. Queria pará-lo para falar "oi" quando o visse no corredor, queria conversar sobre besteiras, dançar no meio do CA só pra diversão... mas mal consigo olhar para ele e não sei por que. Será que ainda está muito recente e eu tenho que dar um tempinho para mim? Que saudades...

2) Na aula de Preventiva hoje, a professora ficou um tempão falando como se preenche uma declaração de óbito (DO). Quando peguei aquele papel na mão, veio um filme na minha cabeça: quando EU tive que ir ao cartório pegar o atestado de óbito da minha mãe, ler o DO, ler o atestado, a causa mortis. Me lembro bem que estava escrito: choque cardiogênico. E eu me perguntava por que não estava escrito Doença de Chagas. Depois, acabei descobrindo... E hoje, naquela aula, tive que ouvir umas 300 vezes: "Primeiro se coloca a causa direta da morte, 'Devido a ou como consequência de' e por último colocamos a causa básica". Eu já sabia disso. Já sabia muito bem e não queria mais ficar colocando as tais causas, de seres fictícios, em ordem de importância. É óbvio que eu nunca vou esquecer como se preenche uma DO. Não vou porque cansei de ler a da minha mãe e acabei "aprendendo" bem a tal ordem. Eu sei que os outros alunos precisam aprender aquilo, eles precisavam daquelas 300 repetições para aprender. Mas eu não. E não me perdôo por me ter feito ficar lá, ouvindo toda aquela babozeira que só estava me fazendo mal.

3) Na aula de Pato, à tarde: atrofia, hipertrofia, hiperplasia. Adivinhem só: corações com hipertrofia, cérebros com lesões devido à isquemia, "quando uma pessoa sofre um AVC e perde os movimentos...", várias coisas nas quais eu já sou praticamente especialista. E que me fazem lembrar... e lembrar...

4) Um amigo: - Acho que acabou. Vou me afastar dela (uma amiga nossa).
Eu: Calma, meu, também não é assim. Você não precisa ser tão radical.
- Ah, mas eu tô cansado dessa história. Acho que o melhor mesmo é a gente se afastar. Ela está me tratando muito estranho e...
- Mas vocês se gostam pra caramba... Agora vai querer fazer o clube do bolinha de um lado e o da luluzinha do outro? Para que ter essa quebra?
Ridículo! Cada vez mais, os melhores amigos da minha sala, mesmo se gostando, estão se afastando por mal entendidos ou pequenas besteirinhas infantis. Uma tristeza só.
Na hora do almoço, eu estava sozinha e encontrei um outro amigo que sentou na minha mesa:
Eu: - Tenho sentido que você tem se afastado de todo mundo... que ta acontecendo?
Ele: - Ah, meu, cansei dessas besteirinhas de criança, desse nhemnhemnhem. As pessoas exigem demais da gente e acham que têm muito a nos ensinar. É ridículo como esse pessoal se acha bom, se acha superior. Ultimamente, sozinho, tenho conseguido fazer muito mais coisas, tenho estudado melhor, tenho vivido melhor. Não preciso ficar grudado nesse povo... E você? Também percebi que se afastou do pessoal...
- É, pois é. Cansei de muita coisa também. Estou precisando de tempo para mim, precisando me cuidar. E certas pessoas exigem muito e não fazem o menor esforço para parar e te ouvir ou tentar te entender. Eles só querem, querem e querem. Eu fiz ótimos amigos aqui na faculdade, pessoas que eu não preciso ver nem falar todo dia para continuar tendo uma amizade incrivelmente especial. Eu percebi que não preciso ficar grudada para manter uma amizade com aqueles que são meus verdadeiros amigos. Essa até acabou sendo uma forma de eu perceber de quem eu realmente sou amiga, de quem eu sinto falta, com quem eu me preocupo e coisas assim. Estou tentando me cuidar, antes de qualquer outra coisa, dar valor a mim.
- É... a gente pode ter nossas diferenças mas concordamos de vez em quando, né? É aquela coisa: a gente quase não se fala, a gente discute pra caramba, mas eu sei que se eu precisar de você, como já precisei, posso contar a qualquer momento e você deve sentir a mesma coisa. A gente não concorda mas a gente se apóia e isso é o que importa no fim das contas...
Apesar de boa a conversa, foi triste. É ruim assistir a esse show de desentendimentos. Pior ainda é participar dele.


Eu sei que para o resto da minha vida verei pessoas brigando e se desentendendo, mesmo nenhuma (ou as duas) estando errada, para o resto da minha vida vou ouvir falar em ICC, coração hipertrofiado, AVC, reabilitação... Mas acho que ainda não estou pronta para esse "de repente", ainda preciso de uma certa preparação psicológica antes de me deparar com esses assuntos. É pedir demais? Tipo: quando eu for na Liga de ICC, já sei que vou ver pacientes com histórias muito parecidas com a da minha mãe e tal. Mas, quando é que eu poderia imaginar que numa aula de Medicina Preventiva, eu teria que ouvir 300 vezes sobre a tal ordem de causa da morte? Nunca. Aliás, eu nunca pensei que aprenderia isso numa aula. Achei que era uma coisa que a gente aprendia na prática, quando precisasse fazer...

Enfim, ainda bem que tranquei matrícula, que amanhã não tenho prova de Anato Urinário nem provinha de Microbio, posso dormir até mais tarde, me recuperar da "fossa" falando no telefone até tarde e recomeçar amanhã. A filosofia agora é: me senti mal? paro, durmo, como, penso, falo bastante, faço algo legal e logo melhoro. Tem dado certo...