Descrever o que vivi essa noite seria impossível!
Sério!
Primeiro, eu nunca imaginei a existência de um lugar como aquele.
Me contaram que existia. Ok.
Recebi um convite pra conhecer... Hum...
Como sou muito curiosa e gosto de novas experiências (afinal, aproveitar a vida é o lema de 2010), aceitei e me animei.
Na hora de ir, deu um puta medo, um frio na barriga desgraçado. Mas fomos!
E foi foda!
Em muitos sentidos.
Infelizmente, não posso descrever as experiências em detalhes porque muitas pessoas que me conhecem pessoalmente lêem esse blog e, comentar sobre isso, invadiria a privacidade de outrem.
Mas, cara, foi bizarro!
Muita gente fazendo muita coisa que nunca imaginei que seria possível.
E, agora, passada a experiência vivida, o contraste paira sobre minha cabeça como uma névoa densa.
Trabalho com pessoas que seguem uma religião rígida, cheia de regras, convivo intensamente com essas regras apesar de não me envolver e não pertencer à religião alguma.
Assistir esses dois estilos de vida tão diferentes, tão opostos... cria em mim uma sensação de impossível.
Porque não dá pras duas coisas coexistirem.
Simplesmente impossíve!!!
Mas, agora, elas coexistem em mim.
É... talvez o povo esteja certo... nada é impossível!
"O que não enfrentamos em nós mesmos encontraremos como destino." Carl Gustav Jung
sábado, 27 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Sem preço
Fiz uma "ligação de almas" incrível com minha enfermeira hoje.
Cada dia tenho mais certeza que nada acontece por acaso.
Ter a oportunidade de conviver com uma pessoa como ela com certeza não foi por acaso!
Cada dia tenho mais certeza que nada acontece por acaso.
Ter a oportunidade de conviver com uma pessoa como ela com certeza não foi por acaso!
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Sexta-feira
Sexta-feira é um dia muito atípico no meu PSF.
Primeiro porque tem reunião de manhã com todos os médicos e enfermeiros. Um momento de confissões, trocas, fofocas e comidinhas nada saudáveis.
Segundo porque reservo minha manhã (e às vezes à tarde) para atender gestantes. E isso faz com que diminua bastante o número total de pacientes (porque fico com a agenda fechada até quinta -dia anterior- e, se lembro, levo ela até a recepção pra completar as vagas com outros pacientes mas isso nem sempre acontece).
Hoje, foi uma sexta-feira ainda mais atípica.
Atendi umas barrigudinhas pela manhã, fui à reunião (que estava com uma comidinha muuuito boa, incluindo sorvete!), na hora do almoço fui tirar uma soneca no carro do meu colega e à tarde tinha apenas 3 pacientes pra atender.
Imagina: 3 pacientes em 3 horas?! Em geral atendo uns 10... E olha que eu tinha aberto a agenda na quarta-feira... nem esperei até quinta.
Mas, enfim, dos 3 pacientes, 2 faltaram.
A que foi valeu por uns 5... Faz umas semana diagnostiquei um câncer de pulmão nessa mulher. Imagina... eu vi o Rx, eu que dei a notícia... Difícil. Aí marquei pessoalmente esse retorno pra hoje pra ver como ela tinha ficado. Só isso já seria coisa demais... Mas... como nada na vida é simples... quando fui examinar a mulher, ela estava com o pulso arrítmico. Procurei no prontuário, tinha um ECG recente sinusal bradicárdico. Ok. E agora arrítmico???
Pedi um ECG de urgência e a mulher me volta com uma FA clara!
Pior, quando ela entrou no consultório, reclamou que tinha pegado uma gripe, que a tosse tinha piorado, tinha tido febre e cuspido sangue hoje.
Quanto de sangue?
"Ah, doutora, sujou toda minha pia! Mas não era muito não... acho que era só da garganta".
Quantidade suficiente pra sujar a pia não é da garganta com certeza.
O que eu tinha então?
Uma paciente com câncer, sangrando no pulmão, com uma FA aguda sintomática.
Fiz uma cartinha e pedi que ela procurasse o PS urgente.
Ela se recusou.
Disse que ainda não tinha almoçado, que não queria, que não ia sem o marido dela e ele só chegaria em casa às 4h da madrugada...
Enfim... expliquei os riscos, dei a carta... fiz minha parte.
Hora dela fazer a dela.
Depois de "resolver" essa bucha, mesmo assim, fiquei com umas 2 horas livres. Totalmente livres.
Sendo sexta-feira sempre um dia atípico, como não poderia deixar de ser, fui chamada por 2 enfermeiras de outras equipes para avaliar pacientes delas. Buchas também, claro! Se não elas não teriam me chamado.
Resolvi o que deu.
E voltei pra minha sala.
Entrou uma das minhas auxiliares de enfermagem. Começamos a conversar e ela acabou desabafando comigo que estava esses dias esperando chegar o resultado da autópsia da mãe dela que morreu no fim do ano passado. Acabei confessando pra ela que eu me arrependo até hoje de não ter pedido autópsia da minha mãe... 7 anos depois... Conversamos muito sobre essas coisas. Estranho mas bom.
Depois, recebo um telefonema da minha outra auxiliar, que está de férias esse mês. A coitada teve que internar sua mãe no hospital hoje e estava cheia de dúvidas quanto a cirurgia. Ela tem HepatiteC e teve uma agudização com icterícia, coledocolitíase sei lá...
Tentei ajudar como pude mas não sei se causei mais confusão na cabeça da coitada.
É tão estranho... Tenho uma tendência a tratar minha equipe como se elas entendesse mais de Medicina do que a população geral. Mas elas não entendem... Eu acharia natural se elas entendessem uns termos a mais, soubessem um pouco mais sobre algumas cirurgias e tento conversar de igual pra igual. Mas sempre chego a mesma conclusão: elas não sabem, não entendem. É difícil conciliar, explicar, tentar ajudar...
Mais tarde, num momento de mais tranquilidade, sentei pra estudar um pouco sobre Hanseníase, mas logo entrou minha enfermeira: "Será que você pode me dar uma receita carimbada? É pra mim mesma. Precisava pegar meu remédio na farmácia mas estou sem receita, prometo que vou procurar meu médico assim que possível, mas não queria ficar esses dias sem remédio".
Eu fiquei pensando, pensando... sabia que ela não queria falar sobre que remédio...
Mas tive que perguntar: "Vc quer receita de que medicação?"
Ela exitou, sentou e soltou: "Fluoxetina".
Na hora, tive uma reação muito espontânea de surpresa. Nunca imaginei que ela precisasse de Fluoxetina. Logo ela que é tão pra cima, tão forte. Tive que perguntar mais sobre o assunto.
E acho que ela se sentiu confortável.
Me disse que já teve depressão grave e que achava que agora está piorando. Que fim de semana passado ela ficou muito mal, chorou demais, queria morrer.
Fiquei chocada! Em choque!
Não sabia o que fazer, o que falar... Tão tão tão inesperado.
Não falei nada. Ela disse que irir marcar a consulta com o PQ em breve.
Liberei a receita, expliquei como era a melhor forma pra tomar (porque ela estava bem mal orientada sobre isso) e tentei me manter inteira, tentei oferecer apoio caso precise...
Sei lá... Bizarro demais esse dia.
Muitas angústias, muitas revelações ruins...
Foi difícil!
E depois pra terminar, voltei pra casa dirigindo. Comecei a dirigir faz uma semana e até agora estou sobrevivendo.
Mas nunca imaginei que seria tão difícil! Tô sofrendo demais!
O carro morre demais porque não sei mexer na maldita embreagem, já atropelei 2 cones (um em alta velocidade na Av. Paulista e outro numa curva - detalhe: o cone estava em cima da calçada!). Já quase atropelei um motoqueiro, dei um totó no carro da frente e quase arrebentei a porta de um Siena dentro do estacionamento do shopping... Péssimo!
Primeiro porque tem reunião de manhã com todos os médicos e enfermeiros. Um momento de confissões, trocas, fofocas e comidinhas nada saudáveis.
Segundo porque reservo minha manhã (e às vezes à tarde) para atender gestantes. E isso faz com que diminua bastante o número total de pacientes (porque fico com a agenda fechada até quinta -dia anterior- e, se lembro, levo ela até a recepção pra completar as vagas com outros pacientes mas isso nem sempre acontece).
Hoje, foi uma sexta-feira ainda mais atípica.
Atendi umas barrigudinhas pela manhã, fui à reunião (que estava com uma comidinha muuuito boa, incluindo sorvete!), na hora do almoço fui tirar uma soneca no carro do meu colega e à tarde tinha apenas 3 pacientes pra atender.
Imagina: 3 pacientes em 3 horas?! Em geral atendo uns 10... E olha que eu tinha aberto a agenda na quarta-feira... nem esperei até quinta.
Mas, enfim, dos 3 pacientes, 2 faltaram.
A que foi valeu por uns 5... Faz umas semana diagnostiquei um câncer de pulmão nessa mulher. Imagina... eu vi o Rx, eu que dei a notícia... Difícil. Aí marquei pessoalmente esse retorno pra hoje pra ver como ela tinha ficado. Só isso já seria coisa demais... Mas... como nada na vida é simples... quando fui examinar a mulher, ela estava com o pulso arrítmico. Procurei no prontuário, tinha um ECG recente sinusal bradicárdico. Ok. E agora arrítmico???
Pedi um ECG de urgência e a mulher me volta com uma FA clara!
Pior, quando ela entrou no consultório, reclamou que tinha pegado uma gripe, que a tosse tinha piorado, tinha tido febre e cuspido sangue hoje.
Quanto de sangue?
"Ah, doutora, sujou toda minha pia! Mas não era muito não... acho que era só da garganta".
Quantidade suficiente pra sujar a pia não é da garganta com certeza.
O que eu tinha então?
Uma paciente com câncer, sangrando no pulmão, com uma FA aguda sintomática.
Fiz uma cartinha e pedi que ela procurasse o PS urgente.
Ela se recusou.
Disse que ainda não tinha almoçado, que não queria, que não ia sem o marido dela e ele só chegaria em casa às 4h da madrugada...
Enfim... expliquei os riscos, dei a carta... fiz minha parte.
Hora dela fazer a dela.
Depois de "resolver" essa bucha, mesmo assim, fiquei com umas 2 horas livres. Totalmente livres.
Sendo sexta-feira sempre um dia atípico, como não poderia deixar de ser, fui chamada por 2 enfermeiras de outras equipes para avaliar pacientes delas. Buchas também, claro! Se não elas não teriam me chamado.
Resolvi o que deu.
E voltei pra minha sala.
Entrou uma das minhas auxiliares de enfermagem. Começamos a conversar e ela acabou desabafando comigo que estava esses dias esperando chegar o resultado da autópsia da mãe dela que morreu no fim do ano passado. Acabei confessando pra ela que eu me arrependo até hoje de não ter pedido autópsia da minha mãe... 7 anos depois... Conversamos muito sobre essas coisas. Estranho mas bom.
Depois, recebo um telefonema da minha outra auxiliar, que está de férias esse mês. A coitada teve que internar sua mãe no hospital hoje e estava cheia de dúvidas quanto a cirurgia. Ela tem HepatiteC e teve uma agudização com icterícia, coledocolitíase sei lá...
Tentei ajudar como pude mas não sei se causei mais confusão na cabeça da coitada.
É tão estranho... Tenho uma tendência a tratar minha equipe como se elas entendesse mais de Medicina do que a população geral. Mas elas não entendem... Eu acharia natural se elas entendessem uns termos a mais, soubessem um pouco mais sobre algumas cirurgias e tento conversar de igual pra igual. Mas sempre chego a mesma conclusão: elas não sabem, não entendem. É difícil conciliar, explicar, tentar ajudar...
Mais tarde, num momento de mais tranquilidade, sentei pra estudar um pouco sobre Hanseníase, mas logo entrou minha enfermeira: "Será que você pode me dar uma receita carimbada? É pra mim mesma. Precisava pegar meu remédio na farmácia mas estou sem receita, prometo que vou procurar meu médico assim que possível, mas não queria ficar esses dias sem remédio".
Eu fiquei pensando, pensando... sabia que ela não queria falar sobre que remédio...
Mas tive que perguntar: "Vc quer receita de que medicação?"
Ela exitou, sentou e soltou: "Fluoxetina".
Na hora, tive uma reação muito espontânea de surpresa. Nunca imaginei que ela precisasse de Fluoxetina. Logo ela que é tão pra cima, tão forte. Tive que perguntar mais sobre o assunto.
E acho que ela se sentiu confortável.
Me disse que já teve depressão grave e que achava que agora está piorando. Que fim de semana passado ela ficou muito mal, chorou demais, queria morrer.
Fiquei chocada! Em choque!
Não sabia o que fazer, o que falar... Tão tão tão inesperado.
Não falei nada. Ela disse que irir marcar a consulta com o PQ em breve.
Liberei a receita, expliquei como era a melhor forma pra tomar (porque ela estava bem mal orientada sobre isso) e tentei me manter inteira, tentei oferecer apoio caso precise...
Sei lá... Bizarro demais esse dia.
Muitas angústias, muitas revelações ruins...
Foi difícil!
E depois pra terminar, voltei pra casa dirigindo. Comecei a dirigir faz uma semana e até agora estou sobrevivendo.
Mas nunca imaginei que seria tão difícil! Tô sofrendo demais!
O carro morre demais porque não sei mexer na maldita embreagem, já atropelei 2 cones (um em alta velocidade na Av. Paulista e outro numa curva - detalhe: o cone estava em cima da calçada!). Já quase atropelei um motoqueiro, dei um totó no carro da frente e quase arrebentei a porta de um Siena dentro do estacionamento do shopping... Péssimo!
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Cibernetica
De iPhone em mãos agora posso postar a qualquer hora, em qualquer lugar!
Divertido! Vamos ver se vai dar...
Divertido! Vamos ver se vai dar...
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Lista para 2010
--> Aprender definitivamente a dirigir (minha carteira tá vencendo e eu ainda não sei!)
- primeira aula amanhã
--> Viajar com os amigos
- em andamento (1ª viagem foi um sucesso)
--> Passear de helicóptero por São Paulo (sempre tive vontade)
- só uma idéia
--> Pular de paraquedas
- em planejamento - pretendo ir à Boituva mas aceito sugestões de outros lugares
--> conhecer NY (aproveitando meu visto que vencerá em breve)
- em planejamento avançado
--> Passar o Reveillon na Europa c/ amados amigos irmãos
- ainda só uma idéia coletiva
--> Jantar num rodízio de japa pelo menos uma vez por mês
- só faltam as companhias mensais (janeiro já foi cumprido - fevereiro, sem planejamento ainda)
--> Assistir Cirque du Soleil no Tapis Rouge
- idéia forte (nem que eu vá sozinha!)
--> Fazer academia, estudar inglês, juntar dinheiro, melhorar minha dieta
- o de sempre!
- primeira aula amanhã
--> Viajar com os amigos
- em andamento (1ª viagem foi um sucesso)
--> Passear de helicóptero por São Paulo (sempre tive vontade)
- só uma idéia
--> Pular de paraquedas
- em planejamento - pretendo ir à Boituva mas aceito sugestões de outros lugares
--> conhecer NY (aproveitando meu visto que vencerá em breve)
- em planejamento avançado
--> Passar o Reveillon na Europa c/ amados amigos irmãos
- ainda só uma idéia coletiva
--> Jantar num rodízio de japa pelo menos uma vez por mês
- só faltam as companhias mensais (janeiro já foi cumprido - fevereiro, sem planejamento ainda)
--> Assistir Cirque du Soleil no Tapis Rouge
- idéia forte (nem que eu vá sozinha!)
--> Fazer academia, estudar inglês, juntar dinheiro, melhorar minha dieta
- o de sempre!
Quando a gente se envolve...
Eu estava feliz.
Feliz, radiante e saltitante.
Eu estava assim porque estava apaixonada.
Apaixonada pelo meu trabalho, pela minha equipe e principalmente pela minha enfermeira. Tenho um bom cargo, sou respeitada, ganho bem, gosto do que faço, os colegas estão gostando de mim... O que mais eu ia querer?
Num cenário como esse, obviamente eu me envolvi. As pessoas me receberam de braços abertos, de coração aberto, me mimaram desde o começo. Tinha uma gotinha de ressentimento pela saída da médica anterior (muito querida), mas nada que não fosse superado.
Eu estava feliz porque me envolvi, porque me apaixonei. Estou vivendo intensamente esses dias, me entreguei de cabeça, abri meu coração também (coisa que não faço com frequência). Estava em total lua-de-mel com o trabalho.
Só que... quando a gente se apaixonada, vem junto uma certa ilusão de mundo perfeito, de pessoa perfeita, de situação perfeita...
Paixão envolve riscos. Muitos riscos.
Risco de dano.
Eu sempre soube disso e é exatamente por isso que sempre me protejo, que não abro meu coração pra qualquer um ou qualquer coisa.
Enfim... eis que no auge da minha ilusão, no meio da minha total entrega, vem a primeira decepção.
Foi uma mísera decepção, um pequeniníssimo desentendimento com minha enfermeira. Mínimo mesmo!
Mas que me afetou de maneira infinita.
Aconteceu às 9h10. Até às 11h eu continuava atendendo pacientes sem conseguir me concentrar, sem me focar. Eu ficava pensando no ocorrido, eu tentava, na minha cabeça, consertar, revivia a história pra tentar entender todas as partes envolvidas.
Foi uma dor sem razão, sem sentido.
Como as dores da paixão.
Ao mesmo tempo que eu atendia, e pensava, eu me sentia culpada por estar pensando, por não conseguir me focar. Afinal, isso era inadmissível. Eu estava no meu ambiente de trabalho, atendendo pessoas que precisavam da minha total atenção e eu não conseguia dar nem 70% dela por uma besteirinha que havia acontecido horas atrás...
Complicadíssimo!!!
Vim pra casa, em meio ao dilúvio (como acontece todos os dias desse molhado mês), me culpando por ter me deixado envolver tão fortemente por aquelas pessoas, por ter aberto meu coração pra tantas mulheres (porque na minha equipe só tem mulher atualmente) que há pouco eu nem conhecia... que eu continuo mal conhecendo...
Mas será que tenho direito de me sentir culpada por amar? Por ter me entregado de corpo e alma ao trabalho?
Será que é tão errado se apaixonar?
Por que sinto que é?
Por que sempre sinto que é?
Por que sempre me arrependo quando me envolvo assim com algo ou alguém?
Por um lado, me faz tão feliz, me faz sentir tão viva (me sinto mais viva e feliz que nunca!). É a paixão que me faz sorrir sem perceber, que me faz gostar dos meus pacientes (mesmo as gordinhas hipertensas deprimidas) e querer o melhor pra eles. Foi a paixão que me fez levantar da cama às 5h10, feliz, todos os dias das últimas 3 semanas.
Mas também é a tal paixão que atrapalha minhas consultas, que inferniza minha cabeça, me faz sentir culpada, boba, infantil...
É a paixão...
Feliz, radiante e saltitante.
Eu estava assim porque estava apaixonada.
Apaixonada pelo meu trabalho, pela minha equipe e principalmente pela minha enfermeira. Tenho um bom cargo, sou respeitada, ganho bem, gosto do que faço, os colegas estão gostando de mim... O que mais eu ia querer?
Num cenário como esse, obviamente eu me envolvi. As pessoas me receberam de braços abertos, de coração aberto, me mimaram desde o começo. Tinha uma gotinha de ressentimento pela saída da médica anterior (muito querida), mas nada que não fosse superado.
Eu estava feliz porque me envolvi, porque me apaixonei. Estou vivendo intensamente esses dias, me entreguei de cabeça, abri meu coração também (coisa que não faço com frequência). Estava em total lua-de-mel com o trabalho.
Só que... quando a gente se apaixonada, vem junto uma certa ilusão de mundo perfeito, de pessoa perfeita, de situação perfeita...
Paixão envolve riscos. Muitos riscos.
Risco de dano.
Eu sempre soube disso e é exatamente por isso que sempre me protejo, que não abro meu coração pra qualquer um ou qualquer coisa.
Enfim... eis que no auge da minha ilusão, no meio da minha total entrega, vem a primeira decepção.
Foi uma mísera decepção, um pequeniníssimo desentendimento com minha enfermeira. Mínimo mesmo!
Mas que me afetou de maneira infinita.
Aconteceu às 9h10. Até às 11h eu continuava atendendo pacientes sem conseguir me concentrar, sem me focar. Eu ficava pensando no ocorrido, eu tentava, na minha cabeça, consertar, revivia a história pra tentar entender todas as partes envolvidas.
Foi uma dor sem razão, sem sentido.
Como as dores da paixão.
Ao mesmo tempo que eu atendia, e pensava, eu me sentia culpada por estar pensando, por não conseguir me focar. Afinal, isso era inadmissível. Eu estava no meu ambiente de trabalho, atendendo pessoas que precisavam da minha total atenção e eu não conseguia dar nem 70% dela por uma besteirinha que havia acontecido horas atrás...
Complicadíssimo!!!
Vim pra casa, em meio ao dilúvio (como acontece todos os dias desse molhado mês), me culpando por ter me deixado envolver tão fortemente por aquelas pessoas, por ter aberto meu coração pra tantas mulheres (porque na minha equipe só tem mulher atualmente) que há pouco eu nem conhecia... que eu continuo mal conhecendo...
Mas será que tenho direito de me sentir culpada por amar? Por ter me entregado de corpo e alma ao trabalho?
Será que é tão errado se apaixonar?
Por que sinto que é?
Por que sempre sinto que é?
Por que sempre me arrependo quando me envolvo assim com algo ou alguém?
Por um lado, me faz tão feliz, me faz sentir tão viva (me sinto mais viva e feliz que nunca!). É a paixão que me faz sorrir sem perceber, que me faz gostar dos meus pacientes (mesmo as gordinhas hipertensas deprimidas) e querer o melhor pra eles. Foi a paixão que me fez levantar da cama às 5h10, feliz, todos os dias das últimas 3 semanas.
Mas também é a tal paixão que atrapalha minhas consultas, que inferniza minha cabeça, me faz sentir culpada, boba, infantil...
É a paixão...
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Meu amigo blog
Saudades do meu blog.
Saudades parecida com aquela que sentimos de amigos que antes eram muito próximos e por rumo à vida se tornaram distantes.
Você pensa nele, lembra de uma situação ou outra, às vezes sonha... mas ligar pra ele, marcar um encontro, efetivamente conversar... ah, é bem difícil.
Sempre penso no blog, às vezes até escrevo textos em papel. Mas a vida tá tão rápida, tudo acontece numa velocidade tão alta que perco o timing e deixo pra lá.
Das novidades?
Bem, estou muitississíssimo feliz. Estou trabalhando num PSF na periferia, 40h semanais de labuta. Estou gostando muito. Minha equipe é ótima, minha enfermeira é simplesmente maravilhosa, hipercompetente, me ajuda horrores (na minha vida médica só tinha convivido com enfermeiros e enfermeiras cujo principal objetivo era tornar a vida dos médicos mais difícil). O lugar é longe, mas é seguro. Não tem essa história de traficante mandando na região, mandando no posto nem nada.
Os pacientes continuam me irritando um pouco. Principalmente os velhinhos... mas a gente vai levando e em geral a enfermeira dá um jeitinho de conversar com eles pra mim e dar a devida atenção que eles precisam e que eu não conseguiria dar.
Ainda não recebi meu primeiro salário, mas parece que vai ser uma quantia boa. Aliás, quando receber o primeiro, por melhor que seja, nem vou ver a cor porque estou atolada em dívidas. E também já tenho uma lista enorme de produtos a serem comprados. Vai sobrar nada!
Falando em estar atolada, me lembrei de uma experiência que queria contar aqui. No fim de semana passado, fui fazer esportes radicais numa cidadezinha do interior. Nunca tinha feito nada e nem sequer fui por vontade própria. Meus amigos convidaram pra viajar no fim de semana, eu topei pela companhia, sem saber qual seria a atividade programada e quando cheguei lá fui jogada de uma cachoeira pra fazer rapel, jogada no rio pra fazer rafting, obrigada a escalar árvores e andar em cordas bambas em arvorismo e canyoning.
De verdade?
Não curti o arvorismo (estou dolorida até hoje), achei o canyoning interessante, o rafting foi muito bom. Mas o que amei mesmo foi o rapel!
Dear God!!! Que sensação maravilhosa! Quase morri de medo da altura, lógico. Só que era tão bonito e tão bom ficar dependurada que curti absurdamente mesmo com medo.
Já comecei a ver na net alguns cursos de rapel e algumas equipes pra participar de novo. Quem sabe até alguns urbanos, né?!
Se alguém souber algum lugar pra me indicar...
Depois dessas novas experiências de vida, estou programando algumas outras viagens e atividades. Quero tentar alguns passeios de helicóptero e um salto de paraquedas nos próximos meses.
Vamos ver se dá certo.
Esse ano está reservado pra curtir a vida e fazer loucuras!!!
Saudades parecida com aquela que sentimos de amigos que antes eram muito próximos e por rumo à vida se tornaram distantes.
Você pensa nele, lembra de uma situação ou outra, às vezes sonha... mas ligar pra ele, marcar um encontro, efetivamente conversar... ah, é bem difícil.
Sempre penso no blog, às vezes até escrevo textos em papel. Mas a vida tá tão rápida, tudo acontece numa velocidade tão alta que perco o timing e deixo pra lá.
Das novidades?
Bem, estou muitississíssimo feliz. Estou trabalhando num PSF na periferia, 40h semanais de labuta. Estou gostando muito. Minha equipe é ótima, minha enfermeira é simplesmente maravilhosa, hipercompetente, me ajuda horrores (na minha vida médica só tinha convivido com enfermeiros e enfermeiras cujo principal objetivo era tornar a vida dos médicos mais difícil). O lugar é longe, mas é seguro. Não tem essa história de traficante mandando na região, mandando no posto nem nada.
Os pacientes continuam me irritando um pouco. Principalmente os velhinhos... mas a gente vai levando e em geral a enfermeira dá um jeitinho de conversar com eles pra mim e dar a devida atenção que eles precisam e que eu não conseguiria dar.
Ainda não recebi meu primeiro salário, mas parece que vai ser uma quantia boa. Aliás, quando receber o primeiro, por melhor que seja, nem vou ver a cor porque estou atolada em dívidas. E também já tenho uma lista enorme de produtos a serem comprados. Vai sobrar nada!
Falando em estar atolada, me lembrei de uma experiência que queria contar aqui. No fim de semana passado, fui fazer esportes radicais numa cidadezinha do interior. Nunca tinha feito nada e nem sequer fui por vontade própria. Meus amigos convidaram pra viajar no fim de semana, eu topei pela companhia, sem saber qual seria a atividade programada e quando cheguei lá fui jogada de uma cachoeira pra fazer rapel, jogada no rio pra fazer rafting, obrigada a escalar árvores e andar em cordas bambas em arvorismo e canyoning.
De verdade?
Não curti o arvorismo (estou dolorida até hoje), achei o canyoning interessante, o rafting foi muito bom. Mas o que amei mesmo foi o rapel!
Dear God!!! Que sensação maravilhosa! Quase morri de medo da altura, lógico. Só que era tão bonito e tão bom ficar dependurada que curti absurdamente mesmo com medo.
Já comecei a ver na net alguns cursos de rapel e algumas equipes pra participar de novo. Quem sabe até alguns urbanos, né?!
Se alguém souber algum lugar pra me indicar...
Depois dessas novas experiências de vida, estou programando algumas outras viagens e atividades. Quero tentar alguns passeios de helicóptero e um salto de paraquedas nos próximos meses.
Vamos ver se dá certo.
Esse ano está reservado pra curtir a vida e fazer loucuras!!!
sábado, 26 de dezembro de 2009
Natal
Essa época do ano, a gente costuma se encontrar com a família, trocar presentes e falar do passado.
Depois que minha mãe morreu, meus Natais passaram a ser tristes, cada um ficava no seu canto e os parentes (nota: do meu pai) não nos visitavam mais.
Mas esse ano, não sei exatamente por que, todo mundo resolveu nos visitar. Meu tio de Manaus está há duas semanas por aqui, meu tio de Araçatuba ficou uns dias. Os dois irmãos do meu pai juntos na minha casa é totalmente inédito!
Aí, já que o evento se tornou um acontecimento, as 4 primas deles resolveram vir também.
Casa cheia mais uma vez.
Meu pai até se animou e fez um churrascão.
Presentes?
Não não.
Todo mundo só dá presente pra minha irmã. Não sei por que também, mas é assim que acontece desde que éramos crianças.
Passado?
Sim! Muitas histórias!
Por acaso, em um momento eu estava no meu quarto, procurando uns modelos de celulares na internet (porque agora que sou 'rica' quero comprar o meu - aliás, alguém tem indicação de um smartphone bom pra eu comprar?hehehe), minha tia estava sentada num banco que fica em frente a minha janela, junto com as cunhadas falando de minha mãe.
Foram informações interessantes, mas um delas simplesmente me chocou.
Minha tia dizia sobre minha mãe: "Quando eles se conheceram, ela era empregada doméstica. Vocês não sabiam? Ela era cheia de problemas, a mãe dela era alcoólatra..."
Eu sabia, sempre soube que minha mãe teve diversos problemas, que a mãe dela era (ou é, sei lá) alcoólatra. Mas eu nunca soube que ela era empregada doméstica.
Conforme fui pensando nisso, tentando entender a história, minha ficha caiu. Minha mãe tem em casa várias fotos de uma família de japoneses. Quando eu perguntava quem eram, ela dizia: "eu morei na casa deles um tempo". Às vezes ela dizia que ajudava a cuidar do filho pequeno deles (tipo uma babá). Mas eu nunca tinha associado que na verdade ela era empregada deles.
Sei lá.
Fiquei meio chocada com essa informação.
É como se minha história de vida tivesse mudado.
De repente, sou, na verdade, médica filha de empregada doméstica. Soa meio chocante, não?!
Pra mim soa. Muito! Traz uma informação que eu não tinha tão clara: apesar de tudo que minha mãe sofreu, ela conseguiu vencer na vida, conseguiu dar estudo p/ seus filhos, conseguiu formar uma filha médica...
Eu não tinha essa impressão clara. Eu não tinha muita noção...
Depois que minha mãe morreu, meus Natais passaram a ser tristes, cada um ficava no seu canto e os parentes (nota: do meu pai) não nos visitavam mais.
Mas esse ano, não sei exatamente por que, todo mundo resolveu nos visitar. Meu tio de Manaus está há duas semanas por aqui, meu tio de Araçatuba ficou uns dias. Os dois irmãos do meu pai juntos na minha casa é totalmente inédito!
Aí, já que o evento se tornou um acontecimento, as 4 primas deles resolveram vir também.
Casa cheia mais uma vez.
Meu pai até se animou e fez um churrascão.
Presentes?
Não não.
Todo mundo só dá presente pra minha irmã. Não sei por que também, mas é assim que acontece desde que éramos crianças.
Passado?
Sim! Muitas histórias!
Por acaso, em um momento eu estava no meu quarto, procurando uns modelos de celulares na internet (porque agora que sou 'rica' quero comprar o meu - aliás, alguém tem indicação de um smartphone bom pra eu comprar?hehehe), minha tia estava sentada num banco que fica em frente a minha janela, junto com as cunhadas falando de minha mãe.
Foram informações interessantes, mas um delas simplesmente me chocou.
Minha tia dizia sobre minha mãe: "Quando eles se conheceram, ela era empregada doméstica. Vocês não sabiam? Ela era cheia de problemas, a mãe dela era alcoólatra..."
Eu sabia, sempre soube que minha mãe teve diversos problemas, que a mãe dela era (ou é, sei lá) alcoólatra. Mas eu nunca soube que ela era empregada doméstica.
Conforme fui pensando nisso, tentando entender a história, minha ficha caiu. Minha mãe tem em casa várias fotos de uma família de japoneses. Quando eu perguntava quem eram, ela dizia: "eu morei na casa deles um tempo". Às vezes ela dizia que ajudava a cuidar do filho pequeno deles (tipo uma babá). Mas eu nunca tinha associado que na verdade ela era empregada deles.
Sei lá.
Fiquei meio chocada com essa informação.
É como se minha história de vida tivesse mudado.
De repente, sou, na verdade, médica filha de empregada doméstica. Soa meio chocante, não?!
Pra mim soa. Muito! Traz uma informação que eu não tinha tão clara: apesar de tudo que minha mãe sofreu, ela conseguiu vencer na vida, conseguiu dar estudo p/ seus filhos, conseguiu formar uma filha médica...
Eu não tinha essa impressão clara. Eu não tinha muita noção...
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Reality
Por que sou viciada em Reality shows?
Mesmo sabendo que eles não são tão reality assim, acompanhando esses programas, a gente consegue entender muita coisa do ser humano. Muitas atitudes que as pessoas têm com a gente no dia-a-dia e que não fazem sentido porque a gente só sabe um lado da história, no reality é diferente.
A gente fica vendo e sabe alguns dos lados das histórias. A gente entende porque, como, o que aconteceu na cabeça, nos devaneios de fulano ou sicrano.
Ontem assitindo A Fazenda uma situação interessante aconteceu.
Quando o Xuxa foi eliminado do programa, ele desacreditou e ficava repetindo "eles entenderam tudo errado, fui mal compreendido pelo público".
Ele se referia ao fato de ele ter pedido p/ o indicarem p/ o voto popular. Ele foi mandado pra roça porque ele quis, ele pediu.
E, na saída, ele achou que o público tinha votado p/ ele sair porque interpretou que ele queria sair. Ele achou que foi eliminado só porque pediu.
Ledo engano.
O ego do cara deve pesar uma tonelada pra achar uma coisa dessas, né?!
Em nenhum momento ele considerou que as pessoas podem simplesmente não ter gostado dele. Ele se acha o gostosão, o inteligente, o bom, o maioral e tem certeza que as pessoas pensam o mesmo dele.
Devaneio total e absurdo.
O cara durante o jogo se mostrou um mau caráter da pior espécie. Ele articulava, mentia, manipulava, fingia o tempo todo. O público não é idiota, sr. Xuxa. O público vê, sente, se envolve. E, a partir do momento que ele começou a se contradizer, a partir da demonstração de seu desvio de caráter, seu excesso de competitividade... ele deixou de ser adorado por seu público como um ídolo da natação e passou a ser apenas mais uma decepção, mais uma quebra da ilusão de seu atleta deus, perfeito e vencedor.
Coitado.
O cara vive um delírio que não foi nem ele que criou mas que atualmente só ele e a família dele enxerga.
Mesmo sabendo que eles não são tão reality assim, acompanhando esses programas, a gente consegue entender muita coisa do ser humano. Muitas atitudes que as pessoas têm com a gente no dia-a-dia e que não fazem sentido porque a gente só sabe um lado da história, no reality é diferente.
A gente fica vendo e sabe alguns dos lados das histórias. A gente entende porque, como, o que aconteceu na cabeça, nos devaneios de fulano ou sicrano.
Ontem assitindo A Fazenda uma situação interessante aconteceu.
Quando o Xuxa foi eliminado do programa, ele desacreditou e ficava repetindo "eles entenderam tudo errado, fui mal compreendido pelo público".
Ele se referia ao fato de ele ter pedido p/ o indicarem p/ o voto popular. Ele foi mandado pra roça porque ele quis, ele pediu.
E, na saída, ele achou que o público tinha votado p/ ele sair porque interpretou que ele queria sair. Ele achou que foi eliminado só porque pediu.
Ledo engano.
O ego do cara deve pesar uma tonelada pra achar uma coisa dessas, né?!
Em nenhum momento ele considerou que as pessoas podem simplesmente não ter gostado dele. Ele se acha o gostosão, o inteligente, o bom, o maioral e tem certeza que as pessoas pensam o mesmo dele.
Devaneio total e absurdo.
O cara durante o jogo se mostrou um mau caráter da pior espécie. Ele articulava, mentia, manipulava, fingia o tempo todo. O público não é idiota, sr. Xuxa. O público vê, sente, se envolve. E, a partir do momento que ele começou a se contradizer, a partir da demonstração de seu desvio de caráter, seu excesso de competitividade... ele deixou de ser adorado por seu público como um ídolo da natação e passou a ser apenas mais uma decepção, mais uma quebra da ilusão de seu atleta deus, perfeito e vencedor.
Coitado.
O cara vive um delírio que não foi nem ele que criou mas que atualmente só ele e a família dele enxerga.
domingo, 20 de dezembro de 2009
Moronic
Do filme: I could never be your woman
(Paródia da música Ironic de Alanis Morissette)
Young girl wants to be a big name
In movies they must all be the same
She won't need to sing or to act
Just loose all of her body fat
and isn't moronic
Don't you think?
It's insane
That they loose so much weight
It's young Nicole with no food on her plate
Her pal Lindsay barfing up a cake
They think they're so cute, stick figures
So hot must be 98
In December that's not so great
The north pole is turning to slush
On my TV there's President Bush
And isn't he moronic
Don't you think?
Incredibly moronic
And yes I really do think
He's a pain in the whole world ass
He'd sell his mum for a gallon of cash
How can it be that we voted him in?
I just don't see how it figures
A popstar went on TV
Tells the whole world kids 'sleep here with me'
A mother says to her son the Never land ranch would be lot's of fun
And isn't she moronic
Don't you think?
Incredibly moronic and yes i really do think
It's so lame what goes on in her head
Do you think its smart to lone him your kid
He won't like them when they're bigger!
(Paródia da música Ironic de Alanis Morissette)
Young girl wants to be a big name
In movies they must all be the same
She won't need to sing or to act
Just loose all of her body fat
and isn't moronic
Don't you think?
It's insane
That they loose so much weight
It's young Nicole with no food on her plate
Her pal Lindsay barfing up a cake
They think they're so cute, stick figures
So hot must be 98
In December that's not so great
The north pole is turning to slush
On my TV there's President Bush
And isn't he moronic
Don't you think?
Incredibly moronic
And yes I really do think
He's a pain in the whole world ass
He'd sell his mum for a gallon of cash
How can it be that we voted him in?
I just don't see how it figures
A popstar went on TV
Tells the whole world kids 'sleep here with me'
A mother says to her son the Never land ranch would be lot's of fun
And isn't she moronic
Don't you think?
Incredibly moronic and yes i really do think
It's so lame what goes on in her head
Do you think its smart to lone him your kid
He won't like them when they're bigger!
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Vida médica
Com carimbo em mãos, saí pelo mundo p/ trabalhar.
Uma aventura, sem dúvida.
Perigosa, cheia de altos e baixos, mas divertida.
Dei meu primeiro plantão com uma amiga de turma. Morrendo de medo (quase infartando), entramos com a cara e a coragem no hospital.
Quando falamos p/ o segurança que éramos médicas e que estávamos de plantão naquela noite, ele olhou com uma profunda expressão de descrença mas nos deixou entrar, apontando a direção.
Ter carinha de criança é uma grande desvantagem quando se necessita de credibilidade.
Entramos no PS e fomos direto p/ sala de emergência. Claro! Checar os aparelhos, os materiais disponíveis.
A enfermeira, atrás do balcão, olhava pra gente e dava risada!
Mais tarde, fiquei sabendo que, em anos, aquela sala de emergência só foi usada uma única vez. Uma criança com engasgo que chegou parada e acabou por falecer porque não havia recursos.
Óbvio! Aquele desfibrilador parece ser da década de 20. O ventilador mecânico poderia estar num museu. Mas a equipe garantiu que tudo funcionava.
Passado os primeiros momentos de apreensão e adaptação, começamos a atender e carimbar, preencher e carimbar, carimbar, carimbar. Impressionante a quantidade de papéis que tive que preencher. Eu diria que uns 60% do tempo do médico vai em preenchimento de papéis.
Quando tive que internar um paciente então... tive quase que escrever um livro.
E, se não bastasse ter escrito tudo direitinho nos mínimos detalhes, ainda me acordaram de madrugada pra preencher um outro papel "porque após o adequado recebimento do paciente na enfermaria, o médico tem que fazer blábláblá blábláblá". Nem entendi pra que era aquele papel. Só tentei acordar e não escrever muitas besteiras.
Dormimos às 3h da manhã e, excetuando essa interrupção p/preenchimento de mais papéis, só fomos acordadas novamente às 6h45, quando a enfermeira entrou no quarto e disse que a chefe estava lá embaixo perguntando porque a gente ainda não tinha passado na recepção pra pegar o cheque.
Como assim? A idéia não era pegar o cheque após o término do plantão (que seria às 7h)?
Levantamos sem entender mas buscamos o cheque e fomos embora. Felizes pelo trabalho razoavelmente bem feito e pela graninha que entrou finalmente!!!
Uma aventura, sem dúvida.
Perigosa, cheia de altos e baixos, mas divertida.
Dei meu primeiro plantão com uma amiga de turma. Morrendo de medo (quase infartando), entramos com a cara e a coragem no hospital.
Quando falamos p/ o segurança que éramos médicas e que estávamos de plantão naquela noite, ele olhou com uma profunda expressão de descrença mas nos deixou entrar, apontando a direção.
Ter carinha de criança é uma grande desvantagem quando se necessita de credibilidade.
Entramos no PS e fomos direto p/ sala de emergência. Claro! Checar os aparelhos, os materiais disponíveis.
A enfermeira, atrás do balcão, olhava pra gente e dava risada!
Mais tarde, fiquei sabendo que, em anos, aquela sala de emergência só foi usada uma única vez. Uma criança com engasgo que chegou parada e acabou por falecer porque não havia recursos.
Óbvio! Aquele desfibrilador parece ser da década de 20. O ventilador mecânico poderia estar num museu. Mas a equipe garantiu que tudo funcionava.
Passado os primeiros momentos de apreensão e adaptação, começamos a atender e carimbar, preencher e carimbar, carimbar, carimbar. Impressionante a quantidade de papéis que tive que preencher. Eu diria que uns 60% do tempo do médico vai em preenchimento de papéis.
Quando tive que internar um paciente então... tive quase que escrever um livro.
E, se não bastasse ter escrito tudo direitinho nos mínimos detalhes, ainda me acordaram de madrugada pra preencher um outro papel "porque após o adequado recebimento do paciente na enfermaria, o médico tem que fazer blábláblá blábláblá". Nem entendi pra que era aquele papel. Só tentei acordar e não escrever muitas besteiras.
Dormimos às 3h da manhã e, excetuando essa interrupção p/preenchimento de mais papéis, só fomos acordadas novamente às 6h45, quando a enfermeira entrou no quarto e disse que a chefe estava lá embaixo perguntando porque a gente ainda não tinha passado na recepção pra pegar o cheque.
Como assim? A idéia não era pegar o cheque após o término do plantão (que seria às 7h)?
Levantamos sem entender mas buscamos o cheque e fomos embora. Felizes pelo trabalho razoavelmente bem feito e pela graninha que entrou finalmente!!!
Mico eterno
Tenho recebido por e-mail e twitter vários vídeos no YouTube de crianças cantando ou dançando.
Fiquei lembrando dos vídeos caseiros de antigamente que nossos pais filmavam e depois ficavam mostrando p/ os parentes e vizinhos: "Olha que bonitinho o meu filhinho cantando".
Aí o filhinho crescia e a parentada toda ficava tirando sarro da cara dele nas festas de Natal por causa dos vídeos que papai fazia dos micos infantis.
Pois é.
Com a tecnologia e a internet, ao invés dos vizinhos e parentes verem, o mundo vê. E aquilo fica pra sempre, como se o tempo tivesse parado naquele ano.
A menininha aí do vídeo acima, agora já deve ter uns 8 ou 9 anos. Ela é uma fofa, nem acho que dá pra considerar o vídeo um mico.
Mas é exceção.
Quanto maior o mico, maior o sucesso do vídeo.
E as criancinhas, fora da tela, não serão p/ sempre "inhas"...
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Reviravolta
De repente, todos os planos e desejos mudaram.
De repente mesmo.
Recebi uma ótima proposta de trabalho para uma cidade pequenina (3.000 habitantes).
Na hora, tinha certeza que não aceitaria. É loucura simplesmente me mudar para um lugar distante diferente, sem muitos recursos, onde não conheço ninguém.
Mas, conversando com meus amigos, todos fora unânimes: a proposta era irrecusável. A cidade é muito boa, tem um hospital bem equipado, ambulância e possibilidade de transferência rápida quando necessário. Um colega meu trabalhou lá por um mês ano passado e gostou muito. As referências são muito positivas.
Enviei meu currículo no mesmo dia, acompanhado de diversas dúvidas sobre as condições de trabalhos.
Descobri que há 5 candidatos. Nenhum que eu conheça. E agora aguardo a resposta.
Conversei com minha irmã, no momento minha maior preocupação. Mas ela também concordou com a idéia e me incentivou com o argumento principal: posso voltar quando eu quiser. Não vou fechar um contrato estanque como seria se eu tivesse ido pro exército. Vou apenas com a promessa de ficar pelo menos um mês. Se não for bom (o que duvido muito), eu volto.
Isso fez com que todos os meus outros planos mudassem. Eu ia começar PSF agora em dezembro pra já ir juntando uma grana e ia dar uns plantões extras. Mas não vou aceitar enquanto eu não tiver resposta desse outro emprego. E os plantões, por hora, estão em aberto. Vou tentar dar alguns na semana que vem. Mas não quero dar sozinha e, a essa altura do campeonato, vai ser quase impossível conseguir 2 vagas p/ um mesmo dia. Enfim... não sei mais se vou trabalhar por enquanto.
Pelo menos no momento sei que posso contar com a ajuda do meu pai. Ele nunca foi de me dar força pra nada (nem sequer quando decidi fazer Medicina e passei numa faculdade pública), mas agora está mais manso.
Ele queria que eu fosse trabalhar no nordeste, disse que lá eu teria melhores condições de vida e tal e se propôs a me ajudar se eu precisar até eu conseguir me estabelecer.
Até o carro dele ele deixou eu usar se quisesse. Mudança total nas idéias dele de que sou uma vagal folgada irresponsável.
Vamos ver no que vai dar essa história.
Confesso que se eu não conseguir essa vaga, não vou ficar tão chateada. Porque a idéia de ter que enfrentar tantas mudanças de repente me assusta horrores.
De repente mesmo.
Recebi uma ótima proposta de trabalho para uma cidade pequenina (3.000 habitantes).
Na hora, tinha certeza que não aceitaria. É loucura simplesmente me mudar para um lugar distante diferente, sem muitos recursos, onde não conheço ninguém.
Mas, conversando com meus amigos, todos fora unânimes: a proposta era irrecusável. A cidade é muito boa, tem um hospital bem equipado, ambulância e possibilidade de transferência rápida quando necessário. Um colega meu trabalhou lá por um mês ano passado e gostou muito. As referências são muito positivas.
Enviei meu currículo no mesmo dia, acompanhado de diversas dúvidas sobre as condições de trabalhos.
Descobri que há 5 candidatos. Nenhum que eu conheça. E agora aguardo a resposta.
Conversei com minha irmã, no momento minha maior preocupação. Mas ela também concordou com a idéia e me incentivou com o argumento principal: posso voltar quando eu quiser. Não vou fechar um contrato estanque como seria se eu tivesse ido pro exército. Vou apenas com a promessa de ficar pelo menos um mês. Se não for bom (o que duvido muito), eu volto.
Isso fez com que todos os meus outros planos mudassem. Eu ia começar PSF agora em dezembro pra já ir juntando uma grana e ia dar uns plantões extras. Mas não vou aceitar enquanto eu não tiver resposta desse outro emprego. E os plantões, por hora, estão em aberto. Vou tentar dar alguns na semana que vem. Mas não quero dar sozinha e, a essa altura do campeonato, vai ser quase impossível conseguir 2 vagas p/ um mesmo dia. Enfim... não sei mais se vou trabalhar por enquanto.
Pelo menos no momento sei que posso contar com a ajuda do meu pai. Ele nunca foi de me dar força pra nada (nem sequer quando decidi fazer Medicina e passei numa faculdade pública), mas agora está mais manso.
Ele queria que eu fosse trabalhar no nordeste, disse que lá eu teria melhores condições de vida e tal e se propôs a me ajudar se eu precisar até eu conseguir me estabelecer.
Até o carro dele ele deixou eu usar se quisesse. Mudança total nas idéias dele de que sou uma vagal folgada irresponsável.
Vamos ver no que vai dar essa história.
Confesso que se eu não conseguir essa vaga, não vou ficar tão chateada. Porque a idéia de ter que enfrentar tantas mudanças de repente me assusta horrores.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Livre
Acabou!!!
Fim da faculdade, fim dos plantões gratuitos.
Nessa quase madrugada de segunda, eu assistindo CQC, aproveitando twitter, orkut e meu mais novo vício, o facebook (aqueles aplicativos e jogos são muito bons!).
Já consegui emprego. Muitos. Milhares. Mas ainda não tenho CRM, então estou basicamente de férias, aproveitando a vida com tudo que tenho direito (e condição).
O melhor de ter acabado é a sensação de liberdade. Eu posso simplesmente fazer o que eu quiser, a hora que quiser, do jeito que quiser, sem dar satisfação, sem cumprir horários, sem pressões ou responsabilidades. É uma sensação indescritível!
As pessoas falam "mas você escolheu fazer Medicina, podia ter saído da faculdade e aproveitado sua liberdade se quisesse". Mas não. Eu não escolhi fazer Medicina. Eu escolhi ser médica. O que eu queria era atender pacientes, cuidar, salvar, aliviar. Eu não queria ficar sentada num anfiteatro por 8 horas do meu dia, 5 dias da semana por 4 anos e depois dar plantões infernais, de graça, em locais muitas vezes insalubres por mais 2 anos até conseguir meu diploma. Eu não tinha saída, não tinha muita opção.
Agora é muito diferente! Agora eu sou médica. Agora eu escolho! E quando não quiser mais, eu posso parar sem enfrentar tão graves consequências assim. Isso é tão fantástico!!!
Eu escolhi não fazer residência por enquanto.
Eu escolhi não dar muitos plantões de PS esse ano.
Eu escolhi trabalhar com atenção primária.
E, se no meio do caminho eu mudar de idéia, eu paro. Eu posso começar a dar plantão, posso desencanar da atenção primária, posso prestar residência ano que vem. Eu posso mudar de cidade. Eu posso ficar um mês sem fazer absolutamente nada no meio do ano e ninguém tem nada com isso. E a única coisa que vai acontecer é minha conta no banco ficar menos cheia.
Enfim: LIVRE!
Fim da faculdade, fim dos plantões gratuitos.
Nessa quase madrugada de segunda, eu assistindo CQC, aproveitando twitter, orkut e meu mais novo vício, o facebook (aqueles aplicativos e jogos são muito bons!).
Já consegui emprego. Muitos. Milhares. Mas ainda não tenho CRM, então estou basicamente de férias, aproveitando a vida com tudo que tenho direito (e condição).
O melhor de ter acabado é a sensação de liberdade. Eu posso simplesmente fazer o que eu quiser, a hora que quiser, do jeito que quiser, sem dar satisfação, sem cumprir horários, sem pressões ou responsabilidades. É uma sensação indescritível!
As pessoas falam "mas você escolheu fazer Medicina, podia ter saído da faculdade e aproveitado sua liberdade se quisesse". Mas não. Eu não escolhi fazer Medicina. Eu escolhi ser médica. O que eu queria era atender pacientes, cuidar, salvar, aliviar. Eu não queria ficar sentada num anfiteatro por 8 horas do meu dia, 5 dias da semana por 4 anos e depois dar plantões infernais, de graça, em locais muitas vezes insalubres por mais 2 anos até conseguir meu diploma. Eu não tinha saída, não tinha muita opção.
Agora é muito diferente! Agora eu sou médica. Agora eu escolho! E quando não quiser mais, eu posso parar sem enfrentar tão graves consequências assim. Isso é tão fantástico!!!
Eu escolhi não fazer residência por enquanto.
Eu escolhi não dar muitos plantões de PS esse ano.
Eu escolhi trabalhar com atenção primária.
E, se no meio do caminho eu mudar de idéia, eu paro. Eu posso começar a dar plantão, posso desencanar da atenção primária, posso prestar residência ano que vem. Eu posso mudar de cidade. Eu posso ficar um mês sem fazer absolutamente nada no meio do ano e ninguém tem nada com isso. E a única coisa que vai acontecer é minha conta no banco ficar menos cheia.
Enfim: LIVRE!
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Rito de passagem
O dia de hoje marca para mim um momento de transformação, minha "promoção", a passagem da classe baixa para a classe alta.
É estranho demais viver isso. Principalmente porque todas as pessoas que fizeram parte da maioria da minha vida continuam na classe baixa, falam aquela língua, frequentam aqueles lugares. Realidade que para mim apresentasse distante agora.
Me sinto mais diferente dos meus pares e mais iguais a meus ímpares. Me sinto meio que sem limites, vivendo um sonho, uma posição que eu nunca imaginei que poderia atingir.
Se você não está entendendo bem do que eu estou falando... a culpa é minha e não sua.
Explico:
Saí hoje para escolher um vestido para minha formatura. Eu tinha visto um vestido maravilhoso, perfeito num desfile na tv. Sabia que ele custava caro mas não tinha noção do que "caro" significava.
Lá de onde eu vim, não existe a possibilidade de comprar roupa por mais de R$100,00. É um absurdo! Inimaginável! Simplesmente não dá pra bancar e não fazemos isso.
Quando comecei a pensar no vestido de formatura que eu iria comprar, conversei com algumas meninas de uma classe social semelhante a minha. Elas me disseram que um vestido não sairia por menos de R$300,00 ou 400,00. Passado o susto, me acostumei com a idéia de gastar tal quantia.
Conversando com outras pessoas, investigando mais a fundo, descobri que a maioria (que obviamente pertence à classe alta) paga cerca de R$1.500,00. Fiquei chocada! De verdade! Nunca aventei a possibilidade de gastar tanto dinheiro numa roupa. Pior ainda, num vestido pra ser usado uma única vez, provavelmente. Óbvio que pensei "nunca que vou pagar tanto por um pedaço de tecido".
Enfim, hoje, saí com minha madrinha, minha irmã e duas amigas (ricas) da faculdade e fomos a procura do dito cujo.
A primeira loja que visitamos foi aquela em que tinha o vestido que eu tinha amado, aquele que eu sabia que seria caro mas que não tinha idéia do preço (achei que era uns R$1.000,00 e estava decidida que só iria experimentar porque procuraria em outras lojas algo mais de acordo com minha realidade).
Só que, quando coloquei o dito cujo (ainda sem saber o preço), ficou simplesmente divino, perfeito, maravilhoso. Sem necessidades de ajustes nem nada. Parecia que tinha sido feito para mim, sob medida (Repare no discurso patricinha).
Perguntei o preço e quase cai dura. Era muito muito muito caro. Muito mais caro do que eu podia imaginar. Eu nunca pensei em sequer segurar na minha mão uma roupa com tal valor. Era uma facada! Um absurdo major!
Fiquei em estado de choque, enquanto minha madrinha passou a negociar o preço e em quantas mil vezes ela poderia pagar aquele troço. Eu não conseguia conceber a ideia de pagar tanto por qualquer coisa que fosse, muito menos por um vestido. Eu dizia e repetia "eu nunca paguei nem R$100,00 num tênis, eu nunca usei um tênis que custasse R$100,00, como posso pagar tanto por um vestido".
Bom... no fim... acabei comprando (com a pressão da madrinha, da irmã e das amigas). Gastei todo o dinheiro que tinha, mais o dinheiro que minha madrinha tinha, parcelei o resto em 10 vezes e agora preciso arrumar um empréstimo ou um "presente" da minha vó pra bancar tudo.
A grande questão dessa história é que não estou preocupada. Eu nunca na minha vida tinha feito uma compra parcelada. Detesto cartão de crédito, não acho interessante fazer dívidas pro futuro sem saber se sequer estarei viva.
Hoje fiz minha primeira.
Mas não estou preocupada mesmo.
E minha falta de preocupação vem do fato que sei que esse montante de dinheiro que hoje pra mim parece infinito, ano que vem não será nem cócegas.
Se eu der plantão no Natal e Ano Novo (dias de maior valor) já dá pra quitar essa dívida e ainda sobra.
Não estou preocupada porque a partir de dezembro, passo a poder dar plantões e por cada um deles (por 12h de trabalho) ganharei mais do que eu ganhava num mês inteiro de "camelação" quando eu era auditora de shopping.
Vou ganhar uma quantidade de dinheiro que não sei o que exatamente significa, que não tenho idéia de como alguém pode gastar tanto num único mês. Vou conseguir comprar meu carro zero, viajar pra NY, passar um mês na Europa. Vou poder fazer tudo e mais um pouco e ainda vai sobrar. Vai sobrar pra caramba.
As pessoas dizem que médico ganha pouco. Mas isso depende muito do referencial.
Se você considerar o tanto que a gente estudou e estuda para nos mantermos bons, se considerar o envestimento que fizemos e todo sofrimento pelo que passamos... ganhamos sim, muito pouco.
Mas eu, com as referências de salário que tenho, tendo vivido o que vivi, tendo passado as dificuldades que passei... para mim, é bastante dinheiro. É dinheiro suficiente pra eu me tornar a pessoa mais rica entre todos os meus familiares/parentes, pra me tornar a aluna mais bem sucedida de qualquer dos colégios que estudei...
É dinheiro suficiente pra realizar todas as minhas vontades, as da minha irmã, da madrinha e mais algumas...
É simplesmente uma nova vida. Totalmente outra.
O problema vai ser quando eu me acostumar com essa "riqueza" e começar a me comparar com meus, então, pares. Quando eu começar a sonhar mais alto - ex.: um apartamento no Jardins...
É estranho demais viver isso. Principalmente porque todas as pessoas que fizeram parte da maioria da minha vida continuam na classe baixa, falam aquela língua, frequentam aqueles lugares. Realidade que para mim apresentasse distante agora.
Me sinto mais diferente dos meus pares e mais iguais a meus ímpares. Me sinto meio que sem limites, vivendo um sonho, uma posição que eu nunca imaginei que poderia atingir.
Se você não está entendendo bem do que eu estou falando... a culpa é minha e não sua.
Explico:
Saí hoje para escolher um vestido para minha formatura. Eu tinha visto um vestido maravilhoso, perfeito num desfile na tv. Sabia que ele custava caro mas não tinha noção do que "caro" significava.
Lá de onde eu vim, não existe a possibilidade de comprar roupa por mais de R$100,00. É um absurdo! Inimaginável! Simplesmente não dá pra bancar e não fazemos isso.
Quando comecei a pensar no vestido de formatura que eu iria comprar, conversei com algumas meninas de uma classe social semelhante a minha. Elas me disseram que um vestido não sairia por menos de R$300,00 ou 400,00. Passado o susto, me acostumei com a idéia de gastar tal quantia.
Conversando com outras pessoas, investigando mais a fundo, descobri que a maioria (que obviamente pertence à classe alta) paga cerca de R$1.500,00. Fiquei chocada! De verdade! Nunca aventei a possibilidade de gastar tanto dinheiro numa roupa. Pior ainda, num vestido pra ser usado uma única vez, provavelmente. Óbvio que pensei "nunca que vou pagar tanto por um pedaço de tecido".
Enfim, hoje, saí com minha madrinha, minha irmã e duas amigas (ricas) da faculdade e fomos a procura do dito cujo.
A primeira loja que visitamos foi aquela em que tinha o vestido que eu tinha amado, aquele que eu sabia que seria caro mas que não tinha idéia do preço (achei que era uns R$1.000,00 e estava decidida que só iria experimentar porque procuraria em outras lojas algo mais de acordo com minha realidade).
Só que, quando coloquei o dito cujo (ainda sem saber o preço), ficou simplesmente divino, perfeito, maravilhoso. Sem necessidades de ajustes nem nada. Parecia que tinha sido feito para mim, sob medida (Repare no discurso patricinha).
Perguntei o preço e quase cai dura. Era muito muito muito caro. Muito mais caro do que eu podia imaginar. Eu nunca pensei em sequer segurar na minha mão uma roupa com tal valor. Era uma facada! Um absurdo major!
Fiquei em estado de choque, enquanto minha madrinha passou a negociar o preço e em quantas mil vezes ela poderia pagar aquele troço. Eu não conseguia conceber a ideia de pagar tanto por qualquer coisa que fosse, muito menos por um vestido. Eu dizia e repetia "eu nunca paguei nem R$100,00 num tênis, eu nunca usei um tênis que custasse R$100,00, como posso pagar tanto por um vestido".
Bom... no fim... acabei comprando (com a pressão da madrinha, da irmã e das amigas). Gastei todo o dinheiro que tinha, mais o dinheiro que minha madrinha tinha, parcelei o resto em 10 vezes e agora preciso arrumar um empréstimo ou um "presente" da minha vó pra bancar tudo.
A grande questão dessa história é que não estou preocupada. Eu nunca na minha vida tinha feito uma compra parcelada. Detesto cartão de crédito, não acho interessante fazer dívidas pro futuro sem saber se sequer estarei viva.
Hoje fiz minha primeira.
Mas não estou preocupada mesmo.
E minha falta de preocupação vem do fato que sei que esse montante de dinheiro que hoje pra mim parece infinito, ano que vem não será nem cócegas.
Se eu der plantão no Natal e Ano Novo (dias de maior valor) já dá pra quitar essa dívida e ainda sobra.
Não estou preocupada porque a partir de dezembro, passo a poder dar plantões e por cada um deles (por 12h de trabalho) ganharei mais do que eu ganhava num mês inteiro de "camelação" quando eu era auditora de shopping.
Vou ganhar uma quantidade de dinheiro que não sei o que exatamente significa, que não tenho idéia de como alguém pode gastar tanto num único mês. Vou conseguir comprar meu carro zero, viajar pra NY, passar um mês na Europa. Vou poder fazer tudo e mais um pouco e ainda vai sobrar. Vai sobrar pra caramba.
As pessoas dizem que médico ganha pouco. Mas isso depende muito do referencial.
Se você considerar o tanto que a gente estudou e estuda para nos mantermos bons, se considerar o envestimento que fizemos e todo sofrimento pelo que passamos... ganhamos sim, muito pouco.
Mas eu, com as referências de salário que tenho, tendo vivido o que vivi, tendo passado as dificuldades que passei... para mim, é bastante dinheiro. É dinheiro suficiente pra eu me tornar a pessoa mais rica entre todos os meus familiares/parentes, pra me tornar a aluna mais bem sucedida de qualquer dos colégios que estudei...
É dinheiro suficiente pra realizar todas as minhas vontades, as da minha irmã, da madrinha e mais algumas...
É simplesmente uma nova vida. Totalmente outra.
O problema vai ser quando eu me acostumar com essa "riqueza" e começar a me comparar com meus, então, pares. Quando eu começar a sonhar mais alto - ex.: um apartamento no Jardins...
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